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No meio da pandemia

Abraços e aglomerações marcaram eleições na Assembleia do ES e no Congresso

Parlamentares ignoraram orientações para evitar a transmissão do coronavírus durante as escolhas dos presidentes da Assembleia, da Câmara e do Senado

Publicado em 02 de Fevereiro de 2021 às 15:37

Rafael Silva

Publicado em 

02 fev 2021 às 15:37
Sem surpresas, Erick Musso,(Republicanos), é reeleito presidente da Assembleia Legislativa do ES
Erick Musso (Republicanos) e José Esmeraldo (MDB) em conversa ao pé do ouvido na sessão Crédito: Fernando Madeira
Abraços, apertos de mão, conversas ao pé do ouvido, discursos sem máscara e aglomeração, muita aglomeração. As eleições das presidências da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, da Câmara dos Deputados e do Senado Federal foram marcadas por desrespeito a normas de saúde para o enfrentamento ao novo coronavírus. As Casas até criaram protocolos para as votações nesta segunda-feira (1º), mas os parlamentares, que se reuniram após o recesso, não contiveram o entusiasmo do reencontro e da comemoração com os resultados dos pleitos. 
No Espírito Santo, a Assembleia adotou a possibilidade de deputados estaduais votarem de forma virtual, para evitar aglomeração no plenário. Ao todo, 26 deputados estaduais optaram por participar da sessão presencialmente. Outros convidados também compareceram, como o ex-deputado e prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), e os vereadores da Capital Denninho Silva (Cidadania) e Armandinho Fontoura (Podemos).
Apesar das restrições devido à pandemia de Covid-19, a reeleição de Erick Musso (Republicanos), escolhido para comandar o Legislativo por 28 dos 30 deputados, virou um momento de confraternização na Casa. O presidente, personagem principal do dia, recebeu diversos abraços dos colegas e conversou bem de perto com parlamentares, como José Esmeraldo (MDB), conforme mostra a foto acima. A proximidade contraria a orientação para o distanciamento de ao menos dois metros entre as pessoas, para evitar a contaminação pelo vírus. 
A aglomeração não ficou só no entorno do presidente da Assembleia. Os deputados Marcelo Santos (Podemos) e Janete de Sá (PMN), por exemplo, tocaram com as mãos os rostos um do outro. O gesto não é aconselhado por epidemiologistas e infectologistas, pois as mãos podem carregar o vírus e a região da face, perto dos olhos, da boca e do nariz, que são áreas de mucosas, é considerada a porta de entrada de microrganismos no corpo humano. 
A direção da Casa já havia instalado, desde o ano passado, barreiras de proteção entre uma mesa e outra no plenário, mas pouco adiantou nesta segunda. Em boa parte da sessão, os parlamentares permaneceram de pé, em rodas de conversa e com contato físico. Mesmo utilizando máscaras, especialistas apontam que, ao falar ou respirar, as pessoas soltam partículas contaminantes. Um abraço, então, pode ser uma ponte para que o vírus chegue até a outra pessoa saudável.
Nos discursos, Erick Musso, Marcelo Santos, Danilo Bahiense (PSL) e Capitão Assumção (Patriota) optaram por retirar a máscara ao falar em microfones, que eram divididos com outros deputados. O objeto, que recebe durante uma declaração milhares de gotículas de saliva, tem alto potencial de transmissão do vírus.
Algumas máscaras transparentes, sem o uso de máscaras de pano ou cirúrgicas por baixo, também foram usadas por deputados durante a sessão. Os deputados Hércules Silveira (MDB) e Renzo Vasconcellos (PP), além do prefeito Pazolini, utilizaram esse tipo de proteção, que virou febre entre candidatos no período eleitoral.
No entanto, especialistas não aconselham o uso desse tipo de máscara, já que, em geral, possuem aberturas nas extremidades. O ideal, apontam, é que a máscara esteja sempre bem colada ao rosto, reduzindo tanto a entrada quanto a saída de ar.
Na noite desta terça-feira (02), Doutor Hércules afirmou, por meio de nota, que a máscara de acrílico utilizada por ele "não permite passagem de ar por nenhuma das extremidades".

AGLOMERAÇÃO NA CÂMARA DOS DEPUTADOS

Aglomeração maior foi vista na Câmara dos Deputados, onde corredores e plenário ficaram lotados, em um volume de pessoas que tornou inócuos quaisquer cuidados para conter a disseminação do novo coronavírus.
As limitações estabelecidas pela Casa, como restringir a circulação em alguns setores e distribuir urnas pelo prédio, não foram suficientes. Para quem frequentou o local durante a pandemia, a sessão desta segunda foi a que mais se aproximou ao trânsito de pessoas que era visto diariamente, antes da pandemia de Covid-19.
Além do grande número de pessoas, os parlamentares também retiraram as máscaras de proteção ao discursar durante a sessão. 
Na comemoração, dentro do plenário, deputados, aglomerados, acompanharam o discurso do novo presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), e, depois, o levantaram no colo, em uma cena semelhante a outras eleições, quando não havia disseminação do coronavírus. 
Após a vitória, Lira e aliados ainda promoveram uma grande festa de comemoração em uma casa em Brasília. Segundo o jornal "O Estado de S. Paulo", cerca de 300 pessoas estiveram no local, poucos deles utilizando máscaras.

FALTA DA MÁSCARA NO SENADO

No Senado, em que Rodrigo Pacheco (DEM-MG) foi eleito presidente, o rito para a votação foi o mesmo dos outros anos, com os senadores sendo chamados um a um, por ordem da data de fundação do estado e a idade dos senadores – primeiro os mais velhos.
No entanto, parte das urnas foi posicionada fora do plenário, para evitar aglomeração. Uma delas, por exemplo, foi colocada na chapelaria – a entrada subterrânea do Congresso – para que parlamentares do grupo de risco não precisassem entrar no prédio.
O ex-presidente do Senado Davi Alcolumbre (DEM-AP) afirmou, antes da sessão, que 16 senadores votariam nesse local, no formato drive-thru. Os parlamentares chegavam em seus veículos, preenchiam e depositavam a cédula, saindo em seguida, sem entrar no plenário.
Após a vitória, ao discursar, Pacheco retirou a máscara, o que não é aconselhável devido à possibilidade de transmissão do coronavírus.
Durante a sessão, o novo presidente do Senado também utilizou o telefone do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos) para atender uma ligação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O compartilhamento do aparelho também não é recomendado por profissionais das áreas de infectologia e epidemiologia, por conta do alto potencial de contágio por meio da superfície.

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