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Investigação

Quatro meses depois, morte de diarista em Vila Velha segue sem respostas

Exames não conseguiram determinar a causa da morte de Iraci de Souza Teixeira; Polícia Civil mantém linha investigativa sob sigilo

Publicado em 01 de Setembro de 2025 às 15:33

Júlia Afonso

Publicado em 

01 set 2025 às 15:33
Iraci de Souza Teixeira, diarista assassinada em Vila Velha
Iraci de Souza Teixeira, diarista assassinada em Vila Velha há quatro meses Crédito: Imagem cedida pela família
Há quatro meses, o corpo da diarista Iraci de Souza Teixeira, de 66 anos, foi encontrado com sinais de violência no bairro Vale Encantado, em Vila Velha. Desde então, a família aguarda respostas sobre as investigações da Polícia Civil.
Segundo apuração da repórter Priciele Venturini, da TV Gazeta, o laudo do médico legista apontou a causa da morte como indeterminada. O documento também constatou que não houve violência sexual e que, embora o corpo apresentasse hematomas, não foram identificados traumas ou lesões graves capazes de provocar a morte.
Devido ao avançado estado de decomposição em que o corpo foi encontrado, não foi possível realizar exames toxicológicos que indicassem um possível envenenamento. Enquanto aguarda respostas, a família vive dias de angústia.
“Minha mãe é muito querida, ia do serviço para casa. Todos sentem falta dela. Algo dentro de mim diz que o disque denuncia vai ajudar a polícia. Sempre tenho essa esperança e ela que me faz acordar todos os dias. Quero fazer um apelo para as pessoas não se calarem, denunciar. Minha mãe era muito querida, então a gente não consegue entender. É um processo muito difícil", desabafou uma das filhas da diarista, Fabíola Teixeira.
Uma fonte da Polícia Civil revelou à reportagem da TV Gazeta que há uma linha forte de investigação, com motivação e autoria, mas que, para não comprometer as apurações, mais detalhes não serão divulgados no momento.

Desaparecimento

Iraci saiu de casa para caminhar por volta das 8h15 do dia 26 de abril para realizar o percurso que costumava fazer todos os sábados, conhecido como "Reta do Vale" — nas proximidades da Escola Municipal Joffre Fraga, em Vale Encantado. Uma câmera de segurança flagrou a mulher deixando o prédio. Depois disso, a diarista não foi mais vista.

Buscas

No sábado mesmo, a filha mais nova de Iraci estranhou a demora da mãe em voltar da caminhada e foi até o apartamento dela. Na residência, a filha encontrou o celular da diarista em cima da cama. 
A nora da diarista, Camila de Oliveira Silva Teixeira, informou que a sogra não saía para caminhar com o aparelho com medo de ser roubada. No domingo, os filhos da vítima já começaram a realizar buscas pela região e passaram em hospitais procurando pela mãe. Polícia Civil e Corpo de Bombeiros também estiveram no local onde ela fazia a caminhada. 

Corpo encontrado 

No dia 1º de maio, o corpo de Iraci foi localizado por amigos da família em um terreno no final da Rua Monte Sinai, também em Vale Encantado, nas proximidades da Rodovia Leste Oeste. "Não esperava encontrar uma cena tão pesada. Uma cena de terror. Fico preocupado até na hora de dormir porque não é uma cena que você vai esquecer de uma hora para a outra", relatou um dos voluntários que participou das buscas.

Requintes de crueldade

O corpo estava em uma cova rasa, com mãos e pés amarrados e havia sinais de violência. O próprio delegado-geral da Polícia Civil do Espírito Santo, José Darcy Arruda, disse que o crime foi cometido com requintes de crueldade. "É alguém que não queria que fosse descoberto, por isso enterrou a vítima", detalhou. Veja vídeo:

Homem preso com arma

No mesmo dia em que o corpo de Iraci foi encontrado, um homem foi preso com uma arma nas proximidades da casa onde a vítima morava, também em Vale Encantado. Na ocasião, o delegado Luiz Gustavo Ximenes disse que a polícia estava investigando se esse suspeito tinha relação com o assassinato da diarista. 
“Ele foi autuado por porte ilegal de arma de fogo. Estão sendo realizados levantamentos para ver a participação desse indivíduo, se ele realmente participou desse crime. Estamos analisando as câmeras de monitoramento e também aguardando o laudo cadavérico para verificar as lesões, se foram praticadas com arma branca”, afirmou em entrevista à TV Gazeta.
O delegado-geral da PC afirmou que, no momento em que foi preso, o homem não tinha condições de prestar depoimento. “A pessoa estava totalmente alcoolizada, entorpecida, cheia de fezes, com falas desconexas. Aguardamos até a madrugada e a interrogamos. Ele nega veementemente, diz que não conhecia (a vítima). Mas isso não está descartado. Vamos buscar todas as informações”, explicou Arruda à época.

Denuncie

Informações que possam contribuir com o trabalho da polícia podem ser repassadas, de forma anônima, por meio do Disque-Denúncia 181. Quem preferir, pode denunciar pela internet.

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