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Clarisse Vellozo quando atuava na escolinha Zico 10
Clarisse Vellozo quando atuava na escolinha Zico 10 Arquivo Pessoal
Especial Dia das Mulheres

Adolescente troca balé pelo futebol e vai jogar Campeonato Capixaba de base entre os meninos

Goleira Clarisse Vellozo integra o elenco sub-13 do Porto Vitória

Camila Müller

Estagiária

camila.santos@redegazeta.com.br

Publicado em 08 de Março de 2026 às 14:49

Publicado em

08 mar 2026 às 14:49
Clarisse Vellozo é a goleira sub-13 do Porto Vitória
Clarisse Vellozo é a goleira sub-13 do Porto Vitória Crédito: Camila Müller
Já pensou em ter cinco anos de idade, querer jogar futebol e acabar sendo matriculada no balé? Essa é a história de Clarisse Vellozo. A criança que assistia aos jogos pela televisão decidiu que também queria entrar em campo. Hoje, como goleira do Porto Vitória sub-13, ela defende um sonho que vai além das quatro linhas: o de viver fazendo o que mais ama, mesmo que seja atuando entre meninos.
Histórias como a de Clarisse refletem um cenário que nem sempre foi possível para as meninas no Brasil. Embora o Dia das Mulheres possa ser celebrado todos os dias, foi a partir de 8 de março de 1975 que a data passou a ser oficialmente reconhecida pela ONU (Organização das Nações Unidas), com o objetivo de combater as desigualdades de gênero ao redor do mundo.
Alguns anos depois, o futebol feminino, que havia sido proibido por Getúlio Vargas, em 1941, teria a prática liberada em 1979 e seria regulamentado no Brasil em 1983, passando a ser oficialmente praticado por mulheres apaixonadas pelo esporte.
Jornal A Gazeta revela treino da equipe feminina da Desportiva Ferroviária, no Engenheiro Araripe, em 1983
Jornal A Gazeta revela treino da equipe feminina da Desportiva Ferroviária, no Engenheiro Araripe, em 1983 Crédito: Desportiva Ferroviária Blog
No Espírito Santo, a paixão não é diferente. A Desportiva Ferroviária se tornou uma das equipes pioneiras do futebol feminino capixaba. Entre 1980 e 1983, por exemplo, o clube perdeu apenas uma das 122 partidas disputadas. Ainda assim, a diretoria grená acabaria encerrando o projeto por falta de investimento. Um dos motivos apontados na época era a crença de que o futebol seria uma prática perigosa para as mulheres.
As jogadoras Ana, Tânia, Jussara, Elza, Marluce e o Diretor amador da Desportiva Delton foram dispensados por falta de verba
As jogadoras Ana, Tânia, Jussara, Elza, Marluce e o Diretor amador da Desportiva Delton foram dispensados por falta de verba Crédito: Desportiva Ferroviária Blog
Daquele período até os dias atuais, o futebol feminino passou por inúmeras revoluções e avanços. Entre eles, um que contraria diretamente o argumento utilizado décadas atrás para proibir o esporte, como a possibilidade de jogar entre meninos.
É nesse cenário que meninas como Clarisse Vellozo começam a construir suas próprias histórias no futebol. Goleira do Porto Vitória sub-13, ela conta como surgiu a paixão pelo esporte: "Eu ficava vendo futebol pela TV. Com cinco anos queria fazer algum esporte e comecei jogando na linha. Em 2023 resolvi ir para o gol e recentemente recebi a oportunidade de fazer uma avaliação no Porto Vitória. Graças a Deus consegui passar", disse Clarisse Vellozo, goleira de 13 anos e moradora de Vitória.
Liz Valverde foi pioneira
A possibilidade de meninas atuarem em equipes formadas por meninos, como acontece em competições de base, é relativamente recente. Em 8 de março de 2023, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) regulamentou o futebol misto em competições amadoras.
Pouco mais de sete meses depois, o futebol do Espírito Santo registrou a primeira menina atuando entre meninos em um torneio oficial: a Liz Valverde.
“Foi a partir deste regulamento que coisas grandiosas começaram a acontecer na minha vida”, conta Liz. A zagueira teve uma ascensão meteórica. Começou no Porto Vitória, ganhou destaque, foi convocada para a Seleção Brasileira, posteriormente contratada pelo Corinthians e, desde o início de 2026, integra o Benfica Academy, nos Estados Unidos, participando do programa Bolsa Atleta USA.
Liz Valverde foi convocada para a Seleção Feminina pela primeira vez quando ainda atuava entre os meninos pelo Porto Vitória
Liz Valverde foi convocada para a Seleção Feminina pela primeira vez quando ainda atuava entre os meninos pelo Porto Vitória Crédito: Reprodução/Redes Sociais
Hoje, trajetórias como a de Liz ajudam a inspirar novas gerações de atletas, como a própria Clarisse. Sua maior apoiadora tem nome e sobrenome: Estefânia Vellozo. Policial militar, a mãe de Clarisse conta que, quando a filha tinha cinco anos, decidiu colocá-la em uma aula experimental de balé. No entanto, aquela não seria a atividade de lazer pela qual a menina realmente se apaixonaria.
A atleta já passou por diferentes escolinhas, mas foi no Zico 10 que começou a trabalhar os fundamentos da posição de goleira, considerada por muitos a mais difícil do futebol. “Ser goleira é uma posição difícil e, independente do gênero, às vezes você se sente pressionada por ser a última pessoa antes da bola entrar no gol.”
Clarisse Vellozo quando atuava na escolinha Zico 10
Clarisse Vellozo quando atuava na escolinha Zico 10 Crédito: Arquivo Pessoal
Estefânia revela que, muitas vezes, tem vontade de entrar em campo para ajudar, pois sabe o quanto as goleiras sofrem durante as partidas. Mesmo assim, garante que sempre apoiará o sonho da filha. Apesar das dificuldades e dos receios sobre o futuro, o sonho de viver do futebol é real e, se depender do apoio da família e da determinação de Clarisse, pode virar realidade.
Entre proibições do passado e conquistas do presente, o futebol feminino segue escrevendo novos capítulos. O Campeonato Capixaba Sub-13 masculino, que tem início previsto para o dia 28 de março, de acordo com a Federação de Futebol do Espírito Santo, será um desses cenários. É na competição que Clarisse entrará em campo como goleira do Porto Vitória, atuando entre os meninos. Para a jovem atleta, que sonha em viver do esporte, a disputa representa uma oportunidade de evoluir e mostrar seu talento.

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