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Feminicídio

'Tive pressentimento', diz pai de chefe da Guarda morta pelo namorado em Vitória

Carlos afirma que ouviu os disparos e que a filha não teve chance de reação; Dayse Barbosa foi assassinada pelo policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, que invadiu sua casa

Publicado em 23 de Março de 2026 às 09:08

Júlia Afonso

Publicado em 

23 mar 2026 às 09:08
Carlos, pai da comandante da Guarda Municipal Dayse Barbosa (em destaque)
Carlos, pai da comandante da Guarda Municipal Dayse Barbosa Mattos (em destaque) Crédito: Roberto Pratti e Redes Sociais
O pai de Dayse Barbosa Mattos, comandante da Guarda Municipal de Vitória assassinada pelo namorado, relatou que estava com um mau pressentimento ao longo do domingo (22), horas antes do crime, e chegou a se certificar se ela estava com a arma em casa. Segundo ele, a filha não teve chance de se defender. O policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza invadiu o quarto da vítima na madrugada desta segunda-feira (23), já atirando. Carlos Roberto Trindade Teixeira, conhecido como Carlinhos, estava em um cômodo ao lado e ouviu os disparos.
"Ontem (domingo) eu estava com esse pressentimento direto. Cheguei a ir ao quarto e perguntei: 'Dayse, sua arma está aí?'. Ela disse que sim. Mas não deu tempo. Ele entrou atirando. No primeiro tiro, eu acordei. Ouvi três disparos. Abri a porta devagar, olhei e vi ele correndo com a arma engatilhada”, contou, em entrevista ao repórter André Afonso, da TV Gazeta.
De acordo com as primeiras informações da perícia, Diego teria usado uma escada apoiada no muro para acessar o imóvel, entrando pela sacada do quarto de Dayse e arrombando a porta. Ela estava dormindo quando foi atingida pelo primeiro disparo. Depois, ainda teria tentado se levantar, mas foi baleada novamente com mais tiros. Após o crime, o policial tirou a própria vida na cozinha da residência.

Relacionamento conturbado

Diego Oliveira de Souza assassinou a namorada, a comandante Dayse Barbosa
Diego Oliveira de Souza assassinou a namorada, a comandante Dayse Barbosa Crédito: Redes Sociais
Segundo o pai, o relacionamento do casal durava cerca de quatro anos e era marcado por conflitos. Ele afirmou que a filha havia decidido encerrar a relação. “Isso aconteceu porque ela terminou e disse: ‘Você precisa se tratar’. Já aconteceu de eu ter que tirar ele de cima dela, porque ele a estava segurando pelo pescoço”, relatou.

Vitória decreta luto de três dias

Nas redes sociais, o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, informou que a prefeitura decretou luto oficial de três dias. "Profissional exemplar, Dayse Barbosa destacou-se também como por sua firme atuação na defesa dos direitos das mulheres, contribuindo de forma significativa para o enfrentamento à violência e para a construção de uma sociedade mais justa e segura. Sua partida deixa um legado de respeito, força e compromisso com o serviço público", publicou Pazolini.

"Não vamos nos curvar a agressores", diz prefeito

Em entrevista ao telejornal Bom Dia ES, da TV Gazeta, o prefeito Lorenzo Paszolini afirmou que o crime não será tolerado. "Não vamos compactuar, aceitar nem nos curvar a agressores. Quando escolhemos Dayse como a primeira comandante da história da Guarda Municipal de Vitória, foi para valorizar o trabalho das mulheres na sociedade”, declarou.
Segundo ele, as primeiras informações indicam que o crime foi premeditado. "Até onde se sabe, o agressor levou uma escada, material incendiário, ou seja, ele foi preparado para invadir a casa e cometer esse ato cruel e covarde. Ele transpôs o muro, violou a porta do quarto e efetuou os disparos. E também as primeiras informações indicam que o pai da Dayse subiu para tentar socorrê-la, mas o agressor já estava com a arma em punho", afirmou.
O prefeito destacou ainda o trabalho da comandante no combate à violência contra a mulher. "Dayse que lutou tanto contra o feminicídio, realizava um trabalho extraordinário. Ela lutou muito contra isso, dedicou a vida para proteger mulheres e crianças, e infelizmente sofreu esse ato de extrema violência", concluiu.

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