Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

  • Início
  • Capixaba
  • Política
  • "Defendemos uma aliança entre centro-esquerda e centro-direita para a Presidência em 2022"
Image
Renato Casagrande
"Defendemos uma aliança entre centro-esquerda e centro-direita para a Presidência em 2022"
Governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB) fala em pacto entre partidos contra Bolsonaro numa fase de transição até 2026. PT não participaria

Rafael Silva

Repórter de Política

rfreitas@redegazeta.com.br

Publicado em 23 de Dezembro de 2020 às 20:26

Publicado em

23 dez 2020 às 20:26
Mergulhado em reuniões ora com especialistas de saúde, ora com entidades comerciais, enquanto observa diariamente a média móvel de casos e óbitos por Covid-19, o governador Renato Casagrande (PSB) também já tem suas preocupações em relação à eleição de 2022. No entanto, segundo ele, o que o tira o sono não é sua própria reeleição – diz que nem sabe se vai mesmo disputar –, mas sim a eleição presidencial.
Casagrande tem conversado com lideranças nacionais. Recebeu em dezembro o presidente da CâmaraRodrigo Maia (DEM), no Palácio Anchieta; já conversou com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e com o presidente do PSB, Carlos Siqueira. Nessas conversas, eles têm debatido uma aliança ampla, com partidos de centro-direita e centro-esquerda, para fazer frente a Bolsonaro em 2022.
Segundo ele, a proposta é unir partidos que, mesmo que tenham posições diferentes quanto à área econômica, tenham compromisso com a proteção das instituições democráticas. Casagrande cita as ameaças ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Congresso Nacional e clama por uma união de partidos com prazo de validade. O argumento é que essa aliança seja uma transição e, se um candidato desse grupo for eleito, que fique até 2026, com os partidos, após esse governo transitório, voltando aos seus nichos ideológicos e dando início a um "novo ciclo" na política.
Em entrevista para A Gazeta, na Residência Oficial, na Praia da Costa, Casagrande também falou das dificuldades que teve nos dois primeiros anos de governo. Cita as conquistas de 2019, com o recebimento de prêmios e a criação de fundos para o Estado, mas lembra de 2020 (assim como boa parte do mundo) como um ano de crises, iniciadas com tragédias como a chuva intensa que causou estragos em 25 cidades do Sul do Estado e, a partir de março, as mortes e impactos da pandemia de Covid-19.
Nesta conversa, Casagrande também fala sobre os projetos para a segunda metade de seu mandato, agenda as entregas de obras importantes como os píeres do sistema aquaviário, o BRT e o Portal do Príncipe; projeta uma nova relação com a burocracia pública com a realização de 100% da emissão de documentos via digital a partir de 2021; e cita o desafio que será pensar a Segurança Pública em um cenário de empobrecimento e, consequentemente, o aumento da violência.

VEJA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA

O senhor completa dois anos de governo neste segundo mandato e em meio a uma pandemia sem precedentes. Qual avaliação faz desse período? O que avalia como positivo e o que poderia ter feito diferente?

Os dois primeiros anos eu considero que tiveram resultados positivos, mesmo que 2020 tendo sido quase totalmente direcionado à pandemia. Em 2019, conquistamos títulos importantes para o Espírito Santo, como o melhor ensino médio do Brasil, menor mortalidade infantil do Brasil, segunda maior longevidade e mantivemos desde 2012 a nota A na gestão fiscal. Conseguimos também criar o Fundo Soberano, que é abastecido com recursos da receita corrente líquida, que mostra responsabilidade com o futuro. Teve ainda o fundo de infraestrutura, que recebe os recursos extraordinários que recebemos, o que nos permitiu manter a capacidade de investimento. Já 2020 foi um ano de crise. Primeiro com as chuvas intensas que causaram estragos em 25 municípios do Sul. Tivemos que reconstruir estradas e pontes. E nos últimos meses temos nos dedicado à gestão da pandemia, sendo reconhecidos como a melhor gestão da pandemia, com transparência nas compras emergenciais. E além de enfrentar, abrindo leitos, conseguimos conviver com a pandemia, criando a matriz de risco que permite ir classificando as atividades econômicas e não restringisse elas totalmente.

