Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

  • Início
  • Futebol
  • Casos Robinho e Daniel Alves: pacto da masculinidade e combate à violência contra a mulher
Violência contra a mulher

Casos Robinho e Daniel Alves: pacto da masculinidade e combate à violência contra a mulher

Para a acadêmica Renata Bravo, "Questiona-se sempre o fato e a possibilidade de não haver algo forjado ou a possibilidade de se colocar o homem com vítima, e não a mulher"

Publicado em 22 de Março de 2024 às 16:14

Vitor Antunes

Publicado em 

22 mar 2024 às 16:14
Daniel Alves está preso desde o último dia 20 e Robinho é condenado pela justiça italiana mas não foi para a prisão
Daniel Alves está preso desde o último dia 20 e Robinho é condenado pela justiça italiana mas não foi para a prisão Crédito: Reprodução / Instagram
Com as prisões recentes de Daniel Alves e Robinho, condenados por estupro, o debate sobre a postura das mulheres em baladas vem ganhando as redes sociais. E o fato dos jogadores serem ídolos mundiais e com uma legião de fãs traz à tona um pensamento muito comum entre a maioria dos homens: apresentar dúvidas sobre a situação. Muitos duvidam que os jogadores realmente praticaram violência contra as mulheres, mas que caíram em golpes das vítimas. 
Em um caso que ganhou repercussão no Espírito Santo, o judoca capixaba Nacif Elias questionou a punição de Daniel Alves. O posicionamento do atleta foi muito criticado, mas também ganhou coro de algumas pessoas. 
A Mestra em Direitos e Garantias Fundamentais e especialista em questões referentes a gêneros, discursos de poder e violência contra as mulheres Renata Bravo contestou as falas sobre a possibilidade de Daniel Alves não haver violentado uma mulher. “Questiona-se sempre o fato e a possibilidade de não haver algo forjado ou a possibilidade de se colocar o homem com vítima, e não a mulher. E num ambiente masculino como o futebol uma grande questão passa pelo corporativismo e o pacto da masculinidade que se defende acima de tudo”.
Renata salientou que a fala de uma mulher violentada não precisa passar por uma camada de convencimento. "Ainda que questionada, a palavra dela deve prevalecer. E nesse caso, a palavra da vítima é corroborada com os autos. Ou seja, questionar sua fala é naturalizar a violência. No caso da mulher violentada por Daniel Alves, além da fala dela, há outras provas estabelecidas pela legislação da Espanha. No caso de Robinho, por exemplo, há ainda os áudios. E em ambos os casos, prevalece o fato de que a violência pode ter acontecido sendo o abusador uma pessoa conhecida pela vítima ou não".
Uma dos questionamentos mais ouvidos é sobre a razão de a vítima haver demorado a prestar queixa e haver voltado à boate após ter sofrido a violência. “Em muitas das vezes a vítima demora a reconhecer a violência. Não é algo simples, especialmente diante do contexto. Quanto ao fato de voltar à boate ou ter demorado a prestar queixa, isso não diz respeito à sociedade. Ela não precisa ficar reclusa por ser vítima, mas viver com dignidade. Por em cheque a declaração da violência me parece que é algo semelhante a ela não entender, não ter capacidade ou potencial para ser violada. É como se a conduta dela validasse a violência. O fato a ser considerado é a existência da violência e isso sim é primordial”, destacou Renata.
Outro ponto geralmente questionado pelo público masculino é o fato da vítima não ter gritado, não se vitimizou, e tornou público o fato mediante o acusado ser famoso. "Triste e infelizmente reproduzido. Quem se submeteria voluntariamente a um dos piores medos das mulheres? Admitir que isso pode ser utilizado como trampolim para a fama coloca a mulher como uma espécie de ‘causadora do mal’. Não se pode naturalizar uma fala dessa, especialmente quando se analisa que a grande maioria das violências é praticada por homens que conhecem a vítima e não por mulheres que buscam a fama".
"Nosso corpo é, a todo tempo, obrigado a conviver com o medo"
Renata Bravo - Mestra em Direitos e Garantias Fundamentais e especialista em questões referentes a gêneros, discursos de poder e violência contra as mulheres
Uma das possibilidades para se diminuir o número de estupradores levantadas por muitos é a castração química. O que para Renata é uma solução simples para um problema complexo. "Algo do qual não coaduno. A castração química não entende o problema e não é resolutiva na mudança da ação. Não atinge a raiz. Muitos praticam a violência pelo puro exercício do poder ou como forma de dispor do corpo da mulher. O problema é maior e está na sociedade patriarcal e na misoginia".
Renata Bravo aponta incoerência no posicionamento do CAP ao contratar Cuca
Renata Bravo aponta que o questionamento À fala de uma mulher que diz ter sido violentada é fruto do "corporativismo masculino" Crédito: Divulgação/Acervo Pessoal

Sobre os índices de estupro no Brasil

A discussão sobre o estupro é sempre pertinente, especialmente no Brasil. Em números absolutos, com dados do Anuário Brasileiro de Violência de 2023, o Brasil registrou o maior número de estupros da história: foram quase 75 mil vítimas, sendo 18.110 estupros e 56.820 estupros de vulneráveis. Quase 90% dessas vítimas são mulheres e 57%, negras. As principais vítimas, 62%, são crianças entre 0 e 13 anos. 
A maioria das violências, 69%, ocorre em casa e na maioria acachapante dos casos o abusador é conhecido das mulheres. No ES, em números absolutos, foram de 400 a 477 casos, com um acréscimo de 18,4% comparando 2021 e 2022. No que tange a vulneráveis, o número saltou de 1.101 para 1.259, um crescimento de 14%. Ainda que seja um número significativo, os índices do Espírito Santo não são os mais altos do País. Em números absolutos, tanto de estupro como de estupro a vulneráveis, São Paulo lidera, sendo quase 9.100 casos na primeira situação e quase 9.800 na segunda.

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Dois acidentes deixam 5 feridos em Itapemirim e Rio Novo do Sul
Dois acidentes deixam cinco feridos no Sul do ES em menos de 12 horas
Polícia investiga atropelamento de cadela em Santa Maria de Jetibá
Vídeo mostra caminhonete atropelando cadela no ES; polícia investiga
Carteira de trabalho digital.
Carteira assinada segue valiosa, mas liberdade de escolha também passou a ser

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados