As prisões da prefeita Amanda Quinta (PSDB) e, principalmente do companheiro dela, o ex-secretário de Desenvolvimento Econômico José Augusto de Paiva (MDB), redesenharam o cenário eleitoral de Presidente Kennedy para 2020. Mesmo com a chacoalhada, brigas entre e dentro de famílias devem mais uma vez dar o tom da corrida eleitoral.
José Augusto exerce forte influência sobre a gestão e sobre a própria companheira. É ele, segundo a classe política da cidade, quem definia as questões administrativas. Segundo a Operação Rubi, também era o líder do esquema criminoso.
Tornou-se mais importante que a própria Amanda e, até então, estava se preparando para ser o candidato da continuidade do pleito de 2020.
Vice de Amanda e hoje interino, Dorlei Fontão (PSD) faz parte do grupo. Em entrevista, preferiu não se definir como aliado e até alfinetou José Augusto e Amanda quando perguntado sobre a influência do primeiro sobre a prefeita.
Acho que não é bom para a cidade. Se eu fui eleito, não pode o pessoal ficar falando que minha mulher ou meu filho é que são
Havia uma possibilidade de Amanda renunciar ao cargo há seis meses da eleição para que Dorlei assumisse e ela fosse fazer campanha para José Augusto.
O interino confirma que essa conversa foi aventada na cidade, mas que ninguém jamais tratou sobre o tema com ele.
Em entrevista, Dorlei admitiu que pode disputar a prefeitura no ano que vem. Inclusive, faz planos que só poderá executar caso fique no cargo por mais do que os 60 dias iniciais de afastamento determinado para Amanda.
O interino também garantiu que passava semanas sem se encontrar com a prefeita e que desempenhava atividades à parte, em outro prédio. Fez, ainda, um aceno à Câmara, cuja maioria é oposicionista.
"Quero fazer uma parceria junto com a Câmara, quero governar com a parceria da Câmara. Não podemos trabalhar com desentendimento. O município não pode parar. E eles são parceiros para não deixar parar", disse.
Contudo, apesar de sinalizar algum distanciamento dos gestores que foram parar na cadeia, o posicionamento pode ser apenas pragmático.
Sinal disso é que ele escolheu, para a secretaria que era de José Augusto, Josélio Altoé, ex-chefe da pasta e ex-chefe de gabinete de Amanda Quinta.
Vereador por quatro mandatos, Dorlei chegou a ser afastado da Câmara, em 2012, quando a Operação Lee Oswald levou o então prefeito Reginaldo Quinta (DEM) para a cadeia.
Era investigado um esquema de fraude em licitações e quatro vereadores eram acusados de agir para blindar Reginaldo.
O ex-prefeito, aliás, se prepara para tentar, novamente, retomar a administração. Quem garante é outra sobrinha dele, Geovana Quinta, considerada braço direito e conselheira do tio.
"Será candidato, sim. Não tem nada hoje que atrapalhe a candidatura dele a prefeito", frisou.
Apesar do racha familiar, Geovana prestou solidariedade à prima quando ela foi presa. "Deus me deu um coração bom e capaz de amar o próximo. Fico triste com tudo o que aconteceu e tenho a consciência limpa de jamais ter prejudicado alguém", escreveu em uma rede social.
Os Quinta se dividiram em 2016. Desgastado pela Lee Oswald, Reginaldo desistiu da reeleição e lançou a Amanda em 2012. Quatro anos depois, já com José Augusto, ela não recuou em favor do tio. Ambos acabaram concorrendo nas urnas e Amanda foi reeleita.
OUTRA FAMÍLIA
Paralelamente, também corre a família Viana. Ex-presidente da Câmara e vereador duas vezes, Vianei Viana (PSB) tem o apoio providencial do filho, Thiago Viana (Podemos), o atual presidente da Casa.
"A operação que teve já era esperada. A solução para Kennedy é a seriedade, algo que sempre peço a meu filho. E precisamos de um distrito industrial", disse o socialista.