Enquanto muita gente conta as moedas para conseguir fechar as contas no final do mês em todo o Brasil, 66 candidatos do Espírito Santo aos mais diferentes cargos em disputa nas eleições 2022 declararam ter dinheiro em espécie, cuja soma ultrapassa R$ 7,4 milhões. Os donos das maiores quantias em espécie – dinheiro vivo no jargão popular – garantiram, no entanto, que não guardam os valores embaixo do colchão.
O levantamento foi feito por A Gazeta com base nos bens declarados pelos candidatos à Justiça Eleitoral. As informações constam do Portal de Dados Abertos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e foram extraídas nesta terça-feira, 16 de agosto.
Dono da maior quantia em espécie declarada à Justiça Eleitoral, o deputado estadual e candidato à reeleição Theodorico Ferraço (PP) afirmou que não tem R$ 990,5 mil em casa. O valor consta no detalhamento de bens do candidato disponível no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como dinheiro em espécie em moeda nacional. Ele declarou patrimônio no total de R$ 6.565.888,51, no qual estão incluídos ainda dois valores em moedas estrangeiras: 35.992,44 e 29.018,50. O tipo de moeda não consta no sistema.
Ferraço assegurou, entretanto, que tem apenas uma reserva em reais em casa, mas não disse o total, e a quantia maior não está mais em suas mãos, pois é decorrente de créditos que obteve a partir da venda de um terreno que possuía há mais de 30 anos.
"Não é moeda em espécie não. São créditos que tenho a receber e está tudo declarado no meu Imposto de Renda. A gente sempre tem alguma coisa em casa, mas não é isso aí tudo não. Quem me dera que eu tivesse isso. O que importa é a declaração que eu fiz à Receita Federal. Isso (que aparece no TSE) é o resumo que eles fazem. Se tem algo que eu levo a sério é o pagamento de Imposto de Renda, coloco o que vendi e o que comprei, tudo", afirmou o candidato.
Quanto ao fato de ter mais de uma moeda estrangeira na declaração à Justiça Eleitoral, Ferraço afirmou que pode ser um equívoco, pois tem apenas 27 mil dólares em espécie que comprou para utilizar em viagens e não gastou. Ele ressaltou que o valor também consta do seu Imposto de Renda.
Com a segunda maior quantia em espécie declarada à Justiça Eleitoral, um total de R$ 830 mil, o deputado estadual Marcos Garcia (PP) afirmou que esse valor também não está inteiramente sob a sua guarda pessoal. Empresário do setor cafeeiro, o candidato a deputado federal declarou patrimônio total de R$ 12.553.865,34 e afirmou que a parte que consta como moeda em espécie também estaria parcialmente em bancos e investimentos.
"Sou empresário e produtor de café, preciso estar preparado se houver uma crise política, uma crise de moeda, uma crise financeira, um evento da natureza. Sempre mantenho reserva porque tenho vários funcionários de carteira assinada. Quando fala em dinheiro em espécie é que está no banco, na poupança ou em alguma aplicação que possa ser resgatada de imediato. Não significa que eu tenho o dinheiro, que está em casa. Já tirei a nota, paguei imposto e recebi esse valor. Além do café, também recebo aluguéis", esclareceu o parlamentar.
Garcia ressaltou que sempre manteve a prática de ter reserva de emergência. Nas eleições de 2020, quando concorreu ao cargo de prefeito de Linhares pelo PV, ele declarou R$ 750.420,00 em espécie à Justiça Eleitoral.
Entre os 66 candidatos que declararam dinheiro em espécie há dois concorrentes ao cargo de governador, dois ao cargo de senador, além de um 1º suplente e um 2º suplente. Os demais disputam vaga na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados. A lista completa pode ser conferida no final do texto.
O candidato ao Senado pelo PRTB, Antonio Bungenstab, informou que os R$ 50 mil em espécie se referem a valores acumulados ao longo dos anos de economias. "Tenho para atender em alguma emergência familiar", afirmou.
DADOS DECLARADOS PELOS CANDIDATOS
Os bens declarados pelos candidatos não são verificados pela Justiça Eleitoral. Cada bem detalhado pelo candidato é encaixado em um tipo, como apartamento, terreno, casa, veículo automotor terrestre, aplicação de renda fixa, benfeitorias, sala ou conjunto, depósito bancário em conta corrente e dinheiro em espécie – moeda estrangeira ou moeda nacional.
Como o patrimônio declarado não é verificado pelo TSE, os valores informados servem apenas de parâmetro para acompanhamento da evolução dos bens dos políticos e de qualquer pessoa que concorra a um cargo eletivo.
A legislação eleitoral também não exige a atualização dos valores dos bens. Por isso, muitos imóveis aparecem no detalhamento de bens dos candidatos com valor muito abaixo do praticado no mercado.