É ótimo quando conseguimos tirar uns dias de folga e nos dedicar ao hedonismo, tão em falta na correria do cotidiano. Em momentos assim, permitimo-nos tomar uma taça de vinho com calma, vendo as lágrimas escorrerem pelo cristal sem pressa... o tempo parece parar... apreciamos a beleza ao redor, os aromas e sabores únicos dessa cápsula imaginária.
Em tais ocasiões, a rotina repetitiva e invisível da cozinha doméstica dá lugar a pratos especiais e tudo se transforma em uma espécie de festa intimista, misturando cores, texturas, sabores e aromas com as risadas e conversas dos convivas.
Há estudiosos que se opõem ao uso do termo gastronomia afetiva, sob diferentes argumentos. Pessoalmente, conheço poucas coisas capazes de me fazer viajar no tempo e na memória como a cozinha.
É lógico que a cozinha profissional é parte de uma cadeia de negócios. Mas, o que há de ilegítimo nisso? E quando o estabelecimento tem mesmo o compromisso de resgatar os processos descomplicados, a valorização dos produtos em si e a simplicidade dos preparos? O resultado é delicioso! É como se fôssemos acolhidos pela atmosfera que nos cerca.
Tive a oportunidade, recentemente, de comer em um pequeno restaurante familiar no Caparaó e a experiência foi incrível! Uma gastronomia com pouca manipulação e processos simples, técnica bem executada, o que valoriza os ingredientes frescos e revela o real talento do cozinheiro.
Gastronomia afetiva para mim não é aquela que lembra exatamente o frango da minha avó, mas sim aquela que dá uma sensação de ‘abraço’ no estômago, de relaxamento, de algo feito com atenção minuciosa, com sabor de verdade, porque é feita por gente de verdade.
Esses momentos ficam na memória e deixam qualquer ocasião mais bonita e saborosa. Além disso, ao fortalecer os pequenos negócios locais, toda uma cadeia de produção ganha fôlego para investir em produtos cada vez melhores. Pense nisso ao avaliar sua próxima experiência culinária!