"Se for para morrer, que seja como herói, trabalhando e honrando a farda." Essa era uma frase que o soldado da Polícia Militar Bruno Mayer Ferrani costumava dizer para a esposa, a dona de casa Lorrainy Souza, de 25 anos, que hoje chora a morte do marido junto às filhas de seis e três anos.
O casal estava junto há 11 anos (um de namoro e 10 de casados). Mesmo em meio a dor, a dona de casa conversou com a reportagem de A Gazeta e contou um pouco da história de Ferrani, que morreu junto com outro colega de farda durante uma ocorrência em Cariacica no dia 16 de outubro.
"Ele estava na polícia há sete anos, era um sonho. Ele não queria de jeito nenhum trabalhar internamente, queria trabalhar na rua e às vezes deixava até de comer para atender ocorrências. Tanto que nessa noite (da morte) eu fiz a janta em casa para ele buscar, e ele tinha esquecido do suco. Pedi para ele voltar para buscar, mas não conseguiu porque estava em uma ocorrência de Maria da Penha", contou Lorrainy.
Além de trabalhar na polícia, ele ainda vendia roupas e outros acessórios para complementar a renda. "Era muito esforçado. A gente tem duas filhas, a mais velha com seis e a mais nova com três anos que é autista e dependia muito dele, e eu também, que não trabalhava porque precisava cuidar das minhas filhas", revelou a dona de casa.
CASAL IRIA OFICIALIZAR A UNIÃO
Lorrainy ainda disse que o casal pretendia oficializar a união no cartório no próximo dia 24, data em que iriam comemorar 11 anos de relacionamento. "Iríamos casar no cartório e fazer uma reunião mais familiar, já estava tudo quase pago", desabafou.
"Estamos todos destruídos. Nossa filha mais velha falou uma frase muito marcante: 'Mamãe, por que deram um tiro na cabeça do meu pai? Ele era tão bom'. Desde então só faz desenhos dele"
MISSA DE SÉTIMO DIA
A missa de sétimo dia de Ferrani vai acontecer no sábado (22), às 19h, no santuário Bom Pastor, em Campo Grande, Cariacica.
"Bruno era parceiro, amigo, um ótimo pai. Era querido por todos, tanto que tem um monte de policial com atestado médico porque não tem psicológico para trabalhar", disse Lorrainy.
ENTENDA O CASO
Os soldados Bruno Mayer Ferrani e Paulo Eduardo Oliveira Celini foram mortos após uma perseguição a quatro suspeitos, que se iniciou na Rodovia Leste-Oeste e seguiu até o bairro Santa Bárbara, em Cariacica, no dia 16.
Segundo as autoridades, eles foram alvo de tiros em uma emboscada. Os dois foram socorridos e encaminhados ao Hospital Meridional, em Cariacica, mas não resistiram aos ferimentos.
Em menos de sete horas após o crime, o grupo suspeito de estar envolvido com as mortes foi preso. Foram detidos Eric da Silva Ferreira, de 45 anos, que dirigia o carro usado pelo grupo durante assalto e tentativa de fuga da polícia. No carona, estava Luana de Jesus Luz, de 26; no banco traseiro, estavam os namorados Eduardo Bonfim Meireles, de 40 anos, e Erica Lopes Ferreira, de 26 anos.
Os enterros dos dois foi cercado de homenagens e muita emoção. Confira os registros: