Diógenes de Freitas Ferreira dos Santos, preso em agosto do ano passado suspeito de envolvimento no desaparecimento de Sara Conceição Serra dos Santos, foi solto. Segundo a decisão da Justiça, a juíza Lívia Regina Savergnini entendeu que a liberdade dele não comprometeria o andamento do processo. O benefício foi concedido na última terça-feira (1º).
Sara desapareceu em novembro de 2022, após sair de casa para se encontrar com o ex-namorado, Diógenes, na Serra. Segundo a família, o relacionamento dos dois era conturbado e o homem não aceitava o término. Em agosto de 2024, a Polícia Civil divulgou o resultado das investigações, que apontavam que a jovem foi morta. O principal suspeito era Diógnes, preso em 20 de agosto do ano passado. Na ficha dele constam processos no Rio de Janeiro e na Serra por perseguição (stalking) a outras ex-namoradas e ameaça à própria família de Sara.
O que disse a juíza na decisão
Na decisão sobre a soltura de Diógenes, a juíza ponderou que "não há elementos concretos que sustentem a necessidade da custódia cautelar, pois não ficou demonstrado que a liberdade do réu comprometeria a ordem pública, a instrução criminal ou a aplicação da lei penal. Não há indícios de que o acusado tenha ameaçado testemunhas ou tentado interferir na investigação, tampouco elementos que indiquem sua participação em organização criminosa, o que reduz o risco de reiteração delitiva".
Ela também citou que "o réu possui condições pessoais favoráveis, sendo primário e sem antecedentes criminais. Diante desse contexto, a manutenção da prisão preventiva revela-se desproporcional no presente momento". Com a liberdade provisória, o investigado terá de cumprir medidas cautelares como manter o endereço atualizado e não manter nenhum contato com testemunhas do caso.
O que diz a defesa de Diógenes
Em nota, o advogado Charles Boneli Gonçalves, que faz a defesa de Diógenes, disse que "a liberdade foi analisada e pautada sobre a luz dos princípios e requisitos que norteiam o devido processo penal e permite não só o senhor Diógenes, mas qualquer cidadão responder ao processo em liberdade. Diógenes sempre estará à disposição da Justiça, pretende comparecer a todos os atos judiciais para sobretudo provar que a imputação que recai sobre seus ombros não são verdadeiras. A audiência de instrução já se encontra agendada, oportunidade que iremos esclarecer os fatos".
'Risco à sociedade', diz assistente de acusação
A advogada criminalista Bianca Campelo, assistente de acusação no caso em defesa de Sara, disse que considera a decisão judicial desproporcional: "As imagens de câmeras de monitoramento indicam que o acusado foi a última pessoa a manter contato com a vítima antes do seu desaparecimento. Embora tecnicamente primário, há registros de violência doméstica contra sua ex-companheira no Estado do Rio de Janeiro, além de, no momento da prisão, terem sido encontrados em sua residência diversos documentos pertencentes a terceiros, sem origem justificada. A acusação seguirá firme na busca pela responsabilização e pela efetiva aplicação da Justiça".
A liberdade dele representa risco à sociedade, à instrução criminal e à segurança de outras possíveis vítimas
O dia do desaparecimento
Sara desapareceu em 13 de novembro de 2022, quando tinha 20 anos de idade. A última pessoa a vê-la foi uma tia. O encontro, por acaso, aconteceu um dia antes do desaparecimento, perto das casas onde moravam, na Serra. Naquela ocasião, chamou atenção o fato de Sara estar andando na rua com um par de chinelo nas mãos.
Segundo os familiares, Sara ainda morava em uma casa no bairro Serra Dourada III, que pertencia ao ex-namorado. O relacionamento deles era conturbado, e durou apenas alguns meses. Por causa do término, Sara tinha o plano de sair da casa do ex — onde morava sozinha — e se mudar para onde vivia a irmã dela.
No dia do desaparecimento, a jovem enviou uma mensagem para a irmã informando que encontraria o antigo namorado em Porto Canoa, e fez um alerta para caso algo acontecesse. Quando Fernanda viu o aviso no aplicativo, o celular da irmã já não funcionava mais.
Prisão do suspeito
Diógenes de Freitas Ferreira dos Santos, na época com 43 anos, foi preso suspeito de matar e esconder o corpo de Sara. De acordo com as investigações, imagens de videomonitoramento mostraram o momento que Sara entra na casa de Diogénes, mas não sai. Já o homem aparece saindo por três vezes, sendo a última delas por volta das 20h do dia 13 de novembro. A polícia conseguiu o trajeto que ele fez e descobriu que o homem foi até Fundão e voltou na mesma noite.
Após a família realizar o boletim de ocorrência do desaparecimento da jovem, Diógenes foi intimidado a prestar declarações e afirmou que não saiu de casa no dia que a jovem desapareceu, versão que foi negada pelas imagens obtidas pela polícia. Além disso, ele possuía uma lesão no rosto, parecida com arranhões, e se negou a fazer corpo de delito.
Através das imagens, versões contraditórias, depoimentos e outras provas, a polícia conseguiu indiciar Diogénes por assassinato e ocultação de cadáver de Sara.
Relacionamento era conturbado
Segundo a polícia, Sara conheceu o homem quando alugou uma das residências dele em Serra Dourada, na Serra. Eles começaram um relacionamento que durou três meses. Para a família, a jovem dizia que o homem era obsessivo.
“Perseguia ela no trabalho, praticava a violência psicológica. A gente tem esses fatos no inquérito policial. Ele tem essa característica de não aceitar o fim do relacionamento”, relatou o titular da Delegacia Especializada de Pessoas Desaparecidas (DEPD), delegado Luiz Gustavo Ximenes, na época da prisão de Diógenes.
Atualização
04/04/2025 - 10:25
A matéria foi atualizada com a nota da advogada Bianca Campelo, assistente de acusação no caso em defesa de Sara,