Eleições 2024: disputa para prefeito de Vitória já tem 13 cotados
Entenda as movimentações
Eleições 2024: disputa para prefeito de Vitória já tem 13 cotados
Três ex-prefeitos do município estão entre os interessados na disputa, além do atual chefe do Executivo, Lorenzo Pazolini (Republicanos), cotado para concorrer à reeleição
Cotados para a disputa eleitoral de Vitória em 2024Crédito: Arte Geraldo Neto
A eleição para prefeito de Vitória é, até o momento, a com o maior número de interessados circulando no meio político na Grande Vitória. Ao menos 13 pessoas aparecem cotadas para a disputa que vai ocorrer em outubro de 2024, faltando exatamente um ano para o período das convenções partidárias, quando há definição das candidaturas que serão lançadas efetivamente.
Para mostrar o cenário que vem se desenhando até o momento para a disputa em Vitória, quarto maior colégio eleitoral do Espírito Santo (264.199 eleitores), A Gazeta ouviu dirigentes partidários e lideranças do município, além de alguns dos principais cotados.
A quantidade de interessados é atribuída ao fato de ser a Capital, o que torna a disputa uma vitrine para todas as siglas e também para quem deseja se mostrar para o Estado, de olho em pretensões eleitorais futuras, já que a propaganda eleitoral de Vitória é transmitida para os municípios onde não há sede de rádio e televisão.
Série Eleições 2024: cotados
Esta é a primeira reportagem da série de A Gazeta sobre cotados para as eleições 2024. Até o final de agosto, a cada terça e quinta será publicado um texto com os perfis dos interessados na disputa em um dos 10 maiores colégios eleitorais do Espírito Santo. Além da Capital, estão entre essas cidades, por ordem de eleitorado: Serra, Vila Velha, Cariacica, Cachoeiro de Itapemirim, Linhares, Guarapari, Colatina, São Mateus e Aracruz.
Embora reeleger prefeito tenha virado quase uma tradição em Vitória, vide o ocorrido com os três últimos que comandaram a cidade, o atual prefeito do município, Lorenzo Pazolini (Republicanos), não deve encontrar um céu de brigadeiro na busca pela reeleição. Isso devido não somente à quantidade de prováveis adversários, mas também ao fato de muitos deles serem bem conhecidos dos moradores da cidade.
Na lista dos 13 cotados para 2024 estão, além do prefeito, estão os três ex-prefeitos mais recentes de Vitória: Luciano Rezende (Cidadania), prefeito de 2013 a 2020; João Coser (PT), atual deputado estadual e prefeito de 2005 a 2012; e Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), que comandou a cidade de 1997 a 2004. É quase certa a presença de ao menos dois deles na corrida eleitoral, já que as legendas de Luciano e Luiz Paulo estão em uma federação partidária e obrigatoriamente precisam caminhar juntas e só podem lançar um único candidato a prefeito.
A relação dos interessados conta ainda com mais cinco deputados estaduais — Camila Valadão (Psol), Capitão Assumção (PL), Fabricio Gandini (Cidadania), Mazinho dos Anjos (PSDB) e Tyago Hoffmann (PSB); dois secretários estaduais — Fabio Damasceno (PSB), de Mobilidade e Infraestrutura, e Coronel Ramalho (Podemos), da Segurança Pública; o ex-deputado estadual Sérgio Majeski (PSDB); e a vice-prefeita Capitã Estéfane (Patriota).
Em 2020, foram 14 candidatos e a eleição foi decidida em segundo turno, disputado entre Pazolini e Coser. A diferença de votos entre o petista e Gandini, terceiro colocado no pleito, foi de apenas 1.201 sufrágios. Para 2024, mesmo que os três reeditem suas candidaturas, a disputa pode ficar mais embolada com a entrada de outros nomes considerados competitivos, como os dos ex-prefeitos Luciano e Luiz Paulo, e de personagens ainda vistos como incógnitas na disputa majoritária, como Majeski, Ramalho, Capitã Estéfane e Camila Valadão.