O senhor avalia que errou em algum momento nas ações de combate à pandemia? Houve uma pressão muito grande, por exemplo, para reabertura do comércio, bares e restaurantes. Acredita que foi o momento mais adequado?

De fato foi um momento difícil para as decisões de governo, me orientei pelas evidências científicas e mantive um diálogo permanente com as entidades. Vivemos uma crise mundial, mas querem responsabilizar um governante por ter tomado medidas de restrição. Nós vimos cidades turísticas e históricas como Roma ser fechada, a Torre Eiffel ser fechada, assim como a Disney, por exemplo. Quem quer trazer para cá uma crise, é porque tem outros interesses eleitorais ou por alguma razão não gosta do nosso governo, mas o interesse não é em contornar a pandemia. A gente tem que entender isso, que faz parte da democracia. 

Para 2021, avalia uma mudança de rumos? O secretário de Saúde, Nésio Fernandes, disse que, para as próximas oito semanas, não há previsão de queda do número de casos e mortes por Covid. Não é a hora de tomar medidas mais restritivas? Contar com o bom senso das pessoas é suficiente?

A gente está desenvolvendo medidas de restrição com um nível de conhecimento maior. Achamos que a atividade do comércio pode ter um ambiente totalmente controlado. Não há de nossa parte a necessidade de fazer restrição total a ambiente que tem controle, onde o dono, funcionários e clientes cumprem os protocolos que nós determinamos, de uso de máscara, de higiene e de não aglomeração. Se isso for seguido, a atividade econômica ligada ao comércio, indústria e serviço podem permanecer abertas sem ações radicais. Agora em ambiente que não tem controle, onde pessoas não usam máscaras, como shows, por exemplo, lugares onde tem bebida, onde as pessoas se concentram para dançar ou ouvir música, a gente entende as dificuldades deste setor, mas esses locais precisam de mais restrições.
Entrevista com o governador do Espírito Santo Renato Casagrande (PSB) na residência oficinal, Praia da Costa, Vila Velha
Entrevista com o governador do Espírito Santo Renato Casagrande (PSB) na residência oficinal, Praia da Costa, Vila Velha Crédito: Vitor Jubini

Os municípios assumiram o compromisso de fiscalizar se as medidas que o governo estadual decreta estão sendo cumpridas. Contudo, continuamos vendo bares lotados e eventos acontecendo com aglomerações. Como o senhor avalia a fiscalização até aqui?

Os bombeiros e os policiais militares também estão acompanhando os municípios nesse trabalho. Essa será uma conversa que terei com os prefeitos eleitos. Vamos precisar muito do apoio dos municípios para diminuir a taxa de transmissão. .
"Estamos em uma época de Natal, Ano-Novo e verão, em que as pessoas se encontram e confraternizam, aglomeram e fazem festas. Se adotarmos as mesmas práticas que adotamos nos verões passados, vamos ter um período triste de muitas internações e muitos óbitos. As vacinas não chegarão a tempo de vacinar todo mundo"
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ - ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

Na prestação de contas na Assembleia, há algumas semanas, o senhor falou em início da vacinação do Estado em abril ou março. Depois disso, o senhor se reuniu com o governo federal. Há uma nova previsão para a chegada da vacina?

Estive com o presidente da República e com o ministro da Saúde e é possível que as vacinas possam chegar até o final de fevereiro, na segunda quinzena de fevereiro. Em um número pequeno, em uma quantidade pequena, mas é possível que chegue e a gente possa vacinar profissionais da saúde e pessoas de mais idade, acima de 80 anos. A decisão tomada pelo governo é de considerar todas as vacinas liberadas pela Anvisa, era o pleito que os governadores estavam pedindo e eles acataram. Ultrapassamos com isso uma barreira ideológica que estava limitando a atuação do governo federal. Isso permitirá que tenhamos a vacina do Instituto Butantan, que pode produzir até 30 milhões de doses por mês.

A Assembleia aprovou uma lei que permite que o Estado compre vacinas aprovadas por instituições reguladoras internacionais, ainda que a Anvisa não tenha liberado por aqui. O senhor avalia comprar vacina usando essa lei?

