Um sociólogo de 47 anos, identificado como Roberto Barcelos Ferrante, foi preso por injúria racial e ameaça após proferir ofensas contra um funcionário público, de 40 anos, na Rua da Lama, no bairro Jardim da Penha, em Vitória, na madrugada de domingo (12). Ele teve liberdade provisória concedida pela Justiça nesta segunda-feira (13), após audiênca de custódia, sem pagamento de fiança.
A vítima, que preferiu não se identificar, contou que estava na fila de um estabelecimento quando viu Roberto importunando uma pessoa LGBTQIAPN+ e interveio. “Eu pedi para ele parar e ele não quis. Falei para ele não me tocar porque eu não gosto, e ele começou a fazer comentários racistas, arremessou uma cadeira na minha direção e, de repente, puxou uma faca e começou a correr atrás de mim, dizendo que ia me matar”, contou.
Em um vídeo gravado pela vítima é possível ver Roberto alterado, dizendo que é “branco da raça” e fazendo ameaças (veja acima). No boletim de ocorrência, o funcionário público relatou que o suspeito também o chamou de "macaco".
A Guarda Municipal foi acionada e deteve o suspeito. Ele foi levado para a Delegacia Regional de Vitória, onde, segundo a Polícia Civil, foi autuado em flagrante por injúria racial e ameaça.
“Infelizmente eu estou chateado, mas não surpreso, pois já sofri racismo muitas vezes, mas não dessa forma tão violenta. Espero que ele fique preso e seja exemplo de que racismo e transfobia não têm mais vez no nosso país”, desabafou a vítima.
Durante a confusão, testemunhas relataram que Roberto disse que seria professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), mas a instituição negou essa informação e afirmou não ter qualquer vínculo empregatício com ele.
Conforme apuração da TV Gazeta, além de sociólogo Roberto é ator, e por mais de 15 anos interpretou Jesus Cristo no Auto da Paixão, em uma das encenações mais tradicionais da capital na Semana Santa.
Os advogados Pablo Laranja e Rayula Simonassi Bellinazzi, que fazem a defesa de Roberto, informaram que acompanham o caso e destacaram que, além da soltura, a Justiça rejeitou o pedido do Ministério Público de monitoramento eletrônico.
"A decisão mostrou-se a mais correta para o atual momento processual, sendo a mesma coesa e cirúrgica na aplicação da legislação. Em um Estado Democrático de Direito, o Poder Judiciário não pode decidir pelo clamor popular, mas exclusivamente pelos elementos constantes dos autos. A defesa seguirá acompanhando o processo, confiante de que a apuração dos fatos ocorrerá sob o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, garantias essenciais para uma prestação jurisdicional verdadeiramente justa", informou.
Atualização
Após publicação desta matéria, a reportagem apurou que o sociólogo Roberto Barcelos Ferrante teve a liberdade provisória concedida após audiência de custódia realizada nesta segunda-feira (13). A defesa dele também enviou nota sobre o caso. O texto foi atualizado.