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Joelma Cellim
Expressão de fé

Quem foi a freira que montou o primeiro tapete de Corpus Christi no ES

Peça singela, feita por religiosa, há mais de 60 anos, deu início à tradição que atrai milhares de visitantes para a cidade de Castelo, no Sul do Estado

Matheus Passos dos Santos

Reporter

mpsantos@redegazeta.com.br

Publicado em 17 de Junho de 2025 às 19:23

Publicado em

17 jun 2025 às 19:23
Irma Vicência em diferentes fases da vida
Irma Vicência marcou a história de Corpus Christi, de Castelo Crédito: Arquivo Pessoal
Uma vida inteira guiada pela fé. Zuleide Pereira da Silva, conhecida como Irmã Vicência, foi além da vocação religiosa. Virou símbolo da uma celebração que emociona e une gerações em Castelo, no Sul do Espírito Santo.  Foi ela que, em 1963, montou o primeiro tapete, com folhas e flores, em frente à Capela de Nossa Senhora das Graças. Nasceu assim uma tradição que todos os anos transforma as ruas da cidade em obra de arte durante o Corpus Christi e atrai milhares de visitantes.
Além de escrever um capítulo da história de Castelo, Irmã Vicência deixou mudou para sempre a vida das pessoas que cruzaram o seu caminho. 
Maria Vicência Tosi carrega o nome da religiosa que ajudou a salvar a vida dela e da mãe.  “Eu nasci pelas mãos da Irmã Vicência. Ela era muito amiga da minha família. Minha mãe, em homenagem a ela, me batizou com o nome dela. Fui muito acompanhada pela irmã Vicência”, lembrou.
A aposentada Naly Moreira Trugilho, de 100 anos, também lembra com carinho dos momentos vividos ao lado da Irmã Vicência. Elas se conheceram 1953, quando a religiosa chegou do Recife ao Espírito Santo. 
“Ela veio para trabalhar na Santa Casa, mas como não tinha prática de nada, encarregaram o berçário à ela. Ela cuidava das crianças, de tudo. Era cuidadosa, carinhosa. Eu fiz amizade porque tinha vontade de ter muitos filhos, mas comecei a ter abortos espontâneos. E ela me dava muito apoio”, contou.
Irmã Vicência, aos 71 anos, em 1999, no município de Castelo
A bondade e a caridade de Irmã Vicência são destacas por quem conviveu com ela Crédito: Joelma Cellim
O comerciante Luiz Carlos Ferrão relembra como a freira o ajudou em um momento de dificuldade. Os negócios iam mal, mas irmã Vicência trouxe uma mensagem de fé e perseverança.   "Um dia ela me perguntou se estava tudo bem. Naquela época, a situação estava difícil na loja. No outro dia ela voltou, veio com uma imagem pequena de Santa Edwiges, que era dela, e me deu. Eu rezava com ela. Tenho muita fé. Meses depois, ela voltou e pegou a imagem pequena, mas me deu uma maior, que me acompanha até hoje. Naquela época, talvez, eu afundaria. irmã Vicência foi o meu barco, o meu apoio, assim como o Corpus Christi sem ela não é nada. O primeiro passo foi dela", disse.
Professora aposentada, Maria Cecília Perim participou da confecção do primeiro tapete junto com Vicência. Era uma peça singela, feita com folhas e flores, relembra.
Não existem registros dos dois primeiros anos em que os tapetes tomaram as ruas de Castelo. Imagens só começaram a surgir a partir de 1965, em preto e branco.
“Ela era o vapor de tudo… Era quem comandava. Ela tinha uma fé tão grande que tudo o que colocava a mão dava certo”
Maria Cecília Perim - Professora aposentada
Naly Moreira, Maria Vicência Tosi e Luiz Carlos Ferrão conviveram com irmã Vicência
Naly Moreira, Maria Vicência Tosi e Luiz Carlos Ferrão conviveram com irmã Vicência Crédito: Matheus Martins/TV Gazeta Sul
Zuleide Pereira da Silva é o nome de batismo de Irmã Vicência, que nasceu no Recife, em Pernambuco, em 28 de março de 1928. Em 1951, ela deu os primeiros passos na vida religiosa. Cinco anos depois, fez os votos. E ao ingressar na Ordem Religiosa das Filhas de Caridade de São Vicente de Paulo, passou a adotar o nome Vicência, conforme as normas da congregação.
Além de Castelo, a religiosa também passou pelos municípios de Campanha, em Minas Gerais, e Nova Friburgo, no Rio de Janeiro. No município da região Serrana fluminense, veio a inspiração para o primeiro tapete de Corpus Christi, confeccionado por ela em 1963, no Espírito Santo. 
Irmã Vicência morreu aos 71 anos, em Cachoeiro de Itapemirim Crédito: Joelma Cellin
Professora e autora de um livro sobre a história do Corpus Christi de Castelo, Joelma Cellin define irmã Vicência como alguém que se preocupou tanto com os outros que esqueceu de si mesma. 
"Irmã Vicência tinha um quê de santidade. Sua alma parecia ter vindo ao mundo para fazer o bem, sem nunca pensar em si mesma. Tanto que faleceu aos 71 anos, já bastante debilitada"
Joelma Cellin - Professora e escritora 
Irmã Vicência faleceu em 2 de julho de 1999, aos 71 anos, em um hospital de Cachoeiro de Itapemirim. As causas da morte são desconhecidas. E está sepultada no cemitério local de Castelo, município que a acolheu e que ela ajudou a transformar. 

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