Sim, pretendo. Assim que houver disponibilidade de vacinas. Se o número de vacinas compradas pelo governo não for suficiente para vacinar todos os capixabas e eu tiver uma oportunidade de adquirir vacinas, vou adquirir. O Estado tem capacidade para comprar. O que acontece é que toda produção de laboratório está comprometida com planos nacionais, seja no Brasil ou em outros países, a prioridade é a venda para governos centrais. Que está correto. No decorrer de 2021, se verificarmos que exista a possibilidade de comprar vacinas para agilizar a vacinação, o Estado vai comprar.

Mas o Estado já está em processo de entrar em algum tipo de fila para garantir essa compra?

Não, ainda não. Estamos em contato com diversos laboratórios, mas todos estão comprometidos com os planos dos países.

PROMESSAS 

Data: 26/11/2019 - ES - Vitória - Ônibus do sistema Transcol
BRT: "Teremos BRT, mas sem grandes obras, em um conceito mais voltado para a sinalização" Crédito: Carlos Alberto Silva

O senhor tinha se comprometido a implementar o BRT na Grande Vitória até 2022. Essa ainda é uma possibilidade ou com a pandemia e as mudanças na arrecadação virou algo mais difícil de se realizar?

O BRT depende muito das parcerias com os municípios. Acompanhamos a implantação da Linha Verde em Vitória, apoiamos e queremos que ela possa se estender em Vitória e outros municípios. Não mais em um conceito de BRT com grandes obras de infraestrutura, mas em um conceito de sinalização, para que a gente possa ter faixas exclusivas. Mas depende dos prefeitos eleitos, em uma conversa que ainda vamos ter. Sem grandes investimentos e sim com sinalização para faixas exclusivas do transporte público. Nossa prioridade é o transporte público. Quando inauguramos a Leitão da Silva, a ideia era ter uma faixa exclusiva que ligasse da Reta do Aeroporto até o Centro de Vitória, dando velocidade para o transporte público.

Desde 1995, quando foi criada a Região Metropolitana da Grande Vitória, muito se fala sobre a integração entre os municípios, mas poucos projetos saíram do papel. No discurso, os eleitos se mostram favoráveis a isso. Este é um movimento que o senhor pretende liderar?

O Estado faz boa parte das obras de mobilidade na Grande Vitória, como o Portal do Príncipe; o Viaduto de Carapina, que estamos contratando agora; já contratamos a ampliação da Terceira Ponte; e tem a conclusão da Leitão da Silva. Temos três grandes projetos que terão efeitos em toda região metropolitana. Mas tenho total interesse de conversar com os prefeitos para que isso funcione. É preciso de decisão política, mas é preciso de um pouco de recurso. Podemos definir projetos de mobilidade para o futuro, já considerando esses dos próximos anos. Acho que é preciso pensar em projetos mais robustos para a região metropolitana. Temos um conselho formado, com legislação, é um assunto para tratar com os prefeitos.

Uma das obras aguardadas é o aquaviário, que o senhor tinha previsto para ser entregue em 2021. Ainda é possível manter essa data?

Continua nessa programação. Estamos perto de publicar o edital para a construção dos píeres para os barcos atracarem. Deve ser lançado nos próximos dias, talvez ainda esse ano, talvez nos primeiros dias de 2021. Vamos colocar o aquaviário para funcionar, contratada a obra, faremos a chamada pública para saber qual a empresa que tem barco e quer operar. Estes dois projetos caminharão paralelamente. Será em 2021 que ele entrará em operação, certamente no segundo semestre, mais para o final do ano.

Uma das promessas que o senhor havia feito era o de realizar um concurso para professores. Será possível manter essa promessa, mesmo com o acordo de socorro aos Estados e municípios, que congelou a abertura de vagas?

Vamos fazer em 2021. Temos vagas abertas que estão sendo ocupadas pelos DTs. Não posso é abrir novas vagas. Fazer concurso para ocupar vagas existentes é permitido.

O senhor então pretende diminuir o número de DTs e aumentar o de efetivos?

