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Cenário indefinido

Eleições 2024: Aracruz tem 7 cotados e prefeito pode abrir mão de disputa

Mesmo podendo concorrer à reeleição, o atual prefeito, Dr. Coutinho (PP), avalia renunciar para que a filha, Jeesala Coutinho (PP), seja a candidata do seu grupo político; outros cinco cotados são adversários dele

Publicado em 24 de Agosto de 2023 às 16:10

Ednalva Andrade

Publicado em 

24 ago 2023 às 16:10
Corrida pela Prefeitura de Aracruz tem cotados de vários partidos
Corrida pela Prefeitura de Aracruz deve ser travada entre grupo do prefeito e oposição Crédito: Arte Geraldo Neto
Décimo maior colégio eleitoral do Espírito Santo, o município de Aracruz, no Norte do Estado, teve a eleição para prefeito em 2020 decidida por uma diferença de 162 votos e com sete concorrentes. A um ano do início da campanha eleitoral para a corrida de 2024, há o mesmo número de cotados para a disputa. Porém, o cenário ainda está muito indefinido e inclui até a possibilidade de renúncia do atual prefeito, Dr. Coutinho (PP), em abril do ano que vem.
Coutinho está no primeiro mandato e pode concorrer à reeleição, mas discute a possibilidade de apoiar a filha e secretária municipal de Ações Estratégicas, Jeesala Coutinho (PP), na disputa pela sua sucessão. Para isso, conforme previsto na Constituição Federal, ele terá de abrir mão do seu mandato até abril de 2024, seis meses antes da eleição municipal do próximo ano. Caso contrário, a filha não poderá entrar na disputa, pois estará inelegível.
Diante disso, a única certeza no município, até o momento, é de uma grande polarização entre o grupo do atual prefeito e os seus adversários políticos. De um lado estão Coutinho e Jeesala, de outro aparecem cotados: o presidente da Câmara de Aracruz, Alexandre Manhães (Republicanos); o deputado estadual Alcântaro Filho (Republicanos); o vereador Roberto Rangel (Podemos); o major da reserva da Polícia Militar Wallace Vieira (Patriota); e o delegado da Polícia Civil Leandro Sperandio (sem partido).
Manhães é o único que declara abertamente que quer concorrer ao cargo de prefeito. Ele está no mesmo partido de Alcântaro, apontado como pré-candidato pelos seus colegas de plenário na Assembleia Legislativa do Espírito Santo. O deputado, contudo, garante que ainda não decidiu se vai concorrer ou não a prefeito novamente. Em 2020, ele foi o segundo colocado, teve mais de 14 mil votos e perdeu para Coutinho por 162 votos.
O deputado mantém conversas sobre as eleições do próximo ano em Aracruz com o vereador Rangel, de quem é aliado, o major Wallace, terceiro colocado em 2020, e o delegado Leandro Sperandio, que ensaia entrar na política. Rangel aponta o desejo de que, desse grupo, apenas um concorra ao comando do Executivo municipal em 2024, para que a candidatura tenha força suficiente para sair vitoriosa contra o grupo do atual prefeito.
Há ainda quatro partidos que avaliam lançar candidatura própria em Aracruz: PL, PSD, PT e PSB. Os dirigentes estaduais do Solidariedade e do PSDB avaliam apoiar Alcântaro, se ele entrar na disputa.

Série Eleições 2024: cotados

Esta reportagem faz parte da série de A Gazeta sobre cotados para as eleições 2024. Até o final de agosto, a cada terça e quinta será publicado um texto com os perfis dos interessados na disputa em um dos 10 maiores colégios eleitorais do Espírito Santo. Por ordem de eleitorado, são as seguintes cidades: Serra, Vila VelhaCariacicaVitóriaCachoeiro de ItapemirimLinharesGuarapariColatina, São Mateus e Aracruz. A ordem de publicação dos conteúdos não segue o número de eleitores. Apenas os cotados de São Mateus e Serra ainda não foram publicados.

