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Consequências

Flagelo das chuvas que atingem o ES é reflexo do desrespeito ao meio ambiente

As enchentes, em dimensão de tragédia, não são casuais, nem são aceitáveis. Resultam de um desequilíbrio da natureza ocasionado por sucessivas agressões ao meio ambiente

Publicado em 29 de Janeiro de 2020 às 04:00

Públicado em 

29 jan 2020 às 04:00
João Baptista Herkenhoff

Colunista

João Baptista Herkenhoff

jbpherkenhoff@gmail.com

Centro de Cachoeiro de Itapemirim alagado no final de semana Crédito: Renilson Chagas
As chuvas estão flagelando o Espírito Santo. Nunca choveu tanto em nosso Estado. Cerca de dez mil pessoas estão fora de seus lares por causa das chuvas. Dez pessoas perderam a vida como decorrência das inundações.
Quando eu era criança, não sabia que as enchentes desabrigavam pessoas. Só era capaz de enxergar o lado divertido das chuvas inundando as ruas e permitindo que lançássemos na água barcos de papel.
As enchentes, em dimensão de tragédia, não são casuais, nem são aceitáveis. Resultam de um desequilíbrio da natureza ocasionado por sucessivas agressões ao meio ambiente. Desejo citar neste artigo dois servidores da causa ambientalista.
O primeiro que reverencio é Amaro Simoni, precursor da Ecologia. Defendeu a preservação da vida marinha presente nos mangues, com olhos para a harmonia do meio ambiente em geral. Despojado, na vida pessoal, sua humildade tinha absoluta coerência com sua vocação de servidor do humano através da reverência à natureza.
O segundo que homenageio é Maurílio Coelho, o criador da fábrica de pios de Cachoeiro de Itapemirim. Essa fábrica completou centenário. Foi a primeira fábrica do gênero, em todo o mundo.
O nome de Maurílio Coelho merece figurar numa lista-símbolo pela beleza e criatividade dos pios. Os pios de Maurílio Coelho são pios melódicos, que descansam, que relaxam, que levam o ser humano a penetrar no mistério da vida e no mistério de Deus.
Através da sonoridade dos pios, as crianças chamavam os passarinhos e os acariciavam. Os pios estabeleciam um elo de amor entre crianças e passarinhos. Esse elo nos lembra São Francisco de Assis que conversava com os passarinhos.
No Brasil, os índios nos deixaram uma herança de preservação da natureza. “Procurador não gosta de trabalhar.” Esta seria uma boa resposta do Índio ao Procurador paraense que disse que índio não gosta de trabalhar.
Viva o Brasil onde, felizmente, a maioria do povo repudia o racismo. Esse procurador racista deveria procurar uma escola de reeducação de mentes doentias. Preservar a natureza e repudiar o racismo são atitudes de humanismo, em oposição aos que fazem do dinheiro um deus.

João Baptista Herkenhoff

É juiz de Direito aposentado e escritor. Aborda temas atuais com uma visão humanista, com foco nos direitos humanos. Escreve às quartas

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