Atualmente a única fonte de renda do estádio Kleber Andrade é a arrecadação de aluguel para as partidas, que gera em média apenas R$ 6.816,00 por mês, um número muito longe dos R$ 139 mil de custo mensal de manutenção. Em uma comparação, se todos os 135 jogos profissionais locais, previstos para o ano de 2019, acontecessem em um único mês, no estádio, nem assim o valor de R$ 1 mil, cobrado por cada partida, pagaria o alto custo.
Na tentativa de equilibrar essa conta desigual, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Esporte e Lazer, trabalha em uma nova frente. O secretário José Maria Júnior Abreu explica que fez uma portaria que abre possibilidade da exploração de aluguel do estádio para diversas atividades, além dos jogos de futebol.
“Nesse mundo que as coisas mudam rapidamente, então vamos tratar o estádio como uma área comercial, mas sem perder o principal objetivo que é uma praça que serve para apoiar o futebol capixaba. Então, desde quando assumi a pasta, fiz uma portaria e criei um grupo para estudar formas de utilização do Kleber Andrade."
"Com essa portaria regulamentada, o que acontece em mais ou menos um mês, criaremos possibilidades de se alugar o estádio também para jogos, feiras, shows e até mesmo para um ensaio fotográfico de casamento."
O problema de manutenção das novas arenas do Brasil, construídas para a Copa do Mundo de 2014, não é exclusividade do Espírito Santo. Amazonas, Mato Grosso, Rio Grande do Norte, Pernambuco e o Distrito Federal também acumulam prejuízos milionários nos últimos anos. E, assim como no ES, em todos os estados ainda não foi encontrada uma fórmula de reverter os défices.
Segundo Júnior Abreu, os gastos do Kleber Andrade são pequenos, em comparação às outras arenas, e triviais. “Se você for comparar o nosso complexo do Kleber Andrade com outras arenas, que foram construídas para a Copa do Mundo, o nosso custo é bem pequeno e alicerçado no trivial. Custeio é igual unha, se a gente não corta, ela cresce muito. Então estamos trabalhando em ações para atrair mais eventos e aumentar a arrecadação do estádio”, declarou.
Mesmo diante do grande déficit, que hoje é de mais R$ 7 milhões, o secretário vê o Kleber Andrade com mais importância social para o Espírito Santo.
“Desde que o estádio foi inaugurado, ele não recebeu investimentos e hoje estamos trabalhando para deixá-lo em condições iguais a de outras praças, que têm a capacidade semelhantes à nossa e, com isso, podemos atrair novos eventos para cá. Mas, quando olhamos para uma praça como a nossa, é claro que vemos a importância de ter as contas equilibradas. Porém, eu penso que a discussão é muito mais ampla. A questão mercadológica não é tudo. Temos que ver o social também. O público presente no estádio cresceu nesse último ano e a gente vê que a população está começando a ir aos jogos. Além disso, estamos vendo famílias inteiras se divertindo.”
Entenda nosso trabalho
Por que fizemos esta matéria?
Na cobertura diária do futebol local, percebemos que na maioria dos jogos no Kleber Andrade o público é muito baixo. Assim, decidimos levantar os gastos e as receitas do governo com o estádio e constatamos que os números são decepcionantes. A praça esportiva não consegue se manter e ainda consome muito do dinheiro público.
Como apuramos as informações?
Verificamos os boletins financeiros de todos os jogos realizados no estádio desde 2014 e contamos com dados fornecidos via Lei de Acesso à Informação. Esses números embasaram todas as nossas análises.
O que fizemos para garantir o equilíbrio?
Analisamos os dados e ouvimos todos os responsáveis pelo Kleber Andrade. Para não ficar apenas no problema, conversamos com especialistas que apontaram possíveis soluções para o estádio.
