Eleições 2024: Arnaldinho é única certeza entre cotados em Vila Velha
Movimentações constantes
Eleições 2024: Arnaldinho é única certeza entre cotados em Vila Velha
Disputa para prefeito do município tem seis cotados, mas apenas o nome do atual prefeito, Arnaldinho Borgo (Podemos), é dado como certo até agora; várias pessoas são citadas como possíveis concorrentes, contudo, sem garantia de participação
Cotados para a disputa eleitoral de Vila Velha em 2024Crédito: Arte Geraldo Neto
Em um cenário que mescla um suposto favoritismo do atual prefeito de Vila Velha,Arnaldinho Borgo (Podemos), e a busca por nomes para concorrerem em condições de igualdade com a máquina pública na eleição municipal, no momento, seis são os possíveis candidatos a prefeito no próximo ano no segundo maior colégio eleitoral do Espírito Santo.
O número de postulantes ao cargo de prefeito de Vila Velha para 2024 pode até não aumentar, mas a entrada de alguns nomes ventilados no município pode mudar completamente o cenário, conforme definição das movimentações partidárias. Em 2020, foram 11 concorrentes.
Por enquanto, o atual chefe do Executivo, que venceu a eleição de 2020 com ampla vantagem no segundo turno (quase 70% dos votos), tenta aglutinar legendas no seu entorno visando quebrar 20 anos de recusa do eleitorado canela-verde a reeleger prefeitos. O último a conseguir esse feito foi o ex-prefeito Max Filho (PSDB), reeleito em 2004 e adversário batido por Arnaldinho ao tentar repetir a proeza no último pleito, que avalia concorrer novamente em 2024.
Além dos dois, outros nomes mencionados para a disputa canela-verde são: o ex-prefeito de Vila Velha Neucimar Fraga (PP); o vereador de Vila Velha Devacir Rabello (PL); o ex-deputado e ex-vice-prefeito Rafael Favatto (Patriota), cujo partido avalia também a possibilidade de ele concorrer em Cariacica; e o empresário Euclides Viana, que teve a pré-candidatura lançada pelo PMB (Partido da Mulher Brasileira) sem qualquer presença feminina.
Esses seis são os nomes mais consolidados até agora, mas o PT de Vila Velha vai tentar convencer o senador Fabiano Contarato (PT) a entrar na disputa e alguns partidos tentam fazer o secretário de Estado da Segurança Pública, coronel Alexandre Ramalho (Podemos), mudar de sigla para concorrer contra o seu correligionário. Ambos não se colocam como pré-candidatos até agora.
Série Eleições 2024: cotados
Esta reportagem faz parte da série de A Gazeta sobre cotados para as eleições 2024. Até o final de agosto, a cada terça e quinta será publicado um texto com os perfis dos interessados na disputa em um dos 10 maiores colégios eleitorais do Espírito Santo. Por ordem de eleitorado, são as seguintes cidades: Serra, Vila Velha, Cariacica, Vitória, Cachoeiro de Itapemirim, Linhares, Guarapari, Colatina, São Mateus e Aracruz. A ordem de publicação dos conteúdos não segue o número de eleitores. Os cotados de Vitória, Colatina, Cachoeiro, Cariacica e Linhares já foram publicados.
Por estar no primeiro mandato à frente do Executivo municipal, o prefeito considera normal que os partidos e aliados entendam que ele vá tentar a reeleição. Embora ainda não se declare oficialmente pré-candidato, ele se comporta como tal desde sempre em suas redes sociais, onde acumula quase 150 mil seguidores e exibe todos os seus atos, ações e obras da prefeitura.
Pela sua desenvoltura nas redes sociais, Arnaldinho ganhou dos adversários o apelido de "prefeito midiático". Ele também recebeu alcunhas relacionadas à gestão, como "prefeito das pracinhas", por ter reformado diversas praças do município, e "administração cosmética", que "só cuida de embelezar a cidade, mas não faz nada para mudar sua estrutura".
Entre os partidos que sinalizam apoio à reeleição dele estão PSB, Cidadania, MDB, PDT, Solidariedade e a sua sigla, o Podemos. União e Republicanos estão no grupo de legendas que não sabem ainda qual caminho vão trilhar no município. O PSD busca nome próprio para lançar na cidade, assim como o Rede, que não descarta conversar com o atual prefeito, mas vai precisar convencer o seu parceiro de federação, o Psol, se quiser levar a ideia adiante.
