Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Mesa Diretora e comissões

Após eleição na Assembleia do ES, veja quem perde e quem ganha

Base aliada a Casagrande aumentou espaço na Casa, enquanto Erick Musso conseguiu se reeleger para o terceiro mandato como presidente. Concessões, no entanto, foram feitas

Publicado em 05 de Fevereiro de 2021 às 02:00

Rafael Silva

Publicado em 

05 fev 2021 às 02:00
Governador Renato Casagrande recebe novos membros da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do ES
Governador Renato Casagrande recebe, no Palácio Anchieta, novos membros da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Espírito Santo Crédito: Helio Filho/Secom
Com a bênção do governador Renato Casagrande (PSB), o presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (Republicanos), foi reeleito, na última segunda-feira (1º) para continuar o cargo até fevereiro de 2023. Se, por um lado, Erick vai para o terceiro mandato, Casagrande também conseguiu aumentar o espaço ocupado por governistas nas comissões e na Mesa Diretora da Casa. Em outro canto, os deputados mais críticos ao Palácio Anchieta perderam posições.
O novo desenho da Assembleia após a eleição de segunda-feira, resumido em uma frase, poderia ser: Erick Musso permanece no comando, mas terá que dividir parte deste poder com a base casagrandista. Em analogia feita pelo cientista político João Gualberto Vasconcellos, é como se Erick fosse "sócio majoritário" da presidência e Casagrande o "outro sócio, embora com uma fatia menor".
Isso porque Erick promete colocar em pauta a revogação da resolução que dá a ele "superpoderes" e permite que o presidente promulgue medidas administrativas e políticas na direção da Casa sem precisar das assinaturas de nenhum parlamentar. Se revogada, Erick precisará da assinatura ao menos do 1º ou do 2º secretário, cadeiras agora ocupadas pelo líder do governo, Dary Pagung (PSB), e por Coronel Quintino (PSL), ambos aliados de primeira hora de Casagrande.
O governador conta com deputados com quem tem proximidade em todos os seis cargos da Mesa Diretora e em 13 das 16 comissões temáticas da Casa, que também são disputadas. No biênio anterior, eram cinco casagrandistas na Mesa e 12 comissões sob a presidência de aliados. O grande diferencial era, ou melhor, ainda é até que se revoguem os "superpoderes", o tamanho da caneta de Erick na presidência.
"Foi uma eleição em que não houve um grande vencedor e nem um grande perdedor. Prevaleceu o acordo de paz. Erick conseguiu garantir seu terceiro mandato, aos 33 anos, algo que é bem positivo para ele. O Renato Casagrande foi esperto, virou sócio dessa vitória. Erick continua presidente, mas com menos poderes. Ele não é o presidente tão poderoso como era um ano atrás", afirma João Gualberto.
Embora os dois agora posem caminhando juntos em agendas de governo e troquem elogios, a construção de uma chapa única não era a primeira opção do governo. Ainda em 2020, Quintino chegou a se colocar como possível candidato. Dary também e até recolheu assinaturas para montar uma chapa. Até o deputado Marcelo Santos (Podemos), com bom trânsito entre os deputados de oposição e o governo, foi incluído na bolsa de apostas. No entanto, nenhum dos três se viabilizou.
Na eleição de 2020, o partido de Erick e o de Casagrande ficaram em lados opostos em algumas cidades. Em Vitória, enquanto Erick subiu em trios elétricos ao lado de Lorenzo Pazolini (Republicanos) durante a campanha, membros do governo apoiaram outros candidatos à prefeitura da Capital. No segundo turno, alguns secretários anunciaram voto em João Coser (PT). O governador optou por não apoiar, oficialmente, ninguém, mas a digital do Palácio ficou evidente.
Embora o PSB tenha mantido no Espírito Santo o mesmo número de prefeitos que tinha antes da eleição (13), viu o Republicanos aumentar de sete para dez o número de chefes do Executivo, além de ser vitorioso na prefeitura mais importante politicamente, a de Vitória.
O cientista político Fernando Pignaton avalia que o governador acumulou, de certa forma, duas derrotas. A primeira em 2019, quando Erick Musso manobrou e se reelegeu antecipadamente como presidente, pegando o Palácio Anchieta de surpresa. Após críticas e processos judiciais, a eleição foi cancelada pelo próprio Erick. Mas o placar que o levou a ser reeleito na ocasião foi expressivo: 26 votos a 4.
A segunda derrota mencionada por Pignaton ocorreu na eleição municipal de Vitória, em que ele acredita que houve um esforço político para que Coser vencesse no segundo turno.
"Este é um embate entre as duas principais correntes políticas do Estado. Atualmente, após a eleição da Mesa, eles têm uma relação de respeito. Vejo como uma evolução para o governo. Agora, não dá para saber se será uma aproximação de momento ou se ela será mantida em 2022. Para o eleitor capixaba, ao meu ver, ainda há um clima de comparação entre Casagrande e o ex-governador Paulo Hartung. Para os insatisfeitos com o governador, o Republicanos, com Erick, Amaro Neto e Pazolini, representam a digital hartunguista na política capixaba. Por isso, muitos o veem como uma das alternativas ao governador nas urnas", analisa.

BOLSONARISMO PERDE ESPAÇO NA ASSEMBLEIA

Para o grupo de parlamentares oposicionistas, muitos deles identificados com o discurso do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), – a quem Casagrande tem feito críticas – a eleição na Assembleia significou um rearranjo, num espaço menor. Torino Marques (PSL), que estava na 2ª vice-presidência, deixou a Mesa Diretora e perdeu também a presidência da Comissão de Cultura e Comunicações, que passou para as mãos de Iriny Lopes (PT).
Danilo Bahiense (PSL), que presidia a Comissão de Segurança e Combate ao Crime Organizado, perdeu o posto para Luiz Durão (PDT), que voltou à Assembleia e é de um partido da base casagrandista. Delegado da Polícia Civil, Bahiense tinha na comissão uma importante ferramenta para promover debates entre entidades de policiais e militares, categoria que se tornou um dos pilares do bolsonarismo. Para ele sobrou a Comissão de Proteção à Criança e ao Adolescente e Política sobre Drogas, que era presidida por Pazolini, agora prefeito de Vitória.
"Para Casagrande, essa redução do espaço de seus opositores é positiva, reduz os danos. É uma derrota que o bolsonarismo também teve na eleição municipal, não conseguiram emplacar um nome forte do movimento. Agora, para 2022, é cedo para dizer se a tendência é continuar reduzindo ou se podem ganhar um novo fôlego", completa Pignaton.

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Quer ganhar massa muscular? Veja 10 receitas com peixe ricas em proteínas
Imagem de destaque
Empresário é sequestrado em Cariacica e obrigado a sacar R$ 9 mil em Vila Velha
Trecho será fechado por uma hora para obra de duplicação; operação depende das condições climáticas
BR 101 será interditada nesta quarta (22) para detonação de rochas em Iconha

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados