A queda no consumo de bebidas alcoólicas é uma realidade mundial, e inúmeras pesquisas comprovam isso. Uma delas, realizada pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), mostra que entre a população mais jovem essa mudança é bastante significativa.
A porcentagem de pessoas com idade entre 18 e 24 anos que afirmam não consumir álcool saltou de 46% em 2023 para 65% em 2025.
Com essa redução significativa, diversos setores da indústria de bebidas vem tentando se adaptar, e com o segmento de vinhos não é diferente.
Essa nova tendência de comportamento, puxada principalmente pela Geração Z (que engloba os nascidos entre 1995 e 2010, aproximadamente), segue uma valorização da transparência e da responsabilidade social. Seus nativos preferem investir tempo e energia em experiências ligadas à saúde, ao bem-estar e à estabilidade emocional.
Diante disso, muitas vinícolas passaram a apostar em vinhos sustentáveis e orgânicos, e a elaborar experiências únicas e personalizadas com os estilos da bebida, investindo em um perfil sensorial diferente, em embalagens criativas e em formatos de consumo flexíveis.
Um exemplo é a vinícola chilena Echeverria, reconhecida pelos rótulos sofisticados e clássicos, que decidiu usar sua filosofia de sustentabilidade para criar algo mais de acordo com o novo momento do vinho.
Desde 2021, seu portfólio inclui um vinho 100% natural, feito com uvas de cultivo sustentável e fermentados com a levedura da própria fruta, sem filtragem e ainda com uma embalagem totalmente reciclável. A linha “No Es Pituko”, que em chileno significa “não é chique”, se destaca por seu frescor e personalidade. Sua produção aumenta a cada ano devido à boa aceitação que teve no mercado.
A vinícola brasileira Vivente Vinhos Vivos, por sua vez, já nasceu com a ideia dessa nova geração. Desde 2018, os produtores Diego Cartier e Micael Eckert elaboram um estilo da bebida que consideram “vivo”, utilizando nada além de uvas fermentadas espontaneamente, práticas orgânicas e biodinâmicas na vinha e respeito à natureza.
O resultado são vinhos mais leves, com baixo teor de álcool e acidez destacada, envoltos por rótulos artísticos e divertidíssimos, que chamam a atenção dos jovens.
Confira a seguir alguns dos vinhos mais consumidos pela Geração Z.
1
No Es Pituko, Rosé (Chile)
Elaborado com a uva tinta País, cultivada no Vale do Maule, é um vinho vegano, sem adição de conservantes, não filtrado (permanece com sedimentos do processo de vinificação) e produzido com o mínimo de interferência humana possível. Saboroso, tem taninos discretos, acidez refrescante e aromas intensos de morango maduro, cereja e banana. Vinho descomplicado e pronto para o consumo. Quanto: R$136,90, na Grand Cru Vitória. Mais informações: (27) 98885-8407
2
Vivente Cabernet Franc 2023 (Brasil)
Um vinho intenso, complexo e com estrutura, sem perder fluidez e frescor. Traz uma explosão de frutas vermelhas, frutas secas e flores, com um toque de ervas. É suculento e tem taninos finos. Nele, a fruta se destaca. Vinificado com maceração semi-carbônica, está pronto para ser consumido mas também pode ser guardado para evoluir e ganhar complexidade com o tempo. Quanto: R$ 249, no site da Vivente Vinhos Vivos.
3
La Oveja Torróntés 2022 (Argentina)
Produzido na região de Maipú, em Mendoza, com mínima intervenção, esse branco não tem adição de sulfitos e leveduras indígenas. O caráter autêntico da Torrontés faz dele bastante aromático, com notas de frutas brancas, pétalas de rosas e cítricos. Sua acidez é mediana e o final cítrico. Leve, delicado e totalmente artesanal. Quanto: R$ 190, à venda na adega do restaurante Kairú, em Vila Velha. Mais informações: (27) 99852-3352.
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