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Nesta quinta (12)

A Gazeta transmite julgamento de último réu do assassinato do juiz Alexandre Martins

Antônio Leopoldo Teixeira vai ser julgado no Tribunal de Justiça do Espírito Santo; sessão está prevista para começar às 9 horas e será acompanhada do início ao fim

Publicado em 11 de Março de 2026 às 17:53

Aline Nunes

Publicado em 

11 mar 2026 às 17:53
O julgamento de Antônio Leopoldo Teixeira, magistrado aposentado acusado de mandar matar o juiz Alexandre Martins de Castro Filho, será transmitido, ao vivo, pelo site de A Gazeta. A sessão no pleno do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), que reúne todos os desembargadores da Corte, está marcada para começar às 9 horas desta quinta-feira (12) e será acompanhada do início ao fim. 
Após mais de 20 anos do crime, ocorrido em 24 de março de 2003, Antônio Leopoldo será o último réu do caso a ser julgado. Outras nove pessoas acusadas de envolvimento no assassinato já foram julgadas — oito delas foram condenadas
Antônio Leopoldo, que era juiz da Vara de Execuções Penais, em Vitória, foi acusado de envolvimento em um esquema de favorecimento ao crime organizado. Ele foi denunciado pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES), que requer a condenação por homicídio qualificado. A defesa argumenta que não há provas da participação do juiz aposentado na morte de Alexandre Martins. 

Quem era Alexandre Martins?

Alexandre Martins era um juiz de Direito de 32 anos, integrante da Vara de Execuções Penais e um dos magistrados mais atuantes no combate ao crime organizado no Espírito Santo no início dos anos 2000. Formado em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ex-oficial de Justiça, ele era conhecido por sua coragem, ética e pelo perfil técnico e rigoroso. Além de juiz, era professor universitário e fazia parte de uma missão especial que investigava a atuação de grupos de extermínio e a corrupção no sistema penitenciário capixaba.

Por que ele incomodou o crime organizado?

O juiz tornou-se um alvo porque suas decisões atingiam diretamente o coração do crime organizado do Estado. Ao assumir a Vara de Execuções Penais, ele passou a fiscalizar presídios e a combater esquemas de corrupção que envolviam a venda de benefícios para detentos e transferências irregulares de presos de alta periculosidade. Suas investigações e sentenças ameaçavam o poder de ex-policiais, contraventores e até membros do Judiciário que mantinham negócios ilícitos dentro do sistema prisional.

Como ele foi morto?

Alexandre Martins foi assassinado na manhã de 24 de março de 2003, com três tiros, quando chegava a uma academia de ginástica em Itapoã, Vila Velha. Ele estava sozinho e não utilizava escolta no momento do ataque, apesar das ameaças que recebia. O crime foi uma execução planejada: dois pistoleiros em uma motocicleta o aguardavam e efetuaram os disparos à queima-roupa. Embora a defesa dos acusados tenha tentado sustentar a tese de latrocínio (roubo seguido de morte), as investigações provaram que se tratou de um crime de mando, articulado por uma rede que envolvia intermediários e mandantes ligados ao crime organizado.

Quem é o juiz aposentado Antônio Leopoldo Teixeira?

Antônio Leopoldo é um juiz aposentado que, na época do crime (2003), era colega da vítima na Vara de Execuções Penais de Vitória. Ele é apontado pelas investigações como um dos mandantes do assassinato. Diferentemente dos executores e intermediários, que já foram julgados e condenados em anos anteriores, Leopoldo é o último réu de grande relevância a enfrentar o julgamento devido a uma série de recursos que prolongaram o processo por mais de duas décadas. O caso será analisado pelo Tribunal do Pleno do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES).

As acusações contra Leopoldo

O Ministério Público sustenta que Antônio Leopoldo participou do planejamento da morte de Alexandre Martins por motivos de vingança e queima de arquivo.
Segundo a acusação, a motivação seria porque Alexandre Martins teria descoberto e passado a combater um esquema de venda de alvarás de soltura e benefícios a presos, do qual Leopoldo supostamente fazia parte.
  • Articulação: Leopoldo é acusado de ter se unido a outros mandantes (como ex-policiais e contraventores) para eliminar o colega, que estava "atrapalhando" os negócios ilícitos do grupo ligado ao crime organizado no Espírito Santo.
  • Qualificadoras: responde por homicídio qualificado por motivo torpe e mediante pagamento ou promessa de recompensa, popularmente chamado de "crime de mando".

O que diz a defesa

A defesa de Antônio Leopoldo nega veementemente qualquer participação no crime e baseia sua estratégia nos seguintes pilares:
  • Negativa de autoria: afirma que não existem provas materiais ou testemunhais sólidas que liguem o juiz aposentado aos executores ou ao planejamento do atentado.
  • Fragilidade do inquérito: os advogados argumentam que a investigação foi conduzida sob forte pressão política e midiática na época, o que teria levado a conclusões precipitadas e erros processuais.
  • Questionamento de testemunhas: a defesa frequentemente aponta contradições nos depoimentos de criminosos que teriam delatado Leopoldo em troca de benefícios judiciais, alegando que tais relatos são mentirosos e sem lastro em fatos reais.

Confira os três episódios da websérie sobre o assassinato do juiz Alexandre Martins

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