Entre os cotados para a disputa, Assumção é o único que já botou o bloco na rua e se intitulou pré-candidato, lançado pelo PL em meados de julho, ao lado do deputado federal Gilvan da Federal (PL), que também tinha o nome especulado para a corrida.
O prefeito, por sua vez, mesmo evitando se colocar como pré-candidato à reeleição, dá muitos indícios de que vai concorrer. O presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, espera isso e vai ficar responsável pelas negociações partidárias para viabilizar as alianças. Na última semana, ao anunciar reajuste para os servidores municipais, Pazolini teve o nome defendido pelo deputado estadual Denninho Silva (União), cujo partido assegura que vai caminhar com Luiz Paulo.
Alvo de críticas por não conseguir manter diálogo com os partidos ao longo da sua gestão, Pazolini garante que ouve "lideranças partidárias, muitos vereadores e os deputados". "Mas, os líderes comunitários têm um papel primordial nessa gestão da cidade, eles me ajudam a errar menos", disse.
Questionado diretamente pela reportagem se vai disputar a reeleição e se tem conversado com possíveis aliados a respeito, respondeu: "Estou muito focado em fazer as entregas que o povo merece. Sinceramente, não me debruço sobre isso não, quero é cuidar da cidade".
Segundo colocado em 2020, Coser é o nome que naturalmente surge como opção do PT em Vitória, como pontua a presidente estadual da sigla, deputada federal Jack Rocha. Ela ressalta que a Capital é prioridade não somente para o PT estadual, como também para o PT nacional, o que ficou evidente em reunião realizada com o diretório do partido pelo ministro Márcio Macêdo (PT-SE), da Secretaria-Geral da Presidência da República.
O ex-prefeito petista não esconde a satisfação de ter o nome lembrado, mas mantém cautela sobre a pré-candidatura. Indagado sobre o assunto, afirma que o partido deve tomar uma decisão até o final deste ano e repete o mesmo dito pela presidente estadual. O PT ainda precisa aprovar o nome do candidato com PV e PCdoB, siglas com as quais integra uma federação.
Nos bastidores, há muita especulação sobre Coser tentar se firmar como o candidato da centro-esquerda na Capital. Entre os cotados, Camila é o nome do mesmo espectro político com mais proximidade ao petista. Os dois são colegas de plenário na Assembleia Legislativa. No Psol, assim como no PT, as decisões são tomadas após discussões internas envolvendo todo o diretório e não apenas o pré-candidato.
A presidente estadual do Psol, Ane Hamala, confirma que há diálogo aberto com o PT, assim como com outros partidos da esquerda. "O objetivo é derrotar esse bolsonarismo em Vitória. A gente tem uma oposição declarada a Pazolini", enfatiza.
Outra sigla de centro-esquerda que o PT espera atrair é o PSB, partido cujo presidente estadual, Alberto Gavini, assegura que terá nome próprio na disputa da Capital. Isso ocorreu na última eleição, com o lançamento do então vice-prefeito Sérgio Sá, mas a avaliação pós-eleição foi negativa.
Com isso e também devido ao fato de vários aliados do governador Renato Casagrande (PSB) estarem entre os cotados, a avaliação no mercado político é de que os nomes de Hoffmann e Damasceno talvez sejam muito mais para marcar posição nas negociações de alianças do que propriamente como pré-candidatos efetivos.
Também na centro-esquerda, PDT e Solidariedade querem candidaturas próprias e, para isso, buscam atrair lideranças hoje filiadas a outras legendas. Entre elas, estariam algumas com retrospecto mais ao centro do que à esquerda propriamente, como a vice-prefeita e o ex-deputado Majeski. Os dois preferem não mencionar com quais siglas estão conversando.
