Os novos dados não significam que os quilombolas não votavam anteriormente. O que mudou é que desde novembro de 2022 pessoas desse grupo podem informar sua comunidade e língua na Justiça Eleitoral durante a atualização e cadastro do título de eleitor, possibilitando que as informações sejam computadas pelo TSE.
Ao todo, são mais de 15,6 mil quilombolas em 11 territórios tradicionais oficialmente demarcados em solo capixaba, distribuídos em 26 municípios do Espírito Santo. Os quilombolas representam 0,05% do eleitorado capixaba, sendo que a maioria dos eleitores das comunidades quilombolas têm entre 35 e 39 anos.
Quem reconhece a importância dessa representação é Jamile Vicente, da comunidade quilombola de São Pedro, em Ibiraçu. Ela notou que muitos jovens preferem votar apenas na idade obrigatória, mas ressalta que voto deles é essencial para cidadania e melhorar a qualidade de vida na comunidade.
“Devido ao preconceito histórico, os governantes costumam dar prioridade às áreas urbanas, se esquecendo dos quilombos. A falta de investimento na comunidade, de saneamento básico, de educação de qualidade atinge nossas comunidades, que ainda sem garantia de defesa do nosso território. Por isso o voto é tão importante, nós como quilombolas podemos escolher quem nos represente e defenda nossas lutas.”, observa Domingos.
Os eleitores podem informar, além dos dados pessoais, outros dados como identidade de gênero - cisgênero e transgênero -, raça, cor, e etnia - como quilombola e indígena. Outra novidade é que a pessoa poderá informar se é intérprete de Libras para poder auxiliar pessoas com deficiência auditiva no dia da eleição.
O TSE ressalta que a qualificação do cadastro eleitoral com esses novos dados biográficos é um processo gradual, pois depende, em regra, da iniciativa de pessoas que realizam alguma operação eleitoral.