Sai pra lá, novela. Meu vício diário em frente à telinha nesta época do ano atende pelo nome de Masterchef Austrália. A combinação entre competição culinária, sotaque charmoso, paisagens de tirar o fôlego e episódios quatro vezes na semana fazem desse programa australiano o Masterchef mais amorzinho que existe.
E eu posso não saber bater maionese à mão, fazer bolo sem receita ou descobrir o ponto da carne sem cortar ou usar termômetro, mas de programa de culinária, ah, disso eu entendo!
Essa versão de Masterchef exarceba a marca registrada de cozinheiros australianos que ficaram famosos mundo afora, como Donna Hay, Kylie Kwong, Bill Granger e Curtis Stone: simpatia tão franca que quase parece falsa, descomplicação, tranquilidade. E é ali que a competição entre cozinheiros amadores em busca do sonho de conquistar as cozinhas profissionais mostra todo o seu potencial.
Isso acontece porque, diferentemente do que se observa nos irmãos de outras nacionalidades, incluindo a versão brasileira, em Masterchef Austrália ninguém causa conflito desnecessário. Não tem grito, nem comentário ofensivo.
Os quatro apresentadores/jurados, que incluem dois ex-participantes, não fazem piada em cima de sofrimento e ansiedade alheios. No lugar da humilhação, tão conhecida no formato, há respeito ao próximo e acolhimento.
Em vez de soltar meia dúzia de palavrões quando a comida não está lá essas coisas, o quarteto chama a atenção sobre a oportunidade que candidatos deixam escapar quando cozinham sem cuidado. E há celebração dos sucessos, inclusive entre os supostos rivais que competem pelo prêmio.
Ou seja, em vez de dar tempo de tela para abuso moral, o foco do programa está em mostrar o talento de cada cozinheiro amador e incentivar o desenvolvimento de suas habilidades. Todo mundo aprende melhor e sai feliz da experiência, com a paixão pela cozinha e o sonho da profissionalização renovados.
Em tempos de burnout, termo que tem mais sentidos do que deveria nas cozinhas, já pensou se essa moda pega?