A vice-prefeita, que teve embate com Pazolini ao longo da gestão, garante que a relação melhorou, mas não ao ponto de possibilitar a reedição da parceria em 2024. Filiada ao Patriota, ela avalia a permanência na sigla e confirma convites de legendas que vão da centro-esquerda à extrema-direita. Na lista de propostas de filiação estariam Solidariedade, que rompeu com Pazolini recentemente, Podemos, União e PL, além de PSB.
Até dezembro, ela espera decidir se vai mesmo concorrer à prefeitura ou a outro cargo (vice ou vereadora). "Estou analisando as propostas com cautela. Não tenho problema em conversar com quem está em lados opostos. A gente precisa conviver e saber lidar com as diferenças", pontua.
Resta um na federação PSDB-Cidadania
Já Majeski garante estar 100% decidido a concorrer ao cargo de prefeito: "Só não vou disputar a eleição se eu não tiver legenda. Estou num período de conversas. Gostaria de ficar no PSDB". Na relação de interessados no ex-deputado estariam PDT, Novo e Podemos, entre outras siglas. Apesar de desejar ficar no PSDB, o ex-deputado se mostra decepcionado com a falta de uma discussão sobre a reconstrução do partido, tanto em nível nacional quanto local.
Majeski é um dos cinco nomes cotados da federação PSDB-Cidadania. Da mesma forma que ele deve deixar o ninho tucano para concorrer à Prefeitura de Vitória, Gandini está de malas prontas para sair do Cidadania. Aguarda somente o aval da Justiça Eleitoral para se desfiliar da legenda. O rumo mais provável do deputado é o PSD, partido que já o convidou para ser o candidato a prefeito.
Outro nome do PSDB é Mazinho, que confirma estar à disposição da legenda. Contudo, a avaliação no meio político é de que o ex-prefeito Luiz Paulo é o nome tucano para a disputa. Há legendas que mencionam o atual subsecretário estadual de Integração e Desenvolvimento Regional como aquele que apoiarão em 2024.
Para ser o nome da federação, ele ainda precisa que o ex-prefeito Luciano Rezende abra mão da disputa, como ocorreu em 2022, mantendo-se fora da cena política, e permaneça como está no momento "dedicado totalmente às minhas atividades profissionais e à minha família", como respondeu à reportagem ao ser questionado sobre a disputa do ano que vem.
Luiz Paulo, por sua vez, está empolgadíssimo com a "preparação de um projeto eleitoral focado na cidade de Vitória". O ex-prefeito tem feito reuniões nos bairros e assumiu a presidência municipal do PSDB de olho na disputa para prefeito. Ele menciona que a federação governou Vitória por 20 anos nas últimas décadas, sendo 12 anos do PSDB (Paulo Hartung foi o antecessor de Luiz Paulo como prefeito, de 1993 a 1996) e oito do Cidadania, com Luciano.
O tucano cita os outros quadros da federação e tenta despistar afirmando que a pretensão é "construir o melhor projeto". Porém, não esconde a empolgação sobre a pré-candidatura. "Estou muito animado, motivadíssimo. É óbvio que se for meu nome, aceitarei. Mas estamos trabalhando por um projeto, com um programa de governo ambicioso e sem radicalismo", garante.
O décimo terceiro cotado é o coronel Ramalho, que também tem sido cogitado nos bastidores para a corrida em Vila Velha. Por conta disso, sua pré-candidatura em Vitória ainda é vista com ceticismo por muitas lideranças. O presidente estadual do Podemos, deputado federal Gilson Daniel, assegura que o secretário estadual da Segurança "é uma liderança do partido, uma referência", embora o nome dele na disputa para prefeito de Vitória ainda não esteja fechado.
Ao longo dos próximos 12 meses, muitas reuniões e discussões devem ocorrer no âmbito dos partidos e entre as lideranças locais e estaduais, consolidando alguns dos nomes apresentados ou provando que alguns deles são apenas "balão de ensaio", ou seja, estão sendo citados pelas legendas somente para que sejam avaliados.