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Patricia Merlo

Sabores da alma: a comida como conexão

A comida, além de nutrir o corpo, proporciona prazer, conforto e nos conecta com nossas memórias mais profundas

Publicado em 23 de Agosto de 2024 às 08:00

Publicado em 

23 ago 2024 às 08:00
Patrícia Merlo

Colunista

Patrícia Merlo

patricia.merlo@ufes.br

Sabores da alma: a comida como conexão
Uma refeição compartilhada com amigos contribui para a formação de nossa identidade Crédito: Shutterstock
Brillat-Savarin, em sua obra seminal A Fisiologia do Gosto, acertadamente declara que "o prazer da mesa pertence a todas as épocas, todas as condições, todos os países e todos os dias".
Essa afirmação universal nos convida a uma reflexão sobre o papel central da alimentação na vida humana. A comida, além de nutrir o corpo, proporciona prazer, conforto e nos conecta com nossas memórias mais profundas.
A experiência descrita por Marcel Proust com as madeleines (típico biscoito francês em forma de concha), imortalizada em Em Busca do Tempo Perdido, ilustra de forma poética a força da memória afetiva e a capacidade da comida de evocar emoções.
Ao degustar uma madeleine molhada em chá, o escritor sentiu-se transportado instantaneamente para a infância, revivendo sensações e aromas que julgava perdidos. Essa cena emblemática nos revela o poder da alimentação de transcender o mero ato biológico, tornando-se uma experiência sensorial e emocional.
A comida é mais do que um combustível para o corpo; ela carrega consigo a história, a cultura e a identidade de um povo. Cada prato reflete um significado simbólico e afetivo, transmitindo saberes e tradições de geração em geração.
pizza napolitana, por exemplo, evoca a história da Itália e a alegria de um encontro com amigos. Já o sushi japonês representa a delicadeza e a precisão da culinária oriental. A mesa, assim, se transforma em um palco onde se cruzam culturas, tradições e sabores, fortalecendo os laços entre as pessoas.
O prazer da mesa, como afirma Savarin, é "o último para nos consolar da perda destes". De fato, em momentos de tristeza ou solidão, a comida pode ser um refúgio, um abraço que nos reconecta com nossos sentimentos mais profundos. Aquele prato que nos lembra a infância, a receita da avó ou da vizinha de porta, a refeição compartilhada com amigos: todos esses elementos contribuem para a construção de nossas memórias e para a formação de nossa identidade.
A gastronomia, portanto, vai além da mera satisfação da fome. Ela é uma expressão artística, uma forma de comunicação e um veículo para a construção de um mundo mais humano e solidário.
Ao celebrar a diversidade culinária e a importância da tradição, estamos não apenas nutrindo nossos corpos, mas também enriquecendo nossas almas. Viva a mesa e os encontros que ela proporciona!

Patrícia Merlo

Doutora em História Social/UFRJ, Professora da UFES, especialista em História da Alimentação.

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