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Eleições 2026

Das 201 candidatas no ES, apenas 8 foram eleitas

Mulheres vão ocupar 18,6% das cadeiras disputadas neste pleito; apenas 4% das candidatas tiveram sucesso nas urnas no Estado

Publicado em 05 de Outubro de 2026 às 17:32

Julia Camim

Publicado em 

05 out 2026 às 17:32
No primeiro turno das Eleições 2026, das 201 candidatas no Espírito Santo, apenas oito se elegeram, sendo seis para a Assembleia Legislativa (Ales) e duas para a Câmara dos Deputados. Isso significa que o sucesso das candidaturas femininas, que representaram 34,01% do total de 591 concorrentes no Estado, corresponde a pouco menos de 4%.

Considerando as 43 vagas em disputa (dez de deputados federais, 30 de deputados estaduais, duas de senadores e uma de governador), as mulheres conquistaram 18,6% das cadeiras, sendo que metade delas se reelegeu: Jack Rocha (PT), deputada federal; e as deputadas estaduais Camila Valadão (Psol), Janete de Sá (PSB) e Raquel Lessa (PP).


Já a entrada de Manu (PSB) na Câmara Federal e a chegada de Açucena (PT), Jeesala Coutinho (MDB) e Karla Coser (PT) na Ales ampliam a presença feminina nas duas Casas Legislativas. 


A ampliação se dá porque o número de eleitas neste pleito é maior do que o de 2022, quando foram realizadas as últimas eleições gerais. Naquele ano, em que as candidaturas somaram 268, foram cinco vencedoras (1,9% das candidatas obteve sucesso), sendo quatro para a Ales — além das reeleitas, Iriny Lopes (PT) — e apenas uma para a Câmara Federal — Jack Rocha. 


Há quatro anos, em relação às 42 vagas disputadas naquele pleito (era apenas uma para o Senado), as mulheres ocuparam 11,9% das cadeiras.


"O percentual de mulheres eleitas reflete toda a estrutura de poder existente no Brasil, que é representada pelas figuras masculinas, brancas e geralmente de classe abastada", aponta Tanya Mayara Kruger, doutoranda em História pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).


"Contudo, vale frisar que, apesar de esse número ainda ser ínfimo, é de extrema representatividade, porque no Espírito Santo, nas últimas duas eleições, nós não conseguimos eleger mais do que quatro mulheres", afirma.


Assim como em 2022, neste ano nenhuma mulher foi eleita senadora ou governadora do Estado. Para as duas cadeiras disputadas no Senado, havia duas candidatas, Maguinha Malta (PL) e Rose de Freitas (MDB), mas nenhuma se elegeu. Já para o governo do Estado, não houve candidaturas femininas registradas.


Outras três candidatas disputaram a vice-governadoria: Professora Valdirene (PT), com Helder Salomão (PT); Dionary Sarmento (UP), com Rafael Demuner (UP); e Eliane Leal (PL), com Lorenzo Pazolini (Republicanos). Esta última ainda tem chance de se eleger, caso o ex-prefeito de Vitória vença o segundo turno das eleições, em 25 de outubro, quando disputará o cargo contra Ricardo Ferraço (MDB).

Foram eleitas para a Câmara dos Deputados: 


  • Jack Rocha (PT) - reeleita com 142.187 votos
  • Manu (PSB) - eleita com 69.398 votos


E para a Ales:


  • Açucena (PT) - eleita com 35.988 votos
  • Camila Valadão (PSol) - reeleita com 61.501 votos
  • Janete de Sá (PSB) - reeleita com 32.033 votos
  • Jeesala Coutinho (MDB) - eleita com 26.734 votos
  • Karla Coser (PT) - eleita com 51.306 votos
  • Raquel Lessa (PP) - reeleita com 29.583 votos

Para a Ales, esta eleição representa a de maior vitória feminina da história capixaba, superando o recorde de 2002, quando cinco mulheres foram eleitas deputadas estaduais. Naquele pleito, ocuparam cadeiras Brice Bragato (PT), Fátima Couzi (antigo PPB), Janete de Sá (PSB), Mariazinha Vellozo Lucas (PSDB) e Sueli Vidigal (PDT).


Considerando os nomes da nova legislatura estadual, Tanya Kruger acredita que o ganho foi "imenso" em termos de representação substantiva. "Quando nós fazemos um balanço historiográfico da Ales, nunca houve tantas mulheres progressistas eleitas com pautas que defendem o direito das mulheres como nesta eleição."


Já na Câmara dos Deputados, a representação feminina já foi maior: em 2006 e em 2010, quatro mulheres entraram na Casa. 


Por outro lado, a falta de mulheres eleitas para o Senado não é novidade: Rose de Freitas é, até hoje, a única mulher no Espírito Santo que já foi eleita para a Casa Alta. Em todas as outras eleições, apenas homens foram escolhidos.

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