"Estou aberto a dialogar com todos os partidos. Acredito que a união é muito melhor que a ruptura, para falar de projetos. Queremos construir uma Vila Velha melhor. Eu, diferente de muitos que estiveram no meu lugar, fui eleito para fazer união. Teve gente que brigou com governador, com governo federal e com vereadores. Eu mantenho boa relação com todos e Vila Velha é uma das cidades que mais receberam recursos federais vindo de emendas parlamentares", pontua o atual prefeito.
Ele se intitula "homem do diálogo" e avisa que não vê problema em conversar com PT e PL, siglas que estão nas extremidades dos campos conservadores e progressistas no cenário nacional, por exemplo. Arnaldinho assinala, entretanto, que "a única pessoa que eu não converso é com o ex-prefeito Max Filho, porque ele atacou a honra da minha família".
Os dois protagonizaram embate no segundo turno de 2020, e a reedição da disputa não está completamente descartada para 2024, embora seja considerada mais improvável, devido aos desgastes acumulados por Max Filho nos dois últimos pleitos. Além de perder o comando da prefeitura para Arnaldinho, teve uma votação considerada pífia em 2022, quando obteve 16.822 votos para deputado federal, sendo alguém que tem no currículo dois mandatos de deputado estadual, três de prefeito e um de deputado federal.
Desgastes
Incentivado por aliados e até por adversários a concorrer novamente, Max Filho nem sabe se terá legenda para isso, já que o clima para permanecer no PSDB não é muito favorável e nem há muitas siglas disponíveis para abrigá-lo.
O grupo político dele renunciou aos cargos na Comissão Provisória do PSDB de Vila Velha há uma semana, depois de uma chapa contrária ao ex-prefeito ser protocolada para concorrer ao comando do partido, sob a liderança do advogado Marcos Félix, o Kiko, que foi secretário na gestão do ex-prefeito Jorge Anders, antecessor da primeira gestão de Max na prefeitura.
Kiko foi nomeado pelo presidente estadual do PSDB, deputado Vandinho Leite, para comandar a Comissão Provisória do PSDB até 31 de agosto, prazo final para a convenção municipal, que antes das renúncias ocorreria na última segunda-feira (14). As inscrições das chapas se encerram no domingo (20) e Kiko garantiu que vai inscrever novamente a sua. Ela reúne de antigos adversários a aliados recentes de Max, como os dois vereadores tucanos (Osvaldo Maturano e Welber da Segurança), que hoje estão na base do prefeito na Câmara.
"Os companheiros ficaram mais motivados com tudo isso. Sou solidário aos dirigentes que sofreram mais essa interferência. Com essa executiva estadual fica muito difícil o convívio. Temos uma boa identificação com os dirigentes nacionais do PSDB, com o programa partidário, mas também não vou querer ficar brigando", declara Max.
O grupo dele alega que a direção estadual fez uma manobra para levar o partido para os braços de Arnaldinho. Vandinho alega que "ter um ou outro com relação com o atual prefeito é normal" e assegura que não tem alinhamento nesse sentido com orientação da estadual. "Se tivesse alguma manobra, o grupo do ex-prefeito não teria a coordenação antes da renúncia", exemplifica.
Sobre o caminho que vai seguir, o ex-prefeito prefere aguardar as conversas com o seu grupo político para decidir. Dias antes de toda essa confusão no partido, ele havia sinalizado à reportagem interesse pessoal em não concorrer e dito que indicaria o ex-prefeito Maurício Gorza (PSDB) para a missão. "Se ele declinar, meu nome está à disposição. Temos todo um legado para defender", enfatizou Gorza, no último dia 3.
Indefinidos
Presente nas últimas quatro eleições municipais, sendo que em três delas chegou ao segundo turno, o ex-prefeito Neucimar Fraga tenta organizar o PP de Vila Velha para ter uma chapa competitiva para vereador e garantir vaga na segunda etapa do pleito para prefeito. Caso não vislumbre chances disso, é possível que abra mão da disputa para apoiar outro nome daqui a um ano.
Hércules teme mudar de partido e perder eventual convocação como suplente para o Legislativo estadual. Se a fusão entre PTB e Patriota se confirmar até o início de 2024, a situação fica mais tranquila, já que a união dos partidos pode ser usada como justa causa para migrar de legenda.
Se o PP não lançar nome próprio, o presidente estadual da sigla, deputado federal Da Vitória, "não descarta a possibilidade de aliança com Arnaldinho".
Outra possibilidade para o PP é a reprodução da "tríplice aliança" com Republicanos e PL em Vila Velha. Enquanto o primeiro não está na base nem na oposição a Arnaldinho, o PL tem o vereador Devacir Rabello se movimentando como pré-candidato.
