Os dois empresários foragidos da Justiça, supostamente envolvidos com um esquema de corrupção na Prefeitura de Pedro Canário, no Norte do Espírito Santo, se apresentaram à delegacia segunda-feira (25) e foram encaminhados ao Centro de Detenção Provisória de São Mateus.
As investigações da Polícia Federal apontaram que Adair Vizentini Narcizo e Paulo César Oliveira Gama, juntamente com o secretário de Cultura Fúlvio Trindade de Almeida, teriam participado de uma fraude na licitação de brinquedos infláveis para lesar os cofres públicos.
Quem são os investigados:
- Adair Vizentini Narcizo - Empresário
- Paulo César Oliveira Gama - Empresário
- Fúlvio Trindade de Almeida - Secretário
A Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) informou, nesta terça-feira (26), que os dois empresários foram encaminhados ao Centro de Detenção de São Mateus. Já o secretário foi transferido dessa unidade para a Penitenciária de Segurança Média 1, em Viana. A entrada dos três foi pelo artigo 317 do Código Penal (solicitar ou receber para si ou outra pessoa, direta ou indiretamente, vantagem indevida ou aceitar promessa de tal vantagem).
O secretário, inclusive, foi afastado do cargo por tempo indeterminado, conforme decreto publicado pelo prefeito Kleilson Rezende (PSB) no Diário Oficial dos Municípios.
A reportagem tenta contato com a defesa dos empresários e do secretário.
Como funcionava o esquema
O delegado da Polícia Federal de São Mateus, Leonardo Guimarães, explicou que o caso foi descoberto a partir da Operação Fun House, realizada em dezembro de 2024, quando foi observada a contratação de brinquedos infláveis pelas prefeituras de Pedro Canário e São Mateus.
Ficou constatado que a Secretaria de Cultura de Pedro Canário havia contratado uma empresa para fornecer esses equipamentos, mas o serviço era, na verdade, realizado por outra pessoa e parte do valor do contratado era usado no pagamento de propina ao secretário.
Os contratos apurados pela Polícia Federal foram firmados no fim de 2024 e chegam a R$ 700 mil, mesmo valor que a corporação solicitou para ser bloqueada entre os bens dos investigados. Durante a operação, também foi apreendido um veículo.
“A gente teve acesso a esses elementos de prova de outra investigação. Lá, conseguimos identificar pagamentos de empresários para esse secretário de Cultura. Uma empresa foi contratada, mas o serviço era feito por outra pessoa. Foi uma contratação pública para brinquedos para eventos e datas comemorativas”, contextualizou.