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Fim de uma era ou um novo capítulo?

Eleições 2024: sem definição de Vidigal e Audifax, Serra tem 10 cotados

O atual e o ex-prefeito se revezam desde 1997 no comando do município; com incerteza sobre a presença deles na disputa municipal do próximo ano, há outros oito pré-candidatos até agora

Publicado em 31 de Agosto de 2023 às 18:00

Ednalva Andrade

Publicado em 

31 ago 2023 às 18:00
Cotados para a disputa eleitoral da Serra em 2024
Cotados para a disputa eleitoral da Serra em 2024 Crédito: Arte Geraldo Neto
A disputa pela Prefeitura da Serra, no próximo ano, pode ser o início de uma nova era ou apenas um novo capítulo na história recente do município, a depender das decisões do atual prefeito, Sergio Vidigal (PDT), e do ex-prefeito Audifax Barcelos (sem partido) de serem ou não candidatos à gestão municipal mais uma vez. Desde 1997, eles se revezam à frente do Executivo, somando sete mandatos consecutivos, dos quais três de Audifax e quatro de Vidigal.
Eles se movimentam como pré-candidatos, são vistos como tal, mas, sem verbalizarem que vão concorrer, outros oito nomes se colocam como interessados na disputa pelo comando da Serra, somando 10 prováveis concorrentes em 2024. Esse número pode recuar bastante se os dois confirmarem participação na disputa e, se ficarem de fora, a expectativa é de mais nomes na corrida.
O ponto mais explorado pelos postulantes que se apresentam como alternativa a essa dicotomia Vidigal-Audifax é a defesa de renovação no município. Esse discurso foi adotado integralmente pelo mais novo entre os cotados, tanto em idade quanto em experiência política, o deputado estadual Pablo Muribeca (Patriota), considerado nome certo na disputa, até agora. Ele deve se filiar ao Republicanos em breve, embora também converse com o PSD.
Também confirmam interesse na disputa: o vice-prefeito do município, Thiago Carreiro (União), os deputados estaduais Alexandre Xambinho (Podemos) e Vandinho Leite (PSDB), e o vereador da Serra Igor Elson (PL).
Eleições 2024: sem definição de Vidigal e Audifax, Serra tem 10 cotados
O PT também quer candidatura própria a prefeito da Serra e tem três nomes disputando internamente a vaga: a vereadora Elcimara Loureiro, que oficialmente ainda está filiada ao PP; o ex-deputado estadual e professor Roberto Carlos, e o militante dos Direitos Humanos Gilmar Ferreira. Os três se colocam como pré-candidatos e, se não entrarem em consenso, o candidato da sigla poderá ser decidido em prévias partidárias.

Série Eleições 2024: cotados

Esta reportagem fecha a série de A Gazeta sobre cotados para as eleições de 2024 nos 10 maiores colégios eleitorais do Espírito Santo, publicada ao longo do mês de agosto. Por ordem de eleitorado, são as seguintes cidades: Serra, Vila VelhaCariacicaVitóriaCachoeiro de ItapemirimLinharesGuarapariColatinaSão Mateus e Aracruz. A ordem de publicação dos conteúdos não seguiu o número de eleitores. 

Partidos à espera de Vidigal

Por ser o maior colégio eleitoral do Espírito Santo, com quase 350 mil eleitores, e também o município mais populoso do Estado, com 520 mil habitantes, a Serra desperta o interesse dos partidos e muitos dirigentes têm dialogado com vários cotados à espera de uma definição do cenário, ou melhor, de uma decisão de Vidigal, o que só deve ocorrer no início de 2024.
Por enquanto, PMN, DC, PSD e Republicanos estão próximos de Muribeca. O PT busca diálogo com Psol e Rede, embora esta legenda cogite apoiar Vidigal, se ele confirmar candidatura à reeleição, assim como PSB e Solidariedade. Audifax, que deixou o Rede após disputar o governo do Estado, em 2022, tem 99% de chances de se filiar ao PP e tem mantido proximidade com PL, Novo, Agir, Patriota, PTB e PSDB.
Os tucanos estão numa federação com o Cidadania, mas as duas siglas têm interesses difusos no município. Enquanto o PSDB cogita lançar Vandinho, apoiar Audifax ou até Muribeca, o Cidadania dialoga com Vidigal.