Com a votação obtida na disputa para deputado federal (22.359 votos), Devacir se sente cacifado para pleitear a prefeitura, caso o partido lhe dê essa missão. "Certamente atenderei ao chamado", assegura o vereador de primeiro mandato, conhecido defensor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do senador Magno Malta (PL) em Vila Velha.
Segundo o presidente do PL de Vila Velha, Carlos Salvador, "todos os mandatários têm a possibilidade de disputar a eleição", considerando a votação obtida pelo PL em Vila Velha e pelo fato de "ser o maior partido conservador do Estado e do Brasil".
Outro nome da direita mencionado em Vila Velha é o do ex-deputado Rafael Favatto, que avalia junto com o seu partido se concorre no município onde mora atualmente ou em Cariacica. Para se candidatar, a legislação exige que a pessoa tenha domicílio eleitoral no local pelo prazo de seis meses, ou seja, ele precisa ter título de eleitor do município onde vai concorrer e estar filiado a um partido político até seis meses antes da eleição, que será em 6 de outubro de 2024.
Único pré-candidato já lançado em Vila Velha, o empresário Euclides Viana, conhecido como Boca Aberta, teve o nome confirmado pelo PMB para a disputa para prefeito em julho. Ele se coloca como oposição ao atual prefeito. "Sou um cidadão comum. Nunca fui político na vida. Entrei com diversas ações contra a prefeitura e o partido me convidou para vir pré-candidato e aceitei o desafio", resume.
Também dividido entre dois municípios está o Coronel Ramalho, mas ele garante não ter projeto definido para Vitória ou Vila Velha. Ele teve o nome mencionado como opção em Vitória pelo presidente estadual do Podemos, deputado federal Gilson Daniel. Já em Vila Velha, seu nome circula nos bastidores e entre dirigentes partidários que buscam alguém que possa ser competitivo na disputa, mas a avaliação ainda é de incerteza em relação à participação dele na eleição.
O principal obstáculo para Ramalho é estar filiado ao mesmo partido do atual prefeito. Questionado sobre o assunto, Arnaldinho disse que vê "com naturalidade ele colocar o nome" e assegura que não há lacuna na relação entre os dois.
Ramalho não esconde que a ideia de concorrer lhe agrada e demonstrou interesse maior por Vila Velha, ao ser ouvido por A Gazeta sobre o assunto, no último dia 9. Ele lembra que foi secretário municipal em Vila Velha na gestão do ex-prefeito Rodney Miranda, ao lado de Arnaldinho.
"Não tem choque nenhum entre nós. Se isso acontecesse (de ser candidato em Vila Velha), eu teria que sair do Podemos, mas seria uma decisão pessoal, o partido não tem estimulado. Tenho apreço pelos dois municípios e, para entrar num projeto como esse, tenho de ter um grupo político sólido. Alguns partidos me procuraram", confessa o secretário.
Partidos de centro e de direita seriam os autores dos convites, mas Ramalho acrescenta não haver "nada de concreto" até o momento sobre candidatura em um dos dois municípios, que sua pasta tem muita cobrança e está focado no trabalho.
Outro nome que só precisa dizer sim para o partido para se tornar candidato a prefeito de Vila Velha é o senador Fabiano Contarato. O presidente municipal do PT, Fabrício Santana, salienta que a discussão ainda não avançou porque não conseguiu sentar para conversar detalhadamente sobre o assunto com o senador devido à agenda do congressista.
Procurado para comentar se aceita o desafio de concorrer à Prefeitura de Vila Velha, o senador informou, por meio de assessoria, que não vai comentar o assunto. Até a apuração sobre a disputa no município, a possibilidade de Contarato ser candidato não havia sido mencionada por outras lideranças petistas, mas a legenda tem como projeto se fortalecer na Grande Vitória e no Estado em 2024 e movimentos feitos por outros partidos podem influenciar na decisão de levar a ideia adiante ou abortá-la completamente.
O dirigente petista ressalta que o desejo do PT de Vila Velha e da federação formada pelo partido com o PV e o PCdoB é ter nomes competitivos na disputa e uma nova rodada de conversas sobre o assunto está prevista para ocorrer nos próximos dias.
Além de Contarato, outra possibilidade aventada é o secretário estadual de Esportes, José Carlos Nunes, que concorreu em 2020 ao cargo de vice-prefeito na chapa encabeçada pelo atual subsecretário estadual na pasta de Direitos Humanos, Rafael Primo (PT). Na época, Primo estava na Rede. Agora, ele está no PT e tem o nome cotado para concorrer a uma vaga na Câmara de Vila Velha.
Arnaldinho é única certeza entre cotados em Vila Velha