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Meio ambiente

Guerra contra o plástico enfrenta uma nova etapa no ES

Assembleia analisará novo projeto de lei visando a proibição de copos plásticos em estabelecimentos públicos. Proposta semelhante foi aprovada pelos deputados em outubro, mas vetada por Casagrande

Publicado em 21 de Fevereiro de 2020 às 05:00

Públicado em 

21 fev 2020 às 05:00
Angelo Passos

Colunista

Angelo Passos

apassos@redegazeta.com.br

Copo plástico na natureza Crédito: Pixabay
Novo projeto de lei tramita na Assembleia Legislativa do Espírito Santo visando a proibição de copos plásticos em estabelecimentos públicos. Se aprovado, somente aquele que for biodegradável e de papel poderá ser usado no comércio. É a segunda tentativa de proibição, em poucos meses.
No final de outubro do ano passado, proposta semelhante foi aprovada pelos deputados, mas vetada pelo o governador Casagrande. No entanto, o governo informou ter criado um grupo de trabalho para estudar o assunto. O que dirá agora esse grupo? A matéria preocupa à indústria do setor plástico, importante geradora de empregos: mais de sete mil postos formais no Espírito Santo. No Brasil, mais de 320 mil.
A guerra contra o plástico é um dos condimentos do caldeirão das discussões sobre consumo consciente. "Empresa sustentável já nasce sem plástico", diz o provocante título de matéria de destaque no site Estadão, há poucos dias. Nessa linha, há abundância de matérias nos sites. Muitas empresas estão surfando nessa tendência.
Por exemplo, a M. Dias Branco, uma das maiores produtoras de massas alimentícias (macarrão, biscoitos etc) no Brasil, anunciou, no ano passado, que a modernização de equipamentos e a reavaliação do processo produtivo redundou na diminuição (bastante expressiva) de 457 toneladas de plástico nas suas embalagens. Outro caso que também chama a atenção é o de uma conhecida marca de água mineral. O release diz que está sendo envasada com 30% menos plástico do que o modelo usual.
Hoje é dia de gala carnavalesca. No Rio, toneladas de plástico desfilarão na Marquês de Sapucaí. Nas arquibancadas, haja copo e garrafa plástica. Cenas parecidas se repetirão Brasil afora. Mas não esqueçamos: todo consumo tem impacto. Vale lembrar que um copo descartável leva um tempo entre 250 a 400 anos para se decompor. Segundo dados da Associação Brasileira de Limpeza Pública, no Brasil são consumidos cerca de 720 milhões de copos descartáveis por dia.
Outro dado desconfortável é que o Brasil é o 4º maior produtor de lixo plástico do mundo. Produz 11 milhões de toneladas por ano. Fica atrás apenas de Estados Unidos, China e Índia, segundo estudo feito pelo Fundo Mundial pela Natureza (WWF). Para piorar, o nosso país é um dos que menos recicla esse tipo de lixo: apenas 1,2% é reciclado, ou seja, 145 mil toneladas.
São números preocupantes em termos ambientais e de saúde pública. Materiais plásticos se popularizaram no Brasil nos anos 50, quando o país buscava uma imagem de modernidade, tentando copiar hábitos dos Estados Unidos. Mas, isso não foi acompanhado de crescimento adequado de educação ambiental.
Alguns pontos devem se fazer presentes nesse debate. O primeiro é que a questão não se resume a copos, nem a algumas peças roupas, fantasias momescas, ou acessórios menores. O contexto é muito mais amplo. O plástico é componente fundamental em inúmeros produtos industrializados. Do parafuso ao transatlântico. Para as empresas de produtos plásticos, o caminho sustentável está no processo seletivo e na reciclagem. Portanto, o fundamento é educacional. Em sendo assim, os resultados levam muito tempo para amadurecer.
Também, por causa do plástico, não se deve combater o carnaval. Seria quase uma insanidade. Trata-se de uma das maiores riquezas da cultura brasileira. É a festa mais democrática do Brasil. Ao mesmo tempo, importante motor da economia. Neste ano, o carnaval deve render R$ 8 bilhões ao país, segundo projeção da Confederação Nacional do Comércio.
Muitas agremiações carnavalescas - no Rio, em Vitória e em outras partes - recebem aplausos também em outro quesito: o consumo aliado à preservação ambienta. . Como? Com fantasias recicladas, acessórios criados a partir de resíduos, glitter biodegradável, confetes de folha seca etc.
Fica a sugestão: incluir o desfile sustentável (de forma bem regulamentada, é claro), entre os quesitos obrigatórios submetidos à análise dos jurados. Assim, com certeza, aumentará o brilho ético do carnaval.

Angelo Passos

É jornalista. Escreve às segundas e às sextas-feiras sobre economia, com foco no cenário capixaba, trazendo sempre informações em primeira mão e análises, sem se descuidar dos panoramas nacional e internacional

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