O normal é esse. Temos mais de 50% de DTs no Estado hoje, na Educação. É bom que a gente mantenha sempre concursos rotineiros. É bom continuar com os DTs, eles são importantes para o nosso funcionamento, para nos dar flexibilidade, mas ao mesmo tempo que não caia muito o número de efetivos. 
"Vamos fazer o concurso para professores em 2021. A gente ia fazer em 2020, mas esse ambiente de pandemia dificulta, porque precisa fazer prova, ter um local. Nós precisamos ter vacina para essas atividades. Vamos publicar edital e esperar o momento que a gente possa fazer"
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ - ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Entrevista com o governador do Espírito Santo Renato Casagrande (PSB) na residência oficinal, Praia da Costa, Vila Velha
Reajuste dos militares: "Estamos cumprindo o que foi aprovado antes da lei" Crédito: Vitor Jubini

O senhor disse em 2018 que o BME e a Rotam, unidades especializadas da Polícia Militar, voltariam no seu governo. Há previsão de retorno para 2021?

Sim, volta em 2021. O BME com certeza retornaremos com ele em 2021. Estamos reformando a sede da Cimesp, da companhia, e lá será a sede do batalhão, lá em Cariacica, na região de Jardim América. A Rotam estamos dependendo de efetivo. Se não der em 2021, mantenho meu compromisso de retornar com a Rotam em 2022.

Há a questão do reajuste anual dos militares. A categoria entende que o reajuste anual estava dentro do acordo firmado em março e, por isso, acredita que ele prevalece sobre a obrigatoriedade do congelamento de salários, imposta por lei federal. O senhor dará esse reajuste?

Não posso dar reajuste. O Congresso Nacional proíbe qualquer reposição salarial em 2020 e 2021. Eu só poderei fazer isso em 2022, não tenho como fazer antes. Nossa procuradoria é muito afirmativa. Estamos cumprindo o que foi aprovado antes da lei.

Mas aí por não poder, o senhor pretende, por exemplo, dar esse reajuste em 2022 com retroativo?

Não dá para dizer isso ainda. Vai depender muito das condições econômicas. Tenho compromisso com as forças de segurança do Estado. Como estou proibido agora, vamos analisar as condições de 2022.
"Teremos um desafio grande na Segurança Pública. Em 2019 tivemos um bom desempenho, reduzindo índices, mas este ano eles voltaram a subir. O empobrecimento das famílias por conta dos impactos da Covid na economia aumenta a violência, fortalece os grupos criminosos, que passam a se enfrentar mais. Será um desafio"
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ - ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

O NOVO CENÁRIO POLÍTICO APÓS AS ELEIÇÕES

Eleições de 2020 mexeram nas estratégias dos partidos para 2022
Eleições de 2020 mexeram no tabuleiro político do Espírito Santo Crédito: Arquivo A Gazeta

O PSB elegeu 13 prefeitos nas eleições, é o partido com mais prefeitos, mas, com exceção de Cachoeiro de Itapemirim, não elegeu nas grandes cidades. Por outro lado, o grupo do Republicanos, formado por Erick Musso, Amaro Neto, Roberto Carneiro e agora por Lorenzo Pazolini cresceu e tem agora o prefeito da capital. Qual a relação que o senhor tem com eles? Os considera uma ameaça para o seu grupo em 2022?

A relação é boa. Boa com Erick, presidente da Assembleia; boa com Amaro, deputado federal; Pazolini nós não tínhamos relação, ele era um deputado crítico ao governo, respeitoso, mas crítico, se elegeu prefeito e já esteve comigo. A depender do governo do Estado, nós trabalharemos juntos. Ele reafirmou seu interesse em trabalhar juntos. Agora, o futuro cada um tem direito legítimo de ter seus projetos. Não vão ser os interesses de 2022 que vão me afastar desses grupos. Acho legítimo qualquer movimento que façam para 2022. 
"Eu, sinceramente, não sei se serei candidato a alguma coisa em 2022, está muito longe ainda, mas respeito qualquer interesse. Manterei com o Republicanos e demais partidos uma relação produtiva e boa"
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ - ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

A candidatura do senhor à reeleição não é algo definido ainda?

