Grávida de seis meses, uma comerciante reagiu a um assalto ao perceber que a arma do bandido era falsa. O assaltante, então, tentou fugir, mas acabou capturado e agredido por quem passava pela rua. Uma situação tão inusitada quanto perigosa, que mais uma vez expõe o nível inaceitável de desamparo em que se encontra o cidadão atualmente. Só resta contar com a própria capacidade de avaliar os riscos, o que pode colocar a vida de quem tenta se defender também em perigo.
A insegurança é desmedida. A própria comerciante afirmou que só reagiu porque já havia sido vítima de um assalto 30 dias atrás, em sua loja de ração localizada em Residencial Coqueiral, em Vila Velha. A reincidência foi a gota d`água, que provocou a reação arriscada, mas compreensível diante de tanta violência.
É por isso que o Estado não pode faltar. Os espaços abertos para a criminalidade, na ausência de policiamento e, principalmente, na falta de políticas de segurança pública eficazes, provocam indignação popular. Se o poder público não consegue garantir que a violência seja contida e reprimida, a justiça com as próprias mãos acaba sendo a solução encontrada por quem se sente completamente desprotegido. A irracionalidade dessas reações tão comuns atualmente é, acima de tudo, fruto dessa sensação de abandono.