A Corregedoria da Câmara de Vitória admitiu a abertura de representação contra mais um vereador. Em reunião extraordinária realizada nesta quinta-feira (27), o corregedor-geral da Câmara de Vitória, Leonardo Monjardim (Patriota), apresentou parecer favorável à abertura de processo ético-disciplinar contra o vereador Chico Hosken (Podemos) para apurar quebra de decoro parlamentar.
O caso tem fatos relacionados ao processo que tramita na Corregedoria da Casa contra o vereador afastado e preso Armandinho Fontoura (Podemos), de quem Hosken assumiu a vaga por ser o primeiro suplente do partido, em janeiro deste ano. Armandinho está preso desde 15 de dezembro, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de atuar em milícia digital.
A representação contra Hosken foi protocolada na Câmara de Vitória por Ederson Silva Pereira, o Neno Bahia (Podemos), que é o segundo suplente do partido. No documento, ele acusa Hosken de ter induzido o empresário Sandro Luiz da Rocha, por intermédio do seu assessor Washington Gomes Bermudes, a assinar um documento que, posteriormente, se tornou uma representação por quebra de decoro parlamentar contra Armandinho.
Corregedoria da Câmara de Vitória abre processo contra mais um vereador
Em seu parecer, o corregedor-geral afirmou que os fatos narrados na representação contra Hosken são graves e preenchem os requisitos do Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Vitória.
"A exposição dos fatos é suficiente para caracterizar, em tese, a suposta ocorrência de fatos graves aptos a serem apurados por esta Corregedoria, uma vez que o Sr. Washington Gomes Bermudes poderia ter agido sob ordens do vereador representado. Desta forma, resta preenchido o requisito de identificação do vereador e dos fatos imputados, conforme determinado no inciso II do artigo 27 do Código de Ética e Decoro Parlamentar", afirma Monjardim.
O terceiro requisito previsto na legislação é de que os fatos imputados tenham ocorrido durante o mandato do parlamentar. Como a representação contra Armandinho foi protocolada em março deste ano e Hosken assumiu o mandato em janeiro último, o corregedor-geral considerou essa exigência também preenchida.
O corregedor-geral mencionou ainda que, durante depoimento prestado à corregedoria na quarta-feira (26), Sandro Rocha afirmou que Washington Bermudes lhe entregou um documento para assinatura, o qual acreditava se tratar de uma audiência pública, mas "foi surpreendido com a notícia que o mesmo figurava como autor de uma representação em face do vereador Armando Fontoura".
Após a admissão da representação contra Hosken, uma nova reunião da Corregedoria foi convocada para a próxima terça-feira (2), quando deverá ser sorteado o relator do caso. O corregedor-geral informou que vai consultar a Procuradoria da Câmara sobre o questionamento feito durante a reunião realizada nesta quinta-feira (27) de distribuição do caso à vereadora Karla Coser (PT), que foi sorteada para relatar o processo contra Armandinho.
"A discussão que se deu foi sobre a relatoria por prevenção à vereadora Karla Coser. Acho que vamos seguir o rito natural e fazer sorteio. Se no meio do processo a gente identificar a correlação direta entre os dois processos, pode ser que haja alguma nova decisão. Não podemos nos antecipar porque a gente não sabe o que vai acontecer. Às vezes, um depoimento, uma prova apresentada, pode mudar tudo
"
Além de Monjardim e Karla Coser, a Corregedoria da Câmara de Vitória tem como membros os vereadores Davi Esmael (PSD), André Brandino (PSC) e Luiz Emanuel (sem partido).
O vereador Chico Hosken foi procurado para comentar a decisão da Corregedoria da Câmara, mas não atendeu às ligações e nem deu retorno às mensagens enviadas pela reportagem de A Gazeta até o momento. A reportagem também tentou contato com o assessor Washington Gomes Bermudes, mas não foi atendida. Caso haja retorno de alguma das partes, este texto será atualizado.