Não, está muito cedo ainda para cravar qualquer projeto para 2022. O que eu sei é que coordenarei um movimento político em 2022 para governador. Se serei candidato ou não, aí é outra história. Esse movimento político vai ter candidato a governador, a senador, vai ter chapas de estadual e federal. É uma tarefa minha, como governador eu tenho muitas pessoas que dependem dessa coordenação minha e eu não deixarei elas sem um projeto.

Esse movimento que o senhor diz é para além do PSB, certo?

Sim, para todos os meus aliados, tenho um leque amplo de pessoas que me ajudam no governo, na Assembleia e na sociedade para bem além do PSB. O partido teve um bom desempenho, foi o que mais elegeu prefeitos e vereadores. Tô feliz com o resultado. Não participei diretamente das campanhas porque quem é governador tem como prioridade proteger o governo, mantendo capacidade de relacionamento com todo mundo. Quando se expõe muito, você tem uma dificuldade de construir rápido uma relação com quem se elege quando é uma pessoa que você não apoiou. Nosso governo hoje tem convênios em todos 78 municípios. Modéstia à parte, nosso governo é uma gestão que tem responsabilidade fiscal, mas sabe aplicar recursos. Não adianta só juntar dinheiro. Temos responsabilidade, mas temos buscado resultados.

O prefeito eleito da Capital, Lorenzo Pazolini, esteve com nomes ligados ao ex-governador Paulo Hartung, um adversário político seu. O senhor o vê como um aliado de Hartung? Isso pode atrapalhar essa relação?

A composição de governo é da responsabilidade do prefeito eleito. O que ele decidir terá todo o meu respeito. Quem quer que ele coloque no governo, se ele tiver uma posição de parceria com o governo do Estado, nos resultados, isso não afetará minha postura.

Teremos em breve a eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa. Ela foi antecipada em 2019, acabou surpreendendo a base do senhor e criou uma tensão com esse grupo do Republicanos. O senhor pretende intervir de alguma forma, conversar com a base?

Quem tem me procurado tenho pedido para deixar para janeiro esse assunto. Estou te atendendo, mas estou com minha agenda cheia e preocupado com o combate à pandemia. Em janeiro, vou ouvir os deputados que têm relação comigo para eu formar uma convicção de como vai ser a Mesa Diretora no dia 1º de fevereiro, mantendo o respeito ao Poder Legislativo e à independência que ele tem. Quero manter o que temos hoje, que é uma relação de muita parceria. Já falei com o próprio presidente Erick, com outros parlamentares; com o líder de governo, Dary Pagung (PSB); com o vice-presidente, Marcelo Santos (Podemos); e alguns outros. Quero ouvir a palavra deles para ver qual caminho a gente segue.

O senhor acha importante, por exemplo, ter um candidato à presidência da base do senhor?

Acho que nós temos que ter.
"A minha base na Assembleia é majoritária e ela se organizará para isso (ter candidato à presidência), para que a Mesa Diretora tenha relação com o governo, com independência é claro, mas com o diálogo que nós temos hoje"
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ - ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

No meio político é esperada uma reforma no secretariado do senhor. Alguns nomes que estão deixando as prefeituras agora, terminando seus mandatos, são cogitados para assumir algumas pastas e outros cargos. Isso é uma definição? O senhor já tem em mente como vai ser essa reforma?

Eu não gosto de marcar data para reforma de secretariado, eu gosto de fazer na medida que vai havendo necessidade. Já fiz mudanças de secretário nesses dois anos e farei sempre que for preciso. Neste momento, acho que é hora, sim, de a gente avaliar o desempenho de cada pasta, como foi nesses dois anos, independentemente ou não de terem saído pessoas das prefeituras, ver onde tem que ter uma mudança. Mas não tem data para isso e nem tem demanda de prefeitos em final de mandato para entrar no governo. Não temos interesse nisso, em recompor uma equipe, que não seja para ter mais eficiência.