Vidigal é o plano A

Vidigal chegou a dizer no último debate e na primeira entrevista após ser eleito, em 2020, que este seria seu último mandato como prefeito da Serra, algo que repetiu posteriormente e nos primeiros meses deste ano em entrevistas.
Porém, falas e ações do prefeito e do seu grupo político deixam muitas dúvidas sobre o cumprimento dessa promessa. Ele afirmou, em 2020, que a decisão teria sido em família e que, nem ele e nem a sua esposa, a ex-deputada Sueli Vidigal (PDT), disputariam novas eleições. Porém, em 2022 ela foi a candidata do prefeito à Câmara dos Deputados. Não conseguiu se eleger, apesar da boa votação.
Mas a decisão que teria levado Sueli a concorrer está diretamente ligada a um fato que também pode embasar a quebra de promessa de Vidigal, se ele decidir disputar a reeleição: o rompimento dele com o vice-prefeito, Thiago Carreiro, que era considerada sua primeira aposta de sucessão.
No entanto, hoje Carreiro é um adversário dentro da prefeitura e faz questão de exibir as divergências com o chefe do Executivo em suas redes sociais. Tem mantido, inclusive, muita proximidade com Muribeca, que já fazia oposição ferrenha a Vidigal desde os tempos de vereador da Serra e manteve isso ao assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado, este ano.
"A cidade entendeu que houve um distanciamento entre mim e o Vidigal. Ele chegou a fazer compromisso público comigo e não cumpriu logo no início do mandato. Respeito, acho que é uma visão dele, mas tenho total liberdade para apresentar um novo projeto para a Serra. Se a cidade entender que é o momento, estou preparado", afirma o vice-prefeito sobre concorrer contra seu ex-parceiro de chapa.
Procurado para comentar sobre a disputa do próximo ano, o prefeito respondeu, via assessoria, que segue focado na gestão e "acredita que o momento de se discutir a eleição é no ano eleitoral". No entanto, lideranças políticas do município e aliados dele ressaltam que Vidigal estaria à procura de um "plano B" para a disputa serrana.
Como maior líder do PDT no Espírito Santo, a opção de Vidigal não deve ser de fora da legenda, caso ele realmente não participe da disputa. Por isso, dois nomes do partido passaram a ser apontados como opções: o jornalista Philipe Lemos, que assumiu a Secretaria Municipal de Turismo em março deste ano afirmando não ter planos eleitorais, e o presidente da Câmara da Serra, Saulinho da Academia (PDT), cuja filiação à legenda foi celebrada em um evento digno de pré-campanha, há algumas semanas.
No entanto, nenhum dos dois é considerado pré-candidato pelo partido, que ainda "tem o desejo que ele (o prefeito) seja candidato à reeleição", como destaca o presidente estadual do PDT e secretário estadual de Turismo, Weverson Meireles. A decisão final, no entanto, caberá ao próprio Vidigal.
"A minha ida para o PDT foi para somar. Sou um soldado do partido e estou com o nome à disposição, mas não houve nenhuma conversa para eu ser candidato a prefeito. O prefeito pode disputar a reeleição. Ele é o plano A", enfatiza Saulinho. 
O presidente da Câmara ainda acrescenta que é complexo falar em renovação e não se pode negar as contribuições dadas pelos dois gestores ao longo das últimas décadas. "Acredito que a Serra pode ter, sim, mais um mandato do prefeito Vidigal, que está fazendo uma boa gestão", avalia.
Aliados do prefeito e lideranças políticas do município ressaltam que Vidigal costuma tomar decisões surpreendentes algumas vezes, como ao escolher Audifax para sucedê-lo, nos idos de 2004, quando outros secretários municipais eram vistos como mais experientes. Vale lembrar que, quatro anos depois, Vidigal deu vários sinais e não foi surpresa quando decidiu disputar a prefeitura pelo PDT, deixando Audifax fora da corrida à reeleição e iniciando o período deles como adversários políticos. 

