Cara a cara com o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, o senador capixaba Fabiano Contarato sugeriu que diretores e professores do país filmassem os problemas das escolas públicas. A declaração foi dada nesta terça-feira (26) durante audiência na Comissão de Educação do Senado (veja o vídeo abaixo). O discurso do parlamentar criticava a orientação do Ministério da Educação para que alunos fossem filmados cantando o Hino Nacional sem autorização dos pais.
Na fala, o delegado elogiou a postura da Secretaria de Estado da Educação do Espírito Santo que descartou cumprir a orientação do governo Bolsonaro, que também incluía ler nas escolas o slogan de campanha do presidente: "Brasil acima de tudo" e "Deus acima de todos".
"ME ASSUSTEI"
Logo no começo do vídeo, postado em uma rede social do parlamentar, e que já tem mais de 8 mil compartilhamentos, o senador conta a reação que teve ao ler o texto do ministro. "Eu confesso que ontem, quando eu li o documento de Vossa Excelência, eu me assustei. 'Vamos saudar o Brasil dos novos tempos e celebrar a educação responsável e de qualidade'", disse, citando trecho do comunicado do MEC.
Contarato também afirmou: "Eu tô chegando à triste conclusão que eu acho que o MEC, nesses dois primeiros meses, não sabe o caminho que deve tomar, porque a realidade do Brasil é totalmente diferente".
EXEMPLO DO ES
Sobre a filmagem, citou o exemplo do Espírito Santo. "Me assusta quando eu vejo que deve filmar ou até mesmo falar slogans que, graças a Deus, Vossa Excelência voltou atrás. O meu Estado, aí eu quero parabenizar o Espírito Santo, já disse: 'Não vamos cumprir isso'. E eu espero que todos os Estados da federação não façam isso".
"FILMAR O CAOS QUE ESTÁ A ESCOLA PÚBLICA"
Em seguida, sugeriu a gravação de outro tipo de vídeo. "Agora, eu quero aproveitar a dica do senhor para estimular os diretores de escola e aos professores a filmar o caos que está a escola pública no Brasil. A filmar as estruturas que nós não temos nas escolas públicas do Brasil. A filmar a falta de acessibilidade para as crianças com deficiência física que nós não temos no Brasil. Eu queria convidar os professores a filmar os contracheques deles que eles têm que fazer dupla, tripla carga horária de trabalho, para tentar oferecer um ensino de qualidade".
Ao final do discurso, o senador contou um pouco da sua história. "Eu tenho orgulho de falar que sou filho de motorista de ônibus, que puxou ônibus 40 anos. De uma mulher que é batalhadora, semianalfabeta, mas que criou seis filhos. Agora a preocupação do Ministério de Educação e Cultura é filmar se o aluno está cantando Hino e declamar o slogan de... não tem como".
VEJA O VÍDEO
O OUTRO LADO
Presente na audiência, o ministro não comentou o desabafo do senador. Em outro momento, admitiu o erro. "Cantar o Hino Nacional não é constrangimento, é a amor à pátria. Slogan de campanha foi um erro, já tirei, reconheci. Foi um engano. Tirei imediatamente. Quanto à filmagem, só será divulgada com autorização da família".