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Após alerta de Doria

Não há risco à democracia por parte da PMES, diz secretário de Segurança

Governador de São Paulo, João Doria, alertou colegas, como Casagrande, quanto ao "crescimento de movimento autoritário" nas forças policiais. Coronel Ramalho diz que setor de Inteligência está de olho

Publicado em 25 de Agosto de 2021 às 02:00

Letícia Gonçalves

Publicado em 

25 ago 2021 às 02:00
Coronel da PMES Alexandre Ramalho
Coronel Alexandre Ramalho, secretário de Estado da Segurança Pública do Espírito Santo Crédito: Divulgação/PMES
Não há risco à democracia por parte da PMES, diz secretário de Segurança
O governador de São Paulo, João Doria, alertou, na segunda-feira (23), os colegas de outros Estados sobre o risco de que policiais, logo, pessoas armadas, atuem para "emparedar governadores e prefeitos" na esteira das manifestações bolsonaristas convocadas para o dia 7 de setembro.
O secretário de Estado da Segurança Pública do Espírito Santo e ex-comandante da PMES, coronel Alexandre Ramalho, no entanto, afirmou à reportagem que não há risco de tal ruptura em terras capixabas.
"As Inteligências de todo o sistema de Segurança Pública acompanham e monitoram situações que possam prejudicar o bom andamento da democracia. Não temos nenhum indício dessa natureza"
Alexandre Ramalho - Coronel da PM e secretário de Estado da Segurança Pública
"Confiamos nos nossos profissionais e primamos pelo respeito, ética, disciplina e hierarquia", complementou.
Ramalho chefiava o Comando de Polícia Ostensiva Metropolitano (CPOM) quando, em 2017, houve a greve da PM no Espírito Santo. Viu de perto, portanto, a quebra da ética, da disciplina e da hierarquia.
O movimento, ilegal – policiais militares são proibidos de fazer greve – foi motivado por reivindicações salariais. O subsídio de um soldado da PM, ao menos à época, era o mais baixo do país.
Um reajuste já foi concedido, mas o tema, principalmente quanto à recomposição devido a perdas inflacionárias, ainda é motivo de debate entre o governo do Estado e associações que representam os militares estaduais.
O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), participou, de forma virtual, da reunião entre governadores nesta segunda e ouviu o alerta de Doria:
"Creiam, isso pode acontecer no seu estado. Aqui (em São Paulo) nós temos a inteligência da Polícia Civil, que indica claramente o crescimento desse movimento autoritário para criar limitações e restrições, com emparedamento de governadores e prefeitos".
O tucano afastou das funções, também na segunda-feira, o chefe do Comando de Policiamento do Interior-7, de Sorocaba, coronel Aleksander Lacerda. O oficial publicou, em redes sociais, mensagens de convocação para a manifestação bolsonarista do dia 7, com insultos a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e ao próprio Doria, ao qual a PM paulista está subordinada.
Os governadores até ensaiaram divulgar uma carta conjunta contra as ameaças que o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido) tem feito à democracia, como em relação à possibilidade de não haver eleições em 2022 e ao emparedamento, por enquanto, apenas verborrágico, de instituições como o STF e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
De acordo com o colunista Bernardo Mello Franco, de O Globo, no entanto, o grupo recuou, frente à resistência de governadores bolsonaristas: Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Carlos Moisés (PSL-SC).
Casagrande foi procurado pela reportagem de A Gazeta, mas preferiu não conceder entrevista sobre o assunto. Em 2019, pouco após assumir o governo, o socialista anistiou administrativamente, com anuência da Assembleia Legislativa, os acusados de participação na greve de 2017.
No Instagram, Casagrande publicou, nesta segunda: "Nenhum país prosperou em um ambiente com instabilidade institucional. Precisamos ter respeito dentro das divergências para não alimentar a fuga de oportunidades, que poderiam estar impulsionando a geração de mais empregos nesse momento duro para as pessoas que mais precisam".
Já o ex-governador Paulo Hartung (sem partido), que comandava o Executivo estadual na época da greve da PM, afirmou, ao jornal Folha de S. Paulo. que "alguns governadores do presente e do passado" foram coniventes com a politização das polícias.

PRESIDENTE DA OAB-ES: "O LIMITE DA MANIFESTAÇÃO É A PRÁTICA DE UM CRIME"

Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) tem, historicamente, um papel de defesa da democracia no país. No Espírito Santo, o presidente da seccional, José Carlos Rizk Filho, avalia que não há risco de uma nova insubordinação entre policiais militares.
Ele ressaltou, também, que o direito à livre manifestação não quer dizer que se possa ameaçar pessoas ou incitar o cometimento de crimes. O cantor Sérgio Reis, por exemplo, exortou caminhoneiros e fãs a invadir o STF, "quebrar tudo e tirar os caras na marra". Foi processado e pediu desculpas.
As críticas aos ministros do Supremo, principalmente Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, têm sido uma constante por parte de Bolsonaro e apoiadores, em meio à CPI da Covid e suspeitas de corrupção que pairam sobre o governo federal. Outro tema insuflado é a adoção do voto impresso, já refutado pela Câmara dos Deputados.
"As pessoas estão achando que pode falar que vai matar o outro, que vai estuprar a filha de alguém", afirmou Rizk Filho.
"Essa ignorância faz com que seja necessária uma atuação firme do Judiciário.
O limite à manifestação é a prática de algum crime. O debate contra a gestão do Bolsonaro, ou a favor, é legítimo, desde que não descambe para ameaça a ministro do STF", exemplificou o presidente da OAB-ES.
Além disso, vale frisar: manifestações de cunho político-partidário são proibidas aos militares.

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