Guinada à direita

Da mesma forma que Vidigal não confirma participação na disputa de 2024, Audifax também faz o mesmo. Contudo, nas ruas e nas redes sociais ele tem se mostrado com expressão de pré-candidato, com críticas ao adversário e apontando os problemas da cidade.
Procurado para falar sobre seu destino partidário e político, o ex-prefeito não quis se manifestar. Ele dá sinais de que a decisão sobre a disputa eleitoral não está consolidada, mas o futuro partidário é considerado quase certo nas fileiras do PP, embora o PL não esteja completamente descartado.
Para quem foi prefeito da Serra por três siglas da centro-esquerda (PDT, PSB e Rede), a guinada à direita de Audifax é motivo de comentários no meio político e especulações sobre perda de referência entre o eleitorado serrano. Mesmo que não se filie ao partido do senador Magno Malta (PL), o ex-prefeito vai buscar o apoio do PL na Serra, se for candidato.
O PL, por sua vez, já deixou claro os planos de candidatura própria no município. Enquanto aguarda a resposta de Audifax, o partido tem o vereador Igor Elson se movimentando como pré-candidato. Cria do senador e do ex-prefeito, pois trabalhou como assessor de ambos e secretário de Serviços na gestão de Audifax, o parlamentar é uma expressão da política bolsonarista na cidade.
Utiliza suas redes sociais para fazer críticas à atual administração, bem como a tribuna da Câmara da Serra e eventos partidários, a exemplo de quando criticou a realização de um evento LGBT promovido pela prefeitura. Ele é presidente municipal do PL e aguarda definição do diretório estadual sobre os próximos passos da sigla na Serra.
"Me coloco como pré-candidato com muita coragem para combater a velha política, o coronelismo e o crime organizado, principalmente o crime do colarinho branco. Vamos dialogar com a direita e centro-direita", frisa o vereador, que cita Audifax, o PP e o Novo entre os interlocutores dessas conversas.

Renovação conservadora

Enquanto as duas maiores lideranças da Serra ainda são motivo de incerteza na disputa, o deputado Muribeca age, fala e posta como pré-candidato, seja em suas redes sociais, seja usando o plenário da Assembleia. Aproveitando-se de uma parcela significativa da população que estaria interessada em pôr fim à era Vidigal-Audifax, ele se apresenta como o maior defensor da renovação no município. 
Ele aguarda liberação oficial do Patriota para decidir o destino partidário. Afirma que ainda estaria entre Republicanos e PSD, mas até a sua foto de perfil no WhatsApp é ao lado do presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, com quem tem sido visto circulando de forma recorrente. 
O Republicanos também teria o deputado federal Amaro Neto como opção no município, já que ele se colocou à disposição da legenda. Recentemente, ele, Muribeca e Erick posaram juntos, após uma conversa na sede do partido, e Amaro confirma o provável futuro do Republicanos na disputa da Serra, se nada de extraordinário acontecer na política até as eleições.
"Permaneço à disposição do partido, meu título é da Serra desde 2020. Caso ele (Pablo Muribeca) se filie ao Republicanos, ele será o nosso candidato a prefeito da Serra", garante Amaro.
Mesmo alinhado com partidos de centro-direita e direita e falas conservadoras, o deputado estadual está na base do governador Renato Casagrande e quer contar com o apoio do seu partido, o PSB. O presidente estadual da legenda, Alberto Gavini, esclarece que a tendência é apoiar Vidigal, se ele for candidato, mas a sigla não tem compromisso com pessoa indicada pelo prefeito.
"Seria muito importante ter o PSB conosco. É nossa vontade unir a cidade com as pessoas que queiram construir uma nova cidade. Estou à disposição para conversar com qualquer ator político que queira uma cidade mais produtiva. Não vamos conversar com o PDT, que foi o nosso opositor", afirma Muribeca.
O enfrentamento entre o deputado e o grupo do prefeito tem ficado cada vez mais evidente. Na época em que Saulinho ainda era seu correligionário no Patriota, o deputado foi expulso do plenário do Legislativo municipal. Nos últimos dias, o plenário da Câmara foi apontado como indisponível para atividades de comissão do Legislativo estadual que o deputado queria levar para lá, já com Saulinho no PDT.
Outros dois deputados da base de Casagrande também são possíveis candidatos no município, Xambinho e Vandinho. Os três parlamentares têm em comum o fato de serem defensores de pautas conservadoras. Mas, diferentemente do anterior, a candidatura desses dois pode vingar ou não, dependendo da decisão do atual prefeito e do ex-prefeito.
Enquanto Xambinho está mais próximo de Vidigal e tem até esperança de ser o nome do prefeito para a sucessão, se ele decidir se aposentar da política, Vandinho tem diálogo aberto com o ex-prefeito e com Muribeca.
"Tenho dialogado com o Sergio (Vidigal) e ele, até o momento, não se colocou como candidato. Então, abre espaço para eu colocar meu nome como pré-candidato. Vou liderar um movimento nos bairros para debater um novo modelo de gestão para a cidade", pontua Xambinho.
Já Vandinho aguarda resolver as questões internas do PSDB antes de discutir o processo eleitoral na Serra. Ele vai concorrer à reeleição da presidência estadual do partido no próximo mês. Mesmo assim, não demonstra tanta empolgação com a disputa municipal, se houver muitos concorrentes, como os nove de 2020, ou ainda se o prefeito e o ex-prefeito confirmarem participação na eleição.
COTADOS SERRA-PERFIL de (Núcleo de Reportagem de A Gazeta)

