Para chegar às eleições municipais de 2024 com mais chances de vitória, os partidos precisam se planejar com antecedência. Por isso, a um ano das definições das candidaturas e do início da campanha eleitoral, A Gazeta ouviu os dirigentes dos maiores partidos no Espírito Santo para saber como as siglas estão se preparando para a disputa e o que esperam obter de resultado.
Com base nessas entrevistas, nas informações de lideranças municipais e de nomes cotados, a partir desta terça-feira (1º) e ao longo de todo o mês de agosto, A Gazeta vai apresentar um panorama do cenário eleitoral do momento nos 10 maiores colégios eleitorais do Estado, com os cotados em cada um deles.
Por ordem de eleitorado, são estes municípios: Serra, Vila Velha, Cariacica, Vitória, Cachoeiro de Itapemirim, Linhares, Guarapari, Colatina, São Mateus e Aracruz. A publicação dos conteúdos não vai seguir, necessariamente, a ordem do número de eleitores.
Preparação
Em alguns casos, a preparação para a disputa eleitoral inclui organizar diretórios nos municípios, atrair novos filiados — sejam eles de fora da política ou que estejam em outras legendas —, definir onde pretende lançar nome próprio, onde vai se aliar a outro partido e com quais siglas vai firmar parceria, entre outras coisas. Assim como já ocorreu em 2020, as alianças só são permitidas na disputa para prefeito. Na eleição para vereador, cada legenda ou federação partidária deve apresentar chapa própria.
Entre os partidos consultados por A Gazeta, alguns apresentaram metas ousadas, como o Podemos, que quer ter candidatura própria na disputa majoritária em metade dos 78 municípios capixabas e garantir a eleição de 10 prefeitos, incluindo a reeleição dos atuais mandatários.
Presidente estadual do Podemos, o deputado federal Gilson Daniel ressalta que o partido cresceu muito no Estado nos últimos anos. Tanto que hoje comanda duas cidades da Grande Vitória (Vila Velha e Viana) e está fazendo um movimento focado nas cidades maiores, pois quer ampliar o número de eleitores que alcança. Ele cita como exemplo a possibilidade de participar de forma competitiva na disputa das três maiores cidades da região do Caparaó: Alegre, Guaçuí e Iúna.
Em 2020, apenas o PSB do governador Renato Casagrande chegou a ter nomes próprios para prefeito em 39 cidades e elegeu exatamente um terço disso: 13. A legenda também estabeleceu metas ambiciosas para 2024, quando pretende chegar a 20 prefeitos. Os objetivos não se resumem a números, conforme ressalta o presidente estadual do partido, Alberto Gavini.
"A gente não quer reduzir, quer aumentar. Ao mesmo tempo, quer dar uma qualificada, trazer pessoas com bons projetos políticos. A gente precisa melhorar a política brasileira e elevar a discussão sobre políticas públicas. O cuidado é para não ter apenas candidatos, mas ter candidatos qualificados", destaca Gavini.
Para isso, o PSB está promovendo curso de formação para os vereadores da legenda — já foram 10 turmas — e vai realizar seminário voltado para prefeitos e vereadores ainda este ano.
Outra legenda que segue com planos arrojados para 2024 é o Republicanos, comandado pelo ex-deputado estadual Erick Musso. Em 2020, a sigla surpreendeu ao eleger 10 prefeitos, incluindo o da Capital capixaba, e garantir a segunda posição em número de prefeitos e vereadores eleitos no Espírito Santo. Erick espera, no mínimo, manter o quantitativo de eleitos, mas quer mais.
"Saímos das urnas em 2022 novamente com o partido fortalecido. Fizemos uma bancada com quatro deputados estaduais e dois deputados federais. Nosso trabalho para 2024 é fazer o partido crescer", frisa o presidente estadual do Republicanos. Ele discute parceria com PP e PL e diz que o objetivo é que caminhem juntos no maior número de municípios possível.
