Moradora de Vila Velha e autodenominada patriota, a empreendedora capixaba Terezinha Locatelli, 55 anos, está entre os presos após ato golpista e quebra-quebra promovido nas sedes dos Três Poderes, em Brasília, no último domingo (8). Em suas redes sociais, ela postou fotos no acampamento montado na Praça dos Cristais, ao lado do Quartel General do Exército da capital federal no dia dos ataques antidemocráticos.
Nesta quarta-feira (11), a Polícia Federal terminou os depoimentos dos bolsonaristas envolvidos na depredação e, segundo informações da Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal divulgadas pela "Folha de S. Paulo", 1.159 pessoas foram encaminhadas para a prisão por ordem do ministro Alexandre de Moraes.
Terezinha foi levada para a Colmeia, a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, após deixar a Academia da Polícia Federal, em Brasília. O nome dela constava na lista de presos desde a manhã de terça-feira (10). Sua última postagem nas redes sociais foi registrada na noite de segunda-feira (9).
Em uma das postagens feitas após os atos terroristas ocorridos na Praça dos Três Poderes, ela escreveu “Nós somos assim. Não somos baderneiros”, em referência a um vídeo com uma tarja dizendo que “manifestantes patriotas pedem para não quebrar nada”, enquanto o Congresso Nacional é invadido e depredado por diversas pessoas.
Empreendedora capixaba que esteve em ato na Prainha está entre presos no DF
Ela, no entanto, restringiu as imagens em que aparecia na Praça dos Cristais, inclusive uma em que afirma “É só isso que queremos” na legenda de uma foto em que está apontando para uma faixa pedindo “intervenção militar, destituição dos três poderes constitucionais e cancelamento das eleições”.
Defensora ferrenha do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ela tem diversas postagens no Facebook identificadas como sendo informação falsa. Uma delas, publicada quase dois meses após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), utiliza um vídeo satírico para “comprovar” que a esquerda produziu pesquisas eleitorais falsas em benefício de Lula. A informação de que o vídeo divulgado era uma sátira já havia sido checada em outubro de 2022.
Nas publicações mais recentes, quando sua imagem já circulava nas redes sociais entre as pessoas que estiveram na manifestação golpista que resultou na destruição da sede do Supremo Tribunal Federal (STF), do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto, Terezinha passou a responder a alguns comentários. Em uma dessas respostas, ela disse que não conhecia a autora do comentário e afirmou: “Não destruí nada, não sou desse tipo”.
A autônoma, que tem registro de uma peixaria em seu nome na Ponta da Fruta, em Vila Velha, também era presença frequente no acampamento golpista montado por bolsonaristas em frente ao 38º Batalhão de Infantaria do Exército, na Prainha. Em uma das visitas, postou foto segurando a bandeira do Brasil. Em outra, postou foto ao lado de familiares e escreveu o slogan utilizado pelo ex-presidente: “Deus, pátria e família”.
A reportagem de A Gazeta ligou para os telefones registrados em nome de Terezinha e da peixaria, mas não conseguiu contato com nenhum familiar dela. Também não foi localizado contato da defesa de Terezinha. Caso isso ocorra, este texto será atualizado.
Lista com bolsonaristas presos
A lista com as pessoas presas em virtude dos fatos ocorridos na Praça do Três Poderes no domingo foi disponibilizada pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Distrito Federal. Veja a lista com atualização até as 20 horas desta quarta-feira (11).
Não há informações sobre o Estado de origem dos presos na lista e, por isso, não é possível afirmar quantos capixabas ou pessoas que saíram do Espírito Santo para participar dos atos do último domingo estão na relação. A reportagem apurou que mais de 20 passaram pelo ginásio da Academia da Polícia Federal, mas, desde terça-feira (10), mais de 600 bolsonaristas foram liberados pela Polícia Federal.
Há ainda, pessoas que participaram dos atos e retornaram para suas casas em outros meios de transporte diferentes dos ônibus utilizados na viagem. Um ônibus com passageiros do Espírito Santo que voltava de Brasília foi apreendido pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Sete Lagoas, Minas Gerais, na segunda-feira (9). De acordo com a PRF mineira, o veículo foi escoltado até a sede da Polícia Federal em Belo Horizonte, mas não foram repassadas informações sobre a quantidade de ocupantes, e a PF não respondeu a destinação deles após chegarem ao local.
As pessoas presas por participação nos atos golpistas e de vandalismo do último domingo podem responder pela prática dos crimes previstos na Lei Antiterrorismo (Lei 13.260/2016), além dos crimes previstos no Código Penal: ameaça, perseguição, incitação ao crime, associação criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.