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Patrícia Merlo

Carnaval: festa milenar que celebra a fartura e os sabores brasileiros

Evento não é apenas uma celebração de ritmos e cores, mas também uma verdadeira expressão de nossa rica cultura alimentar

Publicado em 25 de Fevereiro de 2025 às 07:00

Publicado em 

25 fev 2025 às 07:00
Patrícia Merlo

Colunista

Patrícia Merlo

patricia.merlo@ufes.br

carnaval, essa explosão de cores, ritmos e alegria que toma conta do Brasil, tem raízes profundas em celebrações antigas. A palavra vem do latim carnis levale, que significa "retirar a carne", uma referência ao período de abstinência que antecede a Quaresma. As festividades carnavalescas se espalharam pela Europa durante a Idade Média, com bailes de máscaras, desfiles extravagantes e fartura de carnes e cerveja.
Embora o carnaval brasileiro seja hoje o mais famoso do mundo, a festa é herdeira de uma longa tradição, mas no Brasil ganhou características distintas. Desde o período colonial, há registros de festejos carnavalescos. O entrudo, uma brincadeira de origem portuguesa em que os participantes jogavam água, farinha e ovos uns nos outros, era uma das principais atrações da época, especialmente entre as camadas populares, que se reuniam depois para repor as energias com uma variedade de opções de acordo com a oferta local de alimentos.
Graças à miscigenação que define a cultura brasileira, o carnaval incorporou também elementos das culturas indígenas e africanas. Foi dessa mistura que nasceram as marchinhas, o samba, os desfiles das escolas de samba, que hoje são marca registrada da festa, assim como os icônicos pratos de nossa cozinha.
Por isso, não há carnaval sem abundância, e com a folia batendo à porta, a energia nutricional se torna um combustível essencial para acompanhar os ritmos contagiantes e os dias de festa. Pois, como em toda celebração popular, a fartura de alimentos é parte fundamental da tradição, um reflexo da alegria e da abundância que a ocasião representa.
No Norte, o tacacá, com sua combinação exótica de tucupi, jambu e camarão seco, desperta os sentidos e revigora o corpo. Já no Nordeste, o acarajé, bolinho de feijão-fradinho frito e recheio saboroso e apimentado, é um clássico que sacia a fome e garante energia para sambar a noite toda.
No Centro-Oeste, o arroz de carreteiro, com sua mistura de arroz e carne-seca, é uma opção prática e nutritiva para repor as energias entre um bloco e outro. Já no Sudeste, a feijoada, com sua variedade de carnes e acompanhamentos, é um prato completo que garante disposição para a maratona carnavalesca.
Descendo para o Sul, o barreado, um cozido de carne preparado lentamente, aquece o corpo e oferece sustento para enfrentar o ritmo da folia. Além disso, em todo o país, é comum encontrar caldos, como o de mocotó, como uma alternativa saborosa, energética e tradicional.
Moqueca Capixaba servida no Restaurante do Hotel Senac, em Vitória
Moqueca capixaba Crédito: Ricardo Medeiros
No Espírito Santo, os costumes carnavalescos se manifestavam de forma peculiar até os anos 1960, com grandes bailes promovidos por associações importantes, como o Clube Saldanha da Gama e o Álvares Cabral. A moqueca capixaba era o prato principal. Era tradição preparar uma bela peixada no sábado, seguida por matinês e bailes que celebravam o carnaval com muita alegria e os sabores locais.
Hoje, além dos pratos regionais, as comidas de rua, como pastel, coxinha, espetinhos, sanduíches, açaí e tapioca, são opções práticas e saborosas para quem precisa de energia rápida.
Para manter a hidratação em dia, frutas como banana, manga e água de coco são aliadas valiosas, oferecendo vitaminas e minerais essenciais. Além disso, bebidas como a caipirinha e a cerveja são muito consumidas durante a folia. A ingestão de isotônicos também é recomendada, para repor os sais minerais perdidos no suor.
Como vimos, o carnaval no Brasil não é apenas uma celebração de ritmos e cores, mas também uma verdadeira expressão de nossa rica cultura alimentar, onde cada prato traz um pouco da história e da alegria que marcam essa festa tão amada. O que seria do carnaval sem os prazeres contagiantes da boa comida?
A dica então é aproveitar a folia com muita energia e disposição, celebrando esta festa milenar com responsabilidade, vitalidade e a fartura que a ocasião pede. 

Patrícia Merlo

Doutora em História Social/UFRJ, Professora da UFES, especialista em História da Alimentação.

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