Presidente estadual do PP, o deputado federal Da Vitória ressalta que o partido está em fase de organização nos municípios e quer chegar ao pleito com os diretórios montados em todos os 78. Ele assumiu o comando da legenda este ano, sendo de forma efetiva este mês. Ele admite que faltam nomes competitivos dentro da sigla para a disputa na Grande Vitória. A última vez que o PP lançou uma candidatura com chances eleitorais foi em 2004, com o ex-deputado Nilton Baiano, em Vitória.
Também sob novo comando, o Cidadania, que elegeu nove prefeitos em 2020, passou por um processo de esvaziamento em nível nacional e hoje está federado ao PSDB. Com isso, todas as decisões a serem tomadas no ano que vem precisarão do aval das duas legendas, como enfatiza o prefeito de Jaguaré, Marcos Guerra, que assumiu a presidência estadual do partido após a saída do deputado Fabricio Gandini do cargo.
Guerra afirma que a sigla priorizará candidaturas onde já tem prefeito, como Jaguaré e Pinheiros, além de cidades estratégicas, como Vitória e Muniz Freire. "O partido passa por um momento de fortalecimento, com novas filiações, para chegar no momento das definições com envergadura e força maiores que em 2020", afirma.
Voltar aos tempos de glória
Para os dirigentes estaduais do PT e do PSD, os planos incluem resgatar os bons momentos dos partidos. No caso do PSD, o melhor período foi no último pleito municipal, com seis prefeitos eleitos. Atualmente, tem apenas um, segundo o presidente estadual da sigla, Renzo Vasconcelos. Em 2022, o partido acumulou perdas e não elegeu representantes na Assembleia e na Câmara dos Deputados. Agora, ele se movimenta para fortalecer a legenda nos municípios e quer lançar o máximo de candidaturas a prefeito.
O auge do PT no Estado foi em 2008, quando elegeu prefeitos de seis municípios, sendo quatro dos maiores colégios eleitorais do Estado (Vitória, Cariacica, Cachoeiro e Colatina), além de mais de 50 vereadores. Em 2020, a sigla foi derrotada no segundo turno em Vitória e Cariacica e ficou sem eleger prefeitos, tendo apenas 11 vereadores.
Presidente estadual do PT, a deputada federal Jack Rocha argumenta que a última eleição municipal ocorreu no ápice do processo de "tentativa de destruição do PT e criminalização da política". Segundo ela, o partido está em fase de recuperação, dobrou a bancada na Assembleia Legislativa em 2022, elegeu o deputado federal mais votado do Estado (Helder Salomão) e superou o PDT em número de filiados, alcançando a segunda posição no Espírito Santo. Para 2024, a meta de Jack é clara: "Queremos voltar a administrar cidades, grandes, pequenas ou médias".
Brigas internas
Dois partidos que estão entre os maiores do Estado sofrem com brigas internas: MDB e União Brasil. O MDB, maior em número de filiados no Espírito Santo, não conseguiu eleger nenhum representante em 2022. Nem sequer conseguiu montar chapa para deputado federal. Para 2024, o planejamento ainda não foi iniciado de forma efetiva, pois a legenda vai ter eleição do diretório estadual em agosto. O grupo da atual presidente e ex-senadora Rose de Freitas tenta se manter, enquanto o do ex-deputado e ex-presidente Lelo Coimbra busca retomar o comando da sigla.
Já no União Brasil uma decisão da Justiça é aguardada para definir como fica o comando do partido. A Justiça estadual anulou a reeleição do secretário estadual de Meio Ambiente, Felipe Rigoni, na presidência da sigla. O União nasceu da fusão entre DEM e PSL em 2022, foi esvaziado e agora tenta se organizar nos municípios, processo interrompido com esse imbróglio jurídico-partidário, que envolve a disputa de poder entre Rigoni e Amarildo Lovato, ex-presidente estadual do PSL.
Eleições 2024 a um ano da campanha, saiba os planos dos partidos no ES
Para a série de reportagens sobre as costuras políticas nos 10 maiores colégios eleitorais, que você acompanha a partir desta terça (1º), também foram ouvidos dirigentes de partidos como PDT, Solidariedade, Psol e PL. Algumas informações você já confere na tabela acima. Essas siglas estiveram entre as que mais elegeram representantes em 2020 ou que têm cotados para a disputa de 2024 entre os seus filiados.