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Novo mandato

Busca por estabilidade política marca 100 dias de governo Casagrande

Atuação mais ostensiva durante eleição para o comando da Assembleia Legislativa está entre as ações políticas do início da nova gestão

Publicado em 10 de Abril de 2023 às 18:50

Ednalva Andrade

Publicado em 

10 abr 2023 às 18:50
Deputados tomam posse na Assembleia Legislativa do ES
Renato Casagrande (PSB) está à frente do Palácio Anchieta pela terceira vez Crédito: Fernando Madeira
Os primeiros 100 dias do terceiro mandato de Renato Casagrande (PSB) como governador do Espírito Santo, completados nesta segunda-feira (10), tiveram foco maior em questões políticas do que nos dois períodos anteriores em que ele governou o Estado (2011-2014 e 2019-2022). O primeiro mês da gestão foi quase completamente tomado por ações decorrentes dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro, em Brasília, e da atuação mais incisiva de Casagrande na eleição para o comando da Assembleia Legislativa do Espírito Santo.
Uma das principais diferenças citadas por cientistas políticos ouvidos por A Gazeta em relação aos outros mandatos foi a postura adotada por Casagrande na disputa pela presidência da Assembleia, ocorrida no dia 1º de fevereiro. Na ocasião, o socialista apoiou abertamente e articulou a eleição de Marcelo Santos (Podemos) para comandar a Casa.
Considerada uma manobra ousada, já que o mais comum em eleições do Legislativo é que o chefe do Executivo faça apenas o jogo político nos bastidores, desta vez o governador teve um candidato, enquanto outro nome da base aliada se apresentava para a disputa com apoio da oposição, o deputado Vandinho Leite (PSDB). No final, o saldo foi positivo para Casagrande, na avaliação dos cientistas políticos João Gualberto e Fernando Pignaton.
Ambos apontam que esse movimento foi importante para que a gestão atual possa trabalhar com mais tranquilidade ao longo dos próximos dois anos, pelo menos. Isso pôde ser percebido nas votações recentes de matérias enviadas pelo governo, que contaram com apoio até da oposição na maioria dos casos, apesar de o desgaste pós-eleição do Legislativo estadual ter levado o deputado Fabrício Gandini (Cidadania) a deixar a base do governo e a administração estadual ter sofrido a primeira derrota na Assembleia.
Busca por estabilidade política marca 100 dias de governo Casagrande
"As relações com a Assembleia ficaram um pouco mais tensas porque a direita elegeu um grupo importante de deputados. Ele (Casagrande) tem uma oposição mais estridente, mais barulhenta na Assembleia. Essa mudança de comportamento foi produto do posicionamento da oposição. Ele gastou mais capital político, mas obteve um bom resultado, porque Marcelo Santos é aliado do governador", frisa Gualberto.
"O governo teve de se entregar a uma formatação política que garantisse estabilidade, enquanto o eleitor está preocupado com realizações. Mas, se o governo ficasse indiferente na eleição da Assembleia, como em disputas anteriores, estaria contratando uma dificuldade enorme do ponto de vista político", acrescenta Pignaton.
Outro ponto que influenciou na atuação do governo ao longo desses mais de três meses, na visão de Pignaton, foi a ampla aliança feita por Casagrande para conseguir vencer a disputa no segundo turno — algo que não ocorria na disputa para governador do Espírito Santo há 28 anos e considerado um reflexo da disputa polarizada e marcada pelo embate mais ideológico do que em torno de propostas.
"A eleição foi contra a extrema-direita, que estava muito bem articulada no Estado. O governo foi obrigado a se dedicar à pauta política nesse primeiro momento. O tempo começa a contar a partir de agora e ainda não dá para saber como vai ser. Será que essas alianças vão prejudicar as realizações técnicas? É uma pergunta a ser feita", pontua Pignaton.

