O volume de combustível aprovado pela Câmara da Serra para uso de carros oficiais pelos vereadores seria suficiente para que cada um deles fosse cinco vezes de uma ponta a outra do Espírito Santo em cada mês.
Considerando que um carro de passeio popular percorre cerca de 12 quilômetros com um litro de gasolina, eles conseguiriam rodar 2,4 mil quilômetros em um mês, o equivalente a cinco vezes a distância entre os pontos Norte e Sul do Estado pela BR 101 (cerca de 450 km).
2,4 mil quilômetros
é quanto os vereadores poderão rodar ao todo em um mês
Dos 23 vereadores, 16 votaram favoravelmente ao projeto, seis de abstiveram. O presidente Rodrigo Caldeira (PRTB) não votou porque ele só se manifesta em caso de empate.
A quantidade de combustível aprovada é, contudo, desproporcional à quantidade de veículos que existem hoje na Câmara da Serra. Há atualmente quatro carros, que são usados para serviços legislativos e administrativos.
Em cada um deles cabe cerca de 60 litros e, considerando que são 23 vereadores com disponibilidade de 200 litros cada, seria necessário abastecê-los 76 vezes para que a cota fosse totalmente consumida em um determinado mês, o que significa gastar um tanque cheio por dia útil em todos os quatro carros.
O texto aprovado não diz se serão adquiridos ou alugados novos veículos. Na tribuna da Casa nesta quarta, Caldeira afirmou que essa não é sua intenção.
“Não vamos alugar veículo, nem dar gasolina a vereador. Estamos regulamentando o que temos. Compra de veículo ou aluguel eu não preciso votar, o presidente faz esse processo administrativamente. Eu chamo os funcionários, fazemos cotação de preço e depois fazemos licitação, a empresa de menor valor é ganhadora. Pra que essa mentirada de que estamos comprando veículo, dando gasolina pro vereador?”, disse.
Na última sexta-feira (28), porém, o presidente da Casa havia dito que pretende, no futuro, analisar a possibilidade de ampliar a frota.
“Essa resolução é para os deveres do vereador caso a gente alugue um veículo. Eu não estou dizendo que eu vou alugar. Caso, no futuro, eu vier a alugar o veículo, cada vereador sabe a sua responsabilidade quanto ao veículo. Depois de votado isso, aí eu começo a conversa se é para este ano ou não. Eu nem comecei a fazer tomada de preço ainda, eu só falei para eles [vereadores] que sem essa resolução eu nem olhava valor de veículo”, disse.
REGULAMENTAÇÃO
De acordo com o projeto recém-aprovado, os carros oficiais devem ser utilizados exclusivamente para suporte às atividades parlamentares, sendo proibido o uso para fins particulares dos vereadores.
Eles não podem ser usados para transporte de familiares de servidores, em atividades de lazer ou nos fins de semana e feriados.
Também fica determinado que eventuais multas ou danos ao veículos que ocorram durante o uso são de responsabilidade do vereador.
COMBUSTÍVEIS
Cada parlamentar passa a ter direito a abastecer o veículo oficial com até 200 litros de gasolina por mês, volume não cumulativo. O controle será feito pela Coordenadoria Administrativa da Casa.
Segundo cálculo feito por A Gazeta, caso todos os vereadores consumam integralmente sua cota do mês, serão utilizados 4,6 mil litros mensais. A quantidade multiplicada por R$ 6,70 – o valor médio da gasolina comum na Serra segundo a Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) – resultaria em um custo mensal de R$ 30,8 mil. Anualmente, o impacto seria de R$ 369,84 mil.
Quem desrespeitar qualquer uma das regras pode ficar impedido de usar o veículo oficial por 90 dias.