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Eleições 2022

Última vez que presidente não compareceu à posse do sucessor foi há 37 anos

Silêncio de Bolsonaro após a derrota abre dúvida se vai haver entrega da faixa presidencial ao sucessor eleito, Lula, no dia 1° de janeiro de 2023

Publicado em 31 de Outubro de 2022 às 18:37

Julia Paranhos

Publicado em 

31 out 2022 às 18:37
O silêncio de Jair Bolsonaro (PL), após a derrota nas eleições, abriu dúvida se vai haver a solenidade de entrega da faixa presidencial  para o sucessor eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na história do Brasil, o último presidente a se recusar a comparecer à posse do sucessor foi o general João Batista Figueiredo, ao fim da ditadura militar, em 1985.
Ex-presidente João Figueiredo (1979-1985)
João Figueiredo governou o Brasil entre 1979 e 1985 Crédito: Reprodução
Último presidente da ditadura brasileira, Figueiredo governou o país entre 1979 e 1985. Ele seria substituído por Tancredo Neves, escolhido de forma indireta pelo Congresso Nacional, com a missão de dar início à redemocratização do Brasil, após 21 anos de governos militares. Porém, o presidente eleito foi hospitalizado em 14 de março de 1985, na véspera da cerimônia de posse, com um quadro de diverticulite — doença inflamatória no intestino grosso. Ele morreu pouco mais de um mês depois, em 21 de abril.
Com isso, o vice eleito, José Sarney, participou da cerimônia de posse e assumiu o comando do país. Figueiredo, porém, se recusou a participar da solenidade e entregar a faixa presidencial.
Em entrevista à revista IstoÉ, em 1999 — um pouco antes de sua morte —, Figueiredo explicou a razão de não ter ido à solenidade para passar a faixa para Sarney. "Ele sempre foi um fraco, um carreirista. De puxa-saco passou a traidor. Por isso não passei a faixa presidencial para aquela pulha. Não cabia a ele assumir a Presidência", disse.
Figueiredo referiu-se ao fato de Sarney ter apoiado os governos militares, inclusive assumindo a presidência da Arena — partido criado em 1985 para dar sustentação política à ditadura militar. Depois, migrou para o PDS. Mas saiu de lá em 1984 por não concordar com a indicação de Paulo Maluf, feita por João Figueiredo, para concorrer na eleição indireta à presidência. Sarney, então, acabou aceitando ser vice na chapa de Tancredo Neves, indo para o lado da oposição às Forças Armadas.
Após a rivalidade com João Figueiredo, Sarney foi a cerimônia de posse de Fernando Collor, eleito em 1989. A entrega da faixa presidencial foi realizada em 15 de março de 1990. 
Collor, porém, não ficou muito tempo no poder. Após sofrer impeachment e renunciar no fim de 1992, deu lugar a seu vice, Itamar Franco, que assumiu a Presidência sem receber a faixa do antecessor. 
Nas eleições seguintes, as cerimônias de posse transcorreram de forma rotineira. Itamar passou a faixa para Fernando Henrique Cardoso, eleito em 1994. Depois de dois mandatos como presidente, FHC passou o poder para Luiz Inácio Lula da Silva, em solenidade no dia 1º de janeiro de 2003.
Lula recebe a faixa presidencial de Fernando Henrique, em 1º de janeiro de 2003 Crédito: CELSO JUNIOR / Agência Estado
Lula, que também esteve à frente do país por dois mandatos consecutivos, passou a faixa para Dilma Rousseff, em 1º de janeiro de 2011. Reeleita em 2014, a primeira mulher a chegar à Presidência sofreu impeachment em 2016. Assim, o vice, Michel Temer, assumiu o cargo também sem receber a faixa das mãos da antecessora.
Temer compareceu à cerimônia de posse do sucessor, Jair Bolsonaro, eleito em 2018. Agora, 37 anos de Figueiredo ter deixado de entregar, por vontade própria, a faixa a Sarney, a tradição mais uma vez corre o risco de ser interrompida, com a possível ausência de Bolsonaro na posse de Lula, marcada para 1º de janeiro de 2023.
Em declarações recentes aos apoiadores, o atual presidente afirmou que só entregaria a faixa se disputasse o que chamou de “eleições limpas”. Dessa forma, Bolsonaro pode repetir a atitude do ex-presidente norte-americano Donald Trump, de quem sempre foi admirador.
O republicano não compareceu à cerimônia de posse do seu sucessor, o democrata Joe Biden, após uma eleição marcada pelo clima de tensão, que culminou com a invasão do Capitólio — sede do poder legislativo dos Estados Unidos — por apoiadores de Trump, que não havia reconhecido a derrota nas urnas.

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