A família real

Em uma cidade com histórico de prefeitos com problemas na Justiça, o atual chefe do Executivo tem passado ileso nesse campo, mas virou alvo de críticas dos adversários por ter nomeado várias pessoas da sua família na gestão municipal. Além da filha Jeesala, que é secretária de Ações Estratégicas, dois sobrinhos do Dr. Coutinho estão no secretariado do município e a esposa, Maria da Glória Mayer Coutinho, atua desde 2021 na prefeitura, cedida pela Câmara de Aracruz, onde ela é servidora de carreira.
Apesar de os adversários usarem o tema para atacá-lo, o prefeito não se absteve de falar sobre o assunto, em entrevista para A Gazeta, na última terça-feira (22), e ainda brincou com o apelido que as nomeações renderam: "Apelidaram a gente de família real", disse. 
Em seguida, ele defendeu as nomeações, alegando que todos os parentes na sua equipe têm competência para atuar nos cargos em que estão. A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que trata sobre nepotismo abre espaço para a nomeação de parentes nos cargos de agente político, como secretário municipal. 
"Meu sobrinho que é economista está na secretaria de Planejamento. Minha filha é advogada e muito competente. Minha sobrinha é efetiva da prefeitura e minha esposa é efetiva da Câmara e quem paga o salário dela é a Câmara, não sou eu. Isso tudo é inveja porque quem está aqui tem competência. Nossa equipe é maravilhosa", exaltou o prefeito.
Sobre as eleições 2024, ele afirma que ainda não pensou a respeito, pois tem muita obra para fazer no município, muitas delas em parceria com o governo do Estado. Aliado do governador Renato Casagrande (PSB), o prefeito acompanhou recentemente a visita do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB-SP), para assinar a instalação primeira da Zona de Processamento de Exportações (ZPE) privada, que ficará em Barra do Riacho, Aracruz.
Mesmo querendo evitar o assunto, ao ser questionado sobre a possibilidade de apoiar a filha na disputa para prefeito e não tentar a reeleição, Coutinho respondeu que "o empresariado e a mulherada querem que ela venha candidata."
"Ela (Jeesala) entende muito de gestão. Eu abdicaria (do mandato) em nome dela."
Dr. Coutinho (PP) - Prefeito de Aracruz
A decisão, segundo o prefeito, vai depender de pesquisas internas e da viabilidade da secretária de Ações Estratégicas para derrotar os adversários. A expectativa é de que essa avaliação seja feita até dezembro deste ano, mas a renúncia, caso ele decida abdicar do mandato, poderá ocorrer até o início de abril. Essa possibilidade ainda é vista com ceticismo por muitos adversários do prefeito.
Questionada sobre o assunto, Jeesala saiu pela tangente. Afirmou que a disputa de 2024 não está nos seus pensamentos agora. "Meu foco é tocar a gestão. Larguei minha carreira para ajudar o município. Vamos deixar isso para o ano que vem", despistou a advogada.
Ainda que só tenha assumido o cargo de secretária e se tornado vitrine da gestão nas redes sociais a partir de 2022, Jeesala acompanha a política municipal de perto desde 1996. Ela foi casada com o ex-prefeito e ex-deputado estadual Marcelo Coelho, que atualmente não exerce nenhum cargo, mas continua no mesmo grupo político do atual prefeito.

O independente

Ao ser perguntado sobre seu interesse na disputa de 2024, o presidente da Câmara não teve meias palavras. "Estou trabalhando para ser candidato a prefeito de Aracruz. Falei com o presidente do partido, Erick Musso, da minha pretensão. É o meu terceiro mandato de vereador, sou presidente da Câmara. Sou um nome novo, tenho característica de gestor e boa relação com os empresários e comerciantes", pontuou.
Alexandre Manhães não é considerado aliado de Coutinho, mas também não faz oposição acirrada. "Vou trabalhar para fazer o melhor para a cidade de Aracruz. Nunca fui vereador apoiador do prefeito. Sempre fui independente. Eu tenho nesse momento uma relação institucional com o prefeito, de harmonia, porém, com independência", acrescentou.
Mesmo dividindo as fileiras do Republicanos com Alcântaro, Manhães não tem muita relação política com o deputado. Como apenas um dos dois pode ser candidato pelo partido, caso o parlamentar estadual decida concorrer à prefeitura, o presidente da Câmara ainda terá a janela de troca partidária, entre março e abril do ano que vem, para migrar para outra sigla sem perder o mandato. Essa possibilidade não está descartada por Manhães, que já recebeu convites de outras siglas.
"Temos de pensar Aracruz daqui a 10, 15 e 20 anos, para não virar uma nova Macaé. Não adianta uma cidade rica e crescer de forma desordenada", aponta o pré-candidato.