Mudanças de foco na equipe

Embora a equipe do terceiro mandato de Casagrande à frente do Palácio Anchieta seja composta por muitos nomes que já atuaram nas duas gestões anteriores, João Gualberto chama a atenção para dois elementos da atual composição do secretariado: a incorporação do hartunguismo, com o retorno de nomes como Ênio Bergoli (Agricultura) e André Garcia (Justiça), já que ambos foram da gestão do ex-governador Paulo Hartung (sem partido), com quem Casagrande está rompido desde 2014; e a entrada do vice-governador Ricardo Ferraço (PSDB) como um "supersecretário", à frente da pasta de Desenvolvimento Econômico e principal articulador com o movimento empresarial.
"Ricardo incorpora o setor produtivo de forma muito mais intensa (no governo Casagrande) do que as gestões anteriores. Ele trouxe o grupo político dele para dentro do governo. É um vice-governador empoderado, tem uma aproximação com a centro-direita e lidera o movimento de redesenho do sistema de desenvolvimento que ele está fazendo", aponta Gualberto.
Em relação ao mandato anterior, Pignaton acredita que a principal mudança foi política. "Com isso,  ele contrata condições para poder cumprir as promessas, que não foram poucas. Elas têm um tempo de carência, mas o governador precisa se dedicar agora com muito afinco nas ações de gestão", aponta o cientista político. 

Relação com o governo federal

Além de manter relações estreitas com a grande maioria dos prefeitos, inclusive se reaproximando do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), Casagrande mantém uma boa relação na esfera federal. Nos primeiros três meses de governo, já recebeu três ministros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Espírito Santo, além de ter participado de várias agendas em Brasília com alguns dos principais nomes do atual governo. Nessa lista está o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), com quem discutiu as perdas de ICMS juntamente com outros governadores. 
As agendas de ministros no Espírito Santo começaram em fevereiro, com a presença do ministro dos Portos e Aeroportos, Márcio França (PSB-SP), em sobrevoo e vista às obras do terminal de passageiros do Aeroporto Regional de Linhares. Em março, Casagrande contou com a presença do ministro da  Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes (PDT-AP), no lançamento do Fundo Cidades 2023, e com a vinda de uma comitiva do governo federal liderada pelo ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB-AL), para visitar obras do Contorno do Mestre Álvaro e do complexo de Carapina.
Para os dois cientistas políticos ouvidos por A Gazeta, a relação de Casagrande com o governo federal se fortalece pelo fato de o vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB-SP), ser filiado ao mesmo partido que ele.
Pignaton lembra que Casagrande havia conseguido algum protagonismo nas discussões durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL), atuando na interlocução com o governo federal, já que a relação entre o ex-presidente e outros governadores era mais conflituosa. Agora, com Lula na presidência, as relações ficam "mais republicanas", complementa Gualberto.
"Tanto o governo Casagrande quanto o governo Lula, que sofreu uma tentativa de golpe com 8 dias de gestão — a intentona da extrema-direita — são de excepcionalidade política. Essa intentona tirou muito da normalidade. O próprio governo Lula não teve capacidade de entregar resultados em três, quatro meses. Teve de trocar o pneu com o carro andando. Casagrande tem boas perspectivas na relação com o governo federal, mas não pôde desfrutar muito disso ainda nesses 100 dias por causa dessa situação excepcionalíssima", conclui Pignaton.
Em decorrência dos atos de 8 de janeiro, quando extremistas invadiram as sedes dos três Poderes em Brasília, Casagrande criou um gabinete de crise para coordenar as ações de prevenção, monitoramento e repressão a atos golpistas como os ocorridos em Brasília ou quaisquer atividades que atentem contra o Estado Democrático de Direito. Ele também participou de ato simbólico com outros governadores, o presidente da República, do Supremo Tribunal Federal (STF) e das duas Casas do Congresso Nacional em visita aos palácios destruídos pela ações de vandalismo de bolsonaristas que não aceitavam o resultado das eleições de 2022.

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