Um clima de mistério ronda o assassinato da operadora de telemarketing Maiara de Oliveira Freitas, 26 anos, executada a tiros dentro da casa dela, na frente da filha de 4 anos, no dia 11 de setembro no bairro Antônio Ferreira Borges, em Cariacica.
A Polícia Civil já identificou que pelo menos três bandidos participaram do crime. Eles chegaram ao endereço da vítima durante a madrugada. Um deles ficou em um veículo do lado de fora enquanto dois comparsas invadiram o imóvel encapuzados.
A titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPM), delegada Raffaella Aguiar, conta com a colaboração da população com informações. Ela aponta o canal do Disque-Denúncia 181, que preserva a identidade de quem fornece informações. A ligação é gratuita.
“O sigilo da fonte é garantido. A informação vai chegar e nós vamos conseguir uma linha de investigação para tirar das ruas esses criminosos que mataram Maiara de forma tão bárbara na frente da família e da filhinha dela. O que aconteceu foi uma execução”, enfatizou.
De acordo com a polícia, o local onde o crime aconteceu não conta com câmeras de segurança, tem pouca iluminação pública e é uma região com registro de ação de traficantes de drogas. Segundo a delegada, todos esses fatores dificultam a investigação.
"O lugar é ermo e o crime foi de madrugada. Pode ser que alguém tenha ouvido ou visto algo como a placa, modelo ou cor do veículo. A gente entende que é um local de tráfico de drogas, onde impera a lei do silêncio, mas a população pode usar o 181. É sigiloso."
FILHA ASSUSTADA
Depois de presenciar o assassinato da mãe, a filha de Maiara de Oliveira Freitas, de apenas 4 anos, mudou o comportamento e não para de chamar pela mãe. Maiara foi assassinada onde morava por dois homens que fingiram ser policiais e invadiram a casa dela.
De acordo com um familiar que preferiu não se identificar, a filha de Maiara passa o dia chamando pela mãe, e, além disso, a criança não consegue mais ficar sozinha nos cômodos da casa. “Ela não quer mais ficar sozinha nos ambientes”, pontuou.
O familiar de Maiara destacou ainda que banho, que era a atividade de a criança estava aprendendo a fazer sozinha, a menina já não faz mais. “Ela não consegue mais ficar no banheiro sozinha”.
SUSPEITA DE VINGANÇA
Familiares contaram que a vítima morava no bairro havia duas semanas. Ela não tinha passagem pela polícia.A suspeita é de que a operadora de telemarketing tenha sido morta por vingança.
Há cerca de um ano, o namorado dela foi morto no bairro. Ela teria ajudado a polícia na investigação e foi ameaçada por isso. Ela se mudou para Minas Gerais e tinha retornado para o bairro Antônio Ferreira Borges em agosto deste ano.
REPERCUSSÃO
"[Tenho] R$ 10 mil aqui do meu bolso pra quem mandar matar esse vagabundo, isso não merece tá vivo não. Eu tiro do meu bolso quem matar esse vagabundo aí. Não vale dar onde ele tá localizado não, tem que entregar o cara morto, aí eu pago”, disse o deputado durante fala no plenário.
FAMÍLIA SE PRONUNCIOU
Depois da declaração do deputado, um parente de Maiara, que preferiu não se identificar, disse que a violência não é o caminho para justiça diante do abalo e sofrimento que a família está vivendo depois do crime. Ainda de acordo com o familiar de Maiara, a intenção do deputado Assumção pode ter sido de ajudar, mas a alternativa foi incorreta.
“Sei que há pessoas que concordam com o deputado. Acho que ele quis ajudar do jeito dele. Os assassinos saíram da casa dela comemorando e isso é uma a atitude horrível. Pessoas que não têm remorso de tirar a vida do outro sem pensar duas vezes. Todos estão em pânico”, finalizou.