O secretário de Cultura de Pedro Canário, Fúlvio Trindade de Almeida, que também é advogado, não poderia estar exercendo a advocacia enquanto ocupante de cargo público num quadro de direção ou administração. No entanto, enquanto chefiava a pasta, ele atuou na defesa do policial militar, Denis Marchiore,
investigado pela morte de um adolescente neste ano em São Mateus.
Em nota enviada à reportagem de A Gazeta nesta quinta-feira (21), a Ordem dos Advogados do Brasil no Espírito Santo (OAB-ES) afirmou que os profissionais de Direito são impedidos de advogar quando atuam no comando de algum órgão público, mas que, ainda assim, a inscrição de Fúlvio se mantinha ativa na ordem.
Questionada se o secretário pode sofrer alguma punição, a OAB-ES informou que faz fiscalizações, mas ao receber alguma denúncia sobre a atuação irregular de advogados, age por meio do Tribunal de Ética e Disciplina (TED) para apurar o caso e tomar as medidas necessárias.
Fúlvio chegou a dar entrevista para a reportagem de A Gazeta em julho deste ano, quando o policial foi preso, alegando que o cliente era inocente e havia se colocado espontaneamente à disposição da autoridade policial para prestar esclarecimentos.
No Portal da Transparência de Pedro Canário, há a informação de que Fúlvio foi admitido como secretário de Cultura em 2 de janeiro deste ano. No entanto, ele já chefiou outras pastas do município em anos anteriores, de acordo com portarias assinadas por ele mesmo e publicadas no Diário Oficial dos Municípios. Há atos de 2025, 2024 e 2021.
A Prefeitura de Pedro Canário foi questionada por A Gazeta se tinha conhecimento e se permitia a atuação de Fúlvio como advogado, mas não obteve retorno até o fechamento do texto.
Preso por suspeita de corrupção, Fúlvio Trindade de Almeida, foi admitido no cargo comissionado para comandar a pasta em 2 de janeiro de 2025, com salário de R$ 5.286,58. Mas, antes de assumir a função, ele, que também é advogado, ocupou outros postos na prefeitura da cidade. Almeida foi alvo de mandado de prisão, cumprido pela Polícia Federal, na última quarta-feira (20).
Conforme informações extraídas do Diário dos Municípios, antes de comandar a Secretaria Municipal de Cultura, Fúlvio passou pelo comando da Secretaria de Governo, interinamente. Em seu perfil no LinkedIn, ele também afirma que comandou as secretarias de Administração e Esporte e Lazer, além de ter sido chefe de gabinete.
Outros dois alvos dos mandados de prisão, empresários supostamente envolvidos nos esquemas de fraude, são considerados foragidos e podem ser presos a qualquer momento. Também foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão.
O objetivo da operação é combater crimes de corrupção, fraude em licitações e lavagem de dinheiro na Região Norte capixaba. Durante as buscas, diversas mídias e documentos foram apreendidos e serão submetidos à perícia para aprofundamento das investigações, visando à apuração de eventuais outros envolvidos e à elucidação dos fatos.
A reportagem de A Gazeta tenta contato com a defesa de Fúlvio Trindade.