Um dos criminosos mais perigosos do Espírito Santo foi condenado a 66 anos e quatro meses de prisão no último dia 25, uma semana atrás. Filipe Xavier da Conceição era chefe do tráfico no bairro Jardim Carapina, na Serra, e estava preso em regime fechado desde março de 2019. O julgamento aconteceu no Fórum Cível da Serra e a condenação foi divulgada pelo Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) na quarta-feira (30).
Junto com o traficante, outros três criminosos também foram condenados: Lucas Alves Silveira e Marcelo Silva Oliveira receberam como pena 55 anos e quatro meses de prisão, e Izaque Wagner dos Santos Vaz foi condenado a 17 anos e quatro meses de reclusão.
Os quatro réus foram julgados e condenados pelos crimes de duplo homicídio, tentativa de homicídio e associação criminosa, praticados contra três pessoas: Wellington Vieira Gomes, Gustavo Manthay Santos e Mateus Ribeiro Gomes. As vítimas, integrantes de uma organização criminosa rival, foram assassinadas em maio de 2019 no bairro Divinópolis, na Serra, em vingança pela morte de um comparsa de Filipe, conhecido como “Farofa”.
O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) ressaltou que Filipe Xavier da Conceição possui ligação com a organização criminosa Primeiro Comando de Vitória (PCV).
Filipe foi chefe do tráfico em Jardim Carapina de 2015 até sua prisão em 2019 e era considerado o homicida mais perigoso do Estado. Segundo a
Polícia Civil, o criminoso executava todos os rivais que tinham pontos de tráfico no bairro para ter o controle total do bairro.
Na época da prisão, a instituição policial ainda relatou que o criminoso tinha um modo de agir parecido em todos os homicídios praticados. Segundo a Polícia Civil, Filipe, com outros traficantes, chegava na residência do alvo fortemente armado e trajando roupas da Polícia Militar.
A reportagem procurou a defesa de Filipe Xavier, que afirmou que recorrerá da condenação. O advogado Leonardo da Rocha de Souza pontuou, em nota enviada para A Gazeta, o que deve destacar ao recorrer da decisão (veja abaixo).
O A Gazeta procurou o Ministério Público do Estado do Espírito Santo para saber se a instituição irá se posicionar em relação às afirmações feitas pela defesa de Filipe. Por nota, o MPES, por meio da Promotoria de Justiça Criminal de Serra, informou que a condenação teve como base as provas e argumentos apresentados durante o trâmite processual e durante o júri. O Ministério Público ressalta que tanto a acusação quanto a defesa podem juntar ao processo documentos e elementos que entenderem pertinentes para embasar seus argumentos. Assim, a instituição salienta que apresentou documentos e elementos de prova de forma legal e dentro dos prazos garantidos pela legislação brasileira.