Membro titular da CPI do Crime Organizado, o senador Marcos do Val (Podemos) elaborou uma lista com nomes de autoridades e criminosos que poderão ser ouvidos durante os trabalhos da comissão, que foi instalada nesta terça-feira (4) no Senado Federal. Até mesmo um foragido, que consta no rol de procurados da Interpol, foi relacionado pelo capixaba. Confira:
- Lincoln Gakiya: promotor de Justiça de São Paulo;
- Wilmar René Gonçalves Alonso: coronel da Polícia Militar do Rio de Janeiro (atuação no Batalhão de Operações Especiais – Bope/RJ)
- Diógenes Viegas Dalle Lucca: major da reserva da Polícia Militar de São Paulo (um dos fundadores do Grupo de Ações Táticas Especiais – Gate/SP)
- Guilherme Derrite: deputado federal e secretário de Segurança Pública de São Paulo;
- Elvis Aparecido Secco: delegado da Polícia Federal;
- Rodrigo Pimentel: ex-policial da Polícia Militar do Rio de Janeiro e consultor em segurança pública (atuou como capitão do Bope/RJ);
- Carlos Eduardo Ribeiro Lemos: Juiz capixaba e professor de Direito Penal;
- Roberto Augusto Leme da Silva (Beto Louco): apontado como principal responsável por uma rede de fraudes fiscais e contábeis, operador do eixo combustíveis/fina;
- Júlio César Guedes de Moraes (Julinho Carambola): condenado a mais de 168 anos de prisão, braço direito de Marcola;
- Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior (Marcolinha): conhecido dentro do Primeiro Comando da Capital (PCC) por atuar como interlocutor com o Comando Vermelho (CV), irmão de Marcola.
- Marco Willians Herbas Camacho (“Marcola”): líder máximo do PCC (Sintonia Final);
- Gilberto Aparecido dos Santos (“Fuminho”): braço direito de Marcola, logística internacional;
- André Oliveira Macedo (“André do Rap”): liderança logística de drogas e rotas, foragido com alerta vermelho Interpol, ordem de captura internacional ativa (Paraguai/Bolívia).
Para organizar a listagem, Do Val conta que adotou a seguinte lógica:
- 1º - autoridades que atuam na área de segurança pública e Judiciário;
- 2º - presos envolvidos com o crime organizado;
- 3º - foragido da Justiça.
Com as autoridades, Do Val avalia que pode ter um ponto de partida para os trabalhos da CPI pelo conhecimento que detêm de facções e outros grupos criminosos. "Assim, não precisamos partir do zero", argumenta.
Já entre os condenados, que poderão ser interrogados por videochamada, o senador espera que possam dar pistas da atuação do crime organizado, mesma expectativa em relação ao foragido André do Rap.
Identificado por Do Val como liderança logística de drogas e rotas, com ordem de captura internacional e alerta máximo da Interpol, André do Rap é procurado há cinco anos. Reportagem do G1 no mês passado revela que as forças de segurança já verificaram mais de 40 lugares no Brasil e no exterior à procura do traficante do Primeiro Comando da Capital (PCC), até hoje sem sucesso.
Questionado sobre a dificuldade de convocar um foragido, Do Val afirma que, na CPI, a sua ideia é que os membros sejam divididos antes das oitivas dos grupos. Assim, enquanto alguns senadores podem ouvir autoridades e presos, caberá a ele tentar localizar André do Rap. O senador capixaba diz que tem boas relações com organismos internacionais e é com base nessa proximidade que aposta que terá êxito, não apenas em encontrar o traficante, mas de colocá-lo para depor na comissão.
A lista, segundo Do Val, foi preparada, mas ainda será inserida por sua equipe no sistema do Senado Federal para os trabalhos da CPI.
Presidência com outro capixaba
A CPI do Crime Organizado elegeu o senador capixaba Fabiano Contarato (PT) para presidir a comissão. Alessandro Vieira (MDB-SE), autor do requerimento de criação da comissão, será o relator. A vitória governista se consolidou após trocar na composição do colegiado. Magno Malta (PL) também é membro titular da CPI, mas está de licença médica e será substituído, temporariamente, pelo suplente Eduardo Girão (Novo-CE).
A finalidade da comissão é apurar a atuação, expansão e o funcionamento de organizações criminosas no território brasileiro, em especial de facções e milícias. O trabalho do colegiado deve subsidiar propostas de aperfeiçoamento legislativo e ações concretas de enfrentamento ao crime organizado.
Em pronunciamento logo após a votação, o senador capixaba afirmou assume a presidência "com senso de urgência e responsabilidade". "Nosso papel é avançar na construção de soluções. A segurança pública se tornou a principal preocupação da população brasileira, que vê seus direitos sendo violados diariamente. O Estado tem o dever de reagir, e essa reação passa por mudanças estruturais na legislação e no modelo atual de combate ao crime”, afirmou Contarato.
Depois, em entrevista para A Gazeta, reforçou a importância de o debate sobre segurança pública acontecer fora do campo da direita e do conservadorismo.
"Passou da hora de o campo progressista compreender que segurança pública não é pauta exclusiva da direita ou de uma ala conservadora. É um dever de todo o Estado."