A Uefa informou nesta sexta-feira (24) que suspendeu o atacante do Benfica, Gianluca Prestianni, por seis jogos, por causa de "conduta discriminatória" contra o brasileiro Vinicius Junior, do Real Madrid, durante duelo pela Champions League em fevereiro. Dos seis jogos de suspensão, três deles ficarão em suspenso por um período probatório de dois anos. O jogador já cumpriu uma das partidas, restando mais duas, que serão cumpridas em jogos da Uefa ou da seleção da Argentina.
A partida, válida pelo jogo de ida do playoff da Champions, no Estádio da Luz, em Lisboa, chegou a ser interrompida por alguns minutos após o brasileiro relatar ter sido alvo de insultos racistas do argentino Prestianni. Segundo Vinicius Junior, o adversário o chamou de "macaco". Companheiro de equipe do brasileiro, Kylian Mbappé confirmou também ter ouvido as ofensas.
No comunicado desta sexta-feira, a Uefa diz que a punição decorreu de suposta "linguagem homofóbica" utilizada pelo argentino no embate. Diretor executivo do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, Marcelo Carvalho criticou a decisão tomada pela Uefa. Ele afirmou que, ao mesmo tempo em que a entidade europeia diz que luta contra e que estimula que os jogadores denunciem casos de racismo durante as partidas, ela parece não dar o devido valor para a palavra da vítima.
"O Prestianni disse que falou palavras homofóbicas e o que o Vinicius Junior falou não foi levado em consideração. A palavra da vítima ficou como algo menor do que a do agressor. Será que realmente queremos enquanto sociedade, enquanto organismos que regulamentam o futebol, que os jogadores denunciem, se posicionem? Se queremos, é preciso valorizar mais a palavra da vítima", disse Carvalho.
Vinicius marcou o único gol do jogo aos cinco minutos do segundo tempo, com um chute de direita. Após a comemoração do brasileiro, imagens das câmeras de transmissão mostraram Prestianni cobrindo a boca com a camisa repetidamente antes de fazer os comentários que Vinicius e seus companheiros de equipe denunciaram como um insulto racista.
O presidente da Fifa (Federação Internacional de Futebol), Gianni Infantino, chegou a declarar que os jogadores que cobrirem a boca durante discussões deveriam ser expulsos pelos árbitros.
O ponta argentino fez uma postagem nas redes sociais horas depois do jogo em que negou ter insultado o brasileiro com palavras racistas.
"Quero esclarecer que em nenhum momento dirigi insultos racistas ao jogador Vinicius Junior, que infelizmente interpretou mal o que acredita ter ouvido. Nunca fui racista com ninguém e lamento as ameaças que recebi de jogadores do Real Madrid", escreveu Prestianni no Instagram.
O atleta do Benfica -que foi alvo de críticas por defender seu jogador no caso- já havia sido suspenso previamente pela Uefa para a partida de volta do playoff da Champions, vencida novamente pelo Real com gol de Vinicius Junior.