POLÍTICA NACIONAL E AS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

Entrevista com o governador do Espírito Santo Renato Casagrande (PSB) na residência oficinal, Praia da Costa, Vila Velha
Governador quer frente ampla entre centro-direita e centro-esquerda para retomar a segurança para com as instituições Crédito: Vitor Jubini

Tem se debatido no cenário nacional uma frente progressista de partidos de centro esquerda, fala-se muito do PSB, do PDT, do PCdoB, do PT e há quem comente até uma aproximação com Luciano Huck. Como o senhor vê essa aproximação? Pelo que o senhor observa, é possível esses partidos se unirem em uma única candidatura em 2022?

Sou defensor, tenho feito isso publicamente, de uma aliança entre os partidos democráticos, que respeitam as instituições, para a gente preservar e proteger as instituições públicas e democráticas. Nós tivemos ameaças ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao Congresso Nacional por segmentos da sociedade e é preciso que a gente tenha uma posição clara. Tirando de todos os espectros ideológicos uma posição única em torno da defesa da democracia. Sou defensor de um movimento amplo. Temos como certeza que Bolsonaro será candidato à reeleição e sabemos que o PT terá um candidato à Presidência da República. Nós defendemos uma aliança ampla, que envolva partidos de centro-esquerda e centro-direita em uma candidatura única, para um período de transição. A ideia é ter um conjunto de partidos e um representante que seja defensor de um projeto nacional, respeitoso com as instituições, que consolide e retome as políticas de direitos humanos e preservação do meio ambiente, de enfrentamento às desigualdades sociais e que esse seja um movimento transitório, que vai levar para o segundo turno um projeto que seja de 2022 até 2026, e que a partir daí os partidos voltem para os seus nichos naturais e ideológicos. 
"Neste momento, em que a gente está vivendo uma política de intolerância, eu defendo esse movimento. Que envolva o PSB, o PDT, o Rede, o PV, o DEM, o PSDB, o MDB, o Cidadania e outros. Se o Republicanos, em nível nacional, quiser estar neste movimento, se o PP quiser estar também. Acho que nós temos certeza que precisamos de uma candidatura robusta"
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ - ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

O senhor então não vê o PT nesse movimento...

Não, porque eles já têm uma decisão de ter uma candidatura. O que nós propomos é uma aliança mais ampla. Se o PT quiser participar, tudo bem. Mas o que a gente ouve e conversa com lideranças do PT é que eles terão uma candidatura em qualquer hipótese. Uma candidatura do PT não permite que a gente faça uma aliança mais ampla.

Essa defesa que o senhor faz é o que pretende o PSB ou já há uma construção nacional dessa aliança?

É algo que eu penso e tenho conversado com o presidente (do PSB) Carlos Siqueira, tenho conversado com outros líderes, já conversei com Rodrigo Maia, conversei com o Doria, conversei com outros partidos. Não é uma posição do partido, é a minha opinião que eu tenho discutido para dentro do partido. Acho que 2022 nós não podemos disputando eleição dentro dos nossos nichos ideológicos, ou teremos dificuldade de ir para o segundo turno.

Pelo o que o senhor diz, seria como um projeto com data de validade definida, até 2026, e daí em diante cada partido retomar seus projetos, é isso?

Isso. Nós estamos vivendo a transição da política. Chegamos ao fim de um ciclo. Para passar para um outro ciclo da política é preciso fazer essa transição. Eu proponho uma transição de partidos que pensam diferente na área econômica, por exemplo, mas que tenham sintonia na defesa da democracia, no enfrentamento à pobreza, na proteção do meio ambiente e outros temas que estão marginalizados da política nacional.

O senhor tem feito críticas ao presidente Jair Bolsonaro e seu partido é oposição ao governo. O senhor acredita que ele chega até o fim de seu governo?

Termina. Faço críticas à postura dele, mas tenho respeito ao presidente, ele tem base de apoio na sociedade. Não tenho nenhuma dúvida que ele termine o mandato e que será candidato à reeleição, de forma competitiva. Faço críticas, mas o respeito e dialogo bem com ele e com os ministros do governo dele. Uma relação institucional e respeitosa, que eu quero manter.

A Gazeta integra o

Saiba mais
Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

© 1996 - 2020 A Gazeta. Todos os direitos reservados