Três em um

Os três nomes que se apresentam no PT como pré-candidatos ainda vão discutir como reduzir esse número para um. A vereadora Elcimara Loureiro, embora ainda esteja formalmente ligada ao PP, já participa de todas as atividades partidárias petistas e é vista como a mais provável concorrente, uma vez que teria o apoio de correntes internas mais fortes dentro do PT.
Ela defende que a decisão ocorra a partir do diálogo, assim como Gilmar Ferreira. Já o professor Roberto Carlos está disposto a enfrentar prévias para ser candidato a prefeito da Serra, algo que já foi especulado outras vezes, mas nunca conseguiu efetivar. "Quero apresentar proposta para a cidade. Vou começar a debater a cidade e lá na frente quem reunir melhores condições, a gente faz as prévias e define", observa o professor. Atualmente, ele trabalha como assessor do senador Fabiano Contarato (PT).
A vereadora, por sua vez, se divide entre uma trajetória ligada a Audifax, de cuja gestão participou como secretária municipal de Assistência Social, e atualmente é aliada de Vidigal na Câmara da Serra. A sua ida para o PT já está acertada, mas faltam as formalidades burocráticas para que não perca o mandato. O partido hoje não tem mandatário no Legislativo serrano.
"Continuo com diálogo com Vidigal. Me considero aliada do prefeito, mas estamos falando de uma eleição no ano que vem. O prefeito não tem certeza se vai ser candidato ou não. Nesse vácuo, a gente começa a perceber um movimento em torno de uma terceira via, em torno de um novo modelo de gestão. Não estou rompendo nem com Audifax, nem com Vidigal, mas estamos falando de uma possibilidade de uma terceira via", assinala.
Os petistas se veem motivados com a volta do PT a governar o país com o presidente Lula. Gilmar ressalta que mais importante do que definir o nome é que ele tenha um projeto para a cidade e um plano de governo com diretrizes bem definidas, que contemple os direitos humanos. "Sou tão pré-candidato quanto os demais", enfatiza o ex-presidente do Conselho Estadual dos Direitos Humanos.
Com a guinada de Audifax à direita e o afastamento de Vidigal do PT durante a atual administração, o presidente municipal da legenda, Miguel Junior, assegura que "hoje o PT da Serra não trabalha com a possibilidade de não ter candidatura própria". "Só se for uma imposição externa", complementa.
Essa imposição a que o dirigente partidário se refere pode vir de negociações de apoio em outros municípios onde o partido tiver candidatura mais competitiva. Porém, tudo vai depender do cenário eleitoral que se confirmar no próximo ano. Este é apenas o retrato do momento.

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