Os conservadores

Alcântaro, por sua vez, afirma que tem sido muito estimulado a entrar na disputa, seja pelos colegas de plenário na Assembleia, seja pelas pessoas que encontra nas ruas do município. No entanto, assegura que a única coisa que não quer é que o grupo do prefeito permaneça à frente da gestão.
"Ainda não defini. Tenho buscado focar no mandato. Não estou fazendo movimento de pré-campanha. O prazo que eu tenho pré-estabelecido é virar o ano com esse debate na cidade: ser candidato ou apoiar alguém. Se surgir outro nome que tenha essa convergência de valores, posso não concorrer", afirmou Alcântaro.
Os valores defendidos pelo deputado seguem a mesma linha do conservadorismo atribuído ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele tem dialogado muito com o vereador Roberto Rangel, que o apoiou em 2020 e 2022, mas também já foi visto em encontros com o delegado Leandro Sperandio e o major Wallace, entre outros nomes da direita de Aracruz.
O vereador não esconde ter pretensões eleitorais, mas ressaltou que é seu primeiro mandato de vereador e quer conversar com o grupo que pensa Aracruz como ele. "Nossa cidade tem potencial para muito mais, mas, por conta de gestões ineficientes, não desenvolveu o tanto que poderia", pontuou Rangel.
Além de presidir o Podemos em Aracruz, ele participa de um movimento suprapartidário para formação de lideranças, o Vamos Ocupar a Cidade (VOC). Segundo o vereador, atualmente há 58 alunos fazendo curso preparatório visando às eleições municipais. Ele foi um dos formados em turmas anteriores. Ele afirma ter como aliados nesse projeto o deputado, o major e o delegado.
"Meu esforço tem sido em manter o grupo unido, independentemente da decisão de quem vai ser o nome escolhido, estarmos juntos. Meu esforço tem sido esse. Se de nós quatro sair mais de um candidato a prefeito, a chance de reeleição do Coutinho é muito maior", avaliou o vereador que faz oposição aguerrida contra a administração municipal.
Wallace é mais evasivo ao falar sobre o tema, embora confirme que tem uma visão política parecida com os demais. Ele concorreu em 2020, mas considera prematura a discussão sobre nomes a essa altura, faltando cerca de um ano para as convenções partidárias que definirão os candidatos. 
"As pessoas têm ventilado vários nomes e candidaturas baseadas somente em personalidades e sem analisar o currículo, propostas para o município e visão que têm do Estado", criticou o major.
Filiado ao Patriota, que aguarda fusão com o PTB, Wallace confirmou estar avaliando convites de outras legendas. "Estou focado em concorrer com base em propostas e não somente em interesses políticos. Quero contribuir para o desenvolvimento do meu município", frisou.
Sem filiação partidária, o delegado Leandro Sperandio passou a ser visto como potencial candidato a prefeito devido ao sucesso que tem feito nas redes sociais, onde acumula milhares de seguidores e exibe ações policiais. Atualmente à frente da Delegacia de João Neiva e da Delegacia Patrimonial de Aracruz, ele afirmou que é morador do município há 10 anos, onde tem circulado bastante no meio político e conversado com muitas lideranças, conforme apuração feita por A Gazeta, apesar de ele tentar negar.
Ao ser procurado para comentar se seu nome está à disposição para concorrer, o delegado quis despistar. "A gente fica muito feliz de ter o nome lembrado pela sociedade, é resultado do trabalho que a gente vem fazendo no município, mas minha tarefa é continuar com o trabalho de segurança pública", resumiu.
No meio político, o nome do delegado é apontado como uma das opções do PL para concorrer à Prefeitura de Aracruz, mas ele também teria mantido conversas com a direção estadual do PSD.
COTADOS ARACRUZ-PERFIL de (Núcleo de Reportagem de A Gazeta)

Em avaliação

Embora considere cedo demais para dizer quem será a aposta do partido na disputa para prefeito, o presidente municipal do PL, pastor Marcelo Souza, assegurou já ter alguém em vista e que o partido está estudando para ver a viabilidade desse eventual candidato.
Indagado se o capitão do 5° Batalhão da Polícia Militar em Aracruz, Sérgio Alexandre, seria esse nome, o dirigente municipal disse que “está nessa rota”, mas não pode garantir que seja ele, pois tem a missão de levar três nomes ao presidente estadual do PL, senador Magno Malta (PL).
O capitão Alexandre esteve presente no encontro estadual do PL realizado em Vila Velha, no último sábado (19), e tem divulgado em suas redes sociais informações sobre o PL ter candidatura própria em Aracruz. Por ser militar da ativa, ele não pode ter filiação partidária, exceto no período eleitoral.
“Pode ser que saia da polícia e de outros setores da sociedade”, despistou o presidente municipal do PL sobre a candidatura do partido em Aracruz. O delegado Leandro Sperandio também seria uma das opções da sigla, já que não está filiado a nenhuma legenda.
Quanto aos outros três partidos que cogitam a possibilidade de lançar candidatura própria a prefeito no município, o PSD está mais próximo do grupo que faz oposição ao prefeito e também dialoga com o delegado.
Segundo os dirigentes estaduais do PT e do PSB, as duas siglas também têm interesse em concorrer à prefeitura, embora ambas tenham vereadores na base aliada de Coutinho. No caso do PT, a avaliação também precisa levar em consideração PV e PCdoB, partidos com os quais está federado.
Eleições 2024 Aracruz tem 7 cotados e prefeito pode abrir mão de disputa

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