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Crônica

Abrasileirando Wes Anderson

Por mais legal que seja a estética do cineasta, nós temos um potencial estético inexplorado aqui no nosso quintal: a estética Manoel Carlos

Publicado em 09 de Janeiro de 2024 às 07:00

Publicado em 

09 jan 2024 às 07:00
Joana Pellerano

Colunista

Joana Pellerano

joanapellerano@comidanacabeca.com

Calçadão de Copacabana, no Rio de Janeiro
A paleta azul-saturado-céu-e-mar-carioca e o formato do calçadão de Copacabana Crédito: Shutterstock
Quem passeou pelas redes sociais em2023 (e quem é que não passeou, né?) deve ter notado os vídeos virais mais coloridos num tom rosa-antigo-meio-pôr-do-sol-empoeirado.
Quem é fã do diretor de cinema Wes Anderson reconheceu a paleta nostálgica e antecipou a trend em que tudo ganhou a pincelada característica.
Teve Harry Potter do Wes Anderson, Star Wars do Wes Anderson, Pânico do Wes Anderson. E, na era do protagonismo, muita gente também quis se ver nesse universo de composições simétricas, objetos vintage e takes de personagens excêntricos olhando fixamente para a câmera.
Achei a trend divertida até que não foi mais, como todas, mas também fiquei pensando numa oportunidade perdida. Por mais legal que seja a estética do Wes Anderson, nós temos um potencial estético inexplorado aqui no nosso quintal: a estética Manoel Carlos.
A paleta azul-saturado-céu-e-mar-carioca, o formato do calçadão de Copacabana, Caetano estacionando no Leblon, essas coisas. Menos Alexandre Desplat e Mark Mothersbaugh e mais João Gilberto e Tom Jobim. E, acima de tudo, fazer a Helena.
Tomar um gole de suco de laranja e sair correndo de casa ignorando aquela mesa farta de café da manhã. Pedir um cafezinho fresco para a empregada. Comer salada com as amigas.
Porque ser Helena não é só ser rica sem trabalhar, mas é seguir uma dieta de comidas e bebidas frequentes das quais se prova muito pouquinho, porque ser Helena é ser comedida, exceto no desperdício.
Cada um com suas excentricidades, né?

Joana Pellerano

Joana Pellerano é professora e pesquisadora dos estudos da alimentação. Aqui, serve contos e crônicas para acompanhar bolo com café (ou a dupla favorita do seu estômago).

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