Se você já chamou um K-drama de “dorama” ou pediu “sushi coreano” quando, na verdade, queria comer gimbap, saiba que não está sozinho. Mas também já está na hora de corrigir esses deslizes! Para ajudar, o Centro Cultural Coreano no Brasil (CCCB) lançou nesta segunda-feira (6) a campanha “Nomear é respeitar”, que mostra como usar o termo certo é também uma forma de valorizar a cultura.
Segundo o diretor do CCCB, Cheul Hong Kim, “chamar o gimbap de sushi ou confundir o hanbok com quimono pode parecer um detalhe, mas acaba dificultando que se perceba a beleza e o significado próprios da nossa cultura”.
A ação acontece junto à celebração do Dia do Hangul, uma data comemorada na Coreia do Sul todo dia 9 de outubro para celebrar a criação do Hangul, o sistema de escrita coreano.
Os termos mais confundidos:
- Hanbok (NÃO quimono)
- Coreia do Sul: o hanbok é o traje tradicional coreano, formado por duas partes principais: jeogori (parte de cima) e chima (saia) ou baji (calça). Ele é conhecido por suas linhas curvas, cores vivas e caimento elegante.
- Japão: o quimono é uma peça única, geralmente de seda, amarrada com faixa na cintura (obi). Enquanto o hanbok privilegia fluidez, o quimono é mais estruturado.
- K-drama (NÃO dorama)
- Coreia do Sul: K-drama é o termo oficial para séries coreanas, reconhecido mundialmente.
- Japão: dorama vem do inglês drama e é usado para se referir às produções japonesas. No Brasil, o termo se espalhou para falar também das séries coreanas, mas está incorreto.
- Webtoon (NÃO mangá ou anime)
- Coreia do Sul: webtoons são quadrinhos digitais feitos para leitura vertical, em cores e publicados online.
- Japão: mangás são quadrinhos impressos em preto e branco, e animes são animações. Embora compartilhem o gênero narrativo, os formatos e a origem cultural são distintos.
- Jeotgarak (NÃO hashi)
- Coreia do Sul: jeotgarak são os famosos palitinhos coreanos, feitos geralmente de metal, mais longos e achatados.
- Japão: os hashi japoneses são de madeira ou bambu, arredondados e descartáveis em muitos casos.
- Gimbap (NÃO sushi)
- Coreia do Sul: Gimbap é um rolinho de arroz temperado com óleo de gergelim, envolvido em alga gim e recheado com vegetais, ovos e até carne.
- Japão: o sushi japonês leva arroz temperado com vinagre, além de peixes crus e frutos do mar. A diferença está tanto no tempero quanto na proposta do prato.
- Ganjang (NÃO shoyu)
- Coreia do Sul: Ganjang é uma molho de soja fermentado por mais tempo, com sabor mais intenso e 100% à base de soja.
- Japão: o shoyu japonês leva trigo em sua composição, o que resulta em um sabor diferente, mais suave e adocicado.
- Doenjang (NÃO missô)
- Coreia do Sul: doenjang é uma pasta de soja fermentada por longo período, feita a partir do meju (blocos de soja fermentada). Tem sabor forte e salgado.
- Japão: o missô japonês passa por fermentação mais curta e tem gosto mais suave e adocicado.
- Ramyeon (NÃO ramen/lámen)
- Coreia do Sul: o ramyeon é um macarrão instantâneo super popular, vendido em embalagens práticas, com caldo picante e diversos sabores.
- Japão: o lámen é uma sopa de macarrão artesanal, feita em restaurantes, com caldo elaborado e cozido por horas.
- Mandu (NÃO guioza)
- Coreia do Sul: o mandu massa recheada, servida frita, cozida no vapor ou em sopas, com recheios variados que vão de carne a kimchi.
- Japão: o guioza japonês é parecido, mas geralmente tem recheio mais limitado (carne e repolho, por exemplo) e costuma ser grelhado.
- Soju (NÃO saquê)
- Coreia do Sul: soju é uma bebida destilada, transparente, feita à base de arroz, batata-doce ou cevada. É a mais popular do país.
- Japão: o saquê é fermentado, mais suave e com teor alcoólico menor.
Guia prático e gratuito
Para evitar tropeços, o CCCB disponibilizou online o “Guia de Uso dos Termos Relacionados à Cultura Coreana”, com explicações detalhadas e conteúdos especiais até 20 de outubro.
Mais do que uma lição de vocabulário, a campanha é um convite: celebrar as diferenças e chamar cada cultura pelo seu nome. Afinal, como diz o próprio lema, nomear é respeitar.