No curto período de uma semana, ao menos quatro mortes ocorreram na região do Bairro da Penha, em Vitória. Com medo, moradores convivem ainda mais em meio ao fogo cruzado entre a Polícia Militar e traficantes, cujas facções rivais ainda disputam entre si. Mas o que está causando tamanha escalada da violência na região?
Nessa segunda-feira (29), houve mais um intenso tiroteio na comunidade, que terminou na morte de um homem. Três dias antes, em 26 de janeiro, mais dois suspeitos acabaram baleados e não resistiram aos ferimentos após um confronto com a polícia. Já no último dia 22, um jovem de 24 anos, identificado como Maxsuelder Coelho Etienne, também se tornou vítima.
- Dia 22 de janeiro: Homem morre após confronto armado com a polícia no Bairro da Penha
- Dia 26 de janeiro: Confronto a tiros deixa dois mortos e um homem ferido em Vitória (o suspeito que sobreviveu quebrou os dois pés durante a tentativa de fuga)
- Dia 29 de janeiro: Novo confronto na região da Penha, com um morto e ataque ao destacamento da PM em São Benedito
Segundo o comandante-geral da PM, coronel Douglas Caus, o acirramento dessa 'guerra' começou em outubro do ano passado. Os confrontos, atualmente, ocorrem entre o Primeiro Comando de Vitória (PCV) e o Terceiro Comando Puro (TCP).
"Nós tivemos o início de um conflito entre o PCV, que pega ali o 'Complexo da Penha', rivalizando com o Morro do Macaco e Tabuazeiro, além de um pedaço de Andorinhas, que é do TCP. Temos informações da inteligência, da troca com as polícias Civil e Federal, e tudo indica que se trata de uma disputa por território", destacou Caus.
E, afinal, o que isso significa? O comandante-geral explicou à reportagem de A Gazeta que existe uma briga pela tomada de pontos de venda de drogas em Vitória. "Alguns pontos chegam a arrecadar, por dia, mais de R$ 50 mil. Imagine conseguir pegar nove, dez bocas de fumo. É uma disputa por lucro", estimou.
"As ações dessas facções geram homicídio, tentativa de homicídio e troca de tiros com a força policial"
Mas esse cenário, um dia, já foi bem diferente, segundo o coronel. "Havia entre eles uma convivência pacífica. Mesmo que bairros das duas facções fizessem limite entre si, elas não se enfrentavam. Passaram a se confrontar a partir de outubro, o que aumentou a violência nessa região", entatizou.
O que teria provocado essa "discórdia" entre TCP e PCV, porém, ainda está sendo investigado pelas forças de segurança.
Confrontos
Apesar do novo contexto na região, é possível observar que todas as últimas mortes na comunidade ocorreram em confronto com a polícia. Questionado sobre o assunto, o comandante Douglas Caus alegou que as ocorrências citadas exigiram "o uso da legítima defesa".
"O ato de atirar para se defender, usando a legalidade, usando equipamentos necessários, é uma prerrogativa das forças de segurança. Não existe violência policial. Existe agressão de traficantes contra a força policial. A polícia, quando reage, não é violência policial. É legítima defesa, estrito cumprimento do dever legal e uso progressivo da força", defendeu.
"Continuaremos tentando derrubar as facções. Por isso, acontecem os confrontos"
Medidas
Para amenizar a violência na região, a PM pontuou que tomou algumas medidas. Confira abaixo os tópicos destacados pelo coronel Douglas Caus:
- "No dia 10 de outubro de 2023, criamos uma operação de força tarefa na região para acabar com essa guerra. Diariamente, estamos empregando 70 policiais militares, em rádio patrulha, patrulha a pé nos morros com tropa especializando, fazendo operações e incursões e o uso da tropa administrativa da PM, também em viaturas";
- "Outro ponto é garantir que nesses bairros o tráfico de drogas não reproduza a realidade de outros Estados, onde eles dominam o território. Ou seja: a subida, a descida, seja de moradores, seja do Estado, dominadas por traficantes. Esse é o primeiro degrau para que eles tenham domínio territorial. Daí para frente eles passarão a ditar as regras na comunidade, a atacar o Estado. Coisa que o Governo do Espírito Santo determinou que não vai acontecer em solo capixaba".
Protesto por paz
Pouco após a morte desta segunda (29) no Bairro da Penha, manifestantes tomaram a Avenida Leitão da Silva, também na Capital capixaba, para pedir por paz. Em conversa com o repórter João Brito, da TV Gazeta, eles criticaram as ações da PM, afirmando que cometem excessos durante operações e patrulhamentos de rotina.