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Patrícia Merlo

Sobre cozinha e afetos

Gastronomia afetiva não é aquela que lembra exatamente o frango de avó, mas sim a que dá uma sensação de ‘abraço’ no estômago

Publicado em 17 de Maio de 2024 às 07:00

Publicado em 

17 mai 2024 às 07:00
Patrícia Merlo

Colunista

Patrícia Merlo

patricia.merlo@ufes.br

É ótimo quando conseguimos tirar uns dias de folga e nos dedicar ao hedonismo, tão em falta na correria do cotidiano. Em momentos assim, permitimo-nos tomar uma taça de vinho com calma, vendo as lágrimas escorrerem pelo cristal sem pressa... o tempo parece parar... apreciamos a beleza ao redor, os aromas e sabores únicos dessa cápsula imaginária.
Em tais ocasiões, a rotina repetitiva e invisível da cozinha doméstica dá lugar a pratos especiais e tudo se transforma em uma espécie de festa intimista, misturando cores, texturas, sabores e aromas com as risadas e conversas dos convivas.
Há estudiosos que se opõem ao uso do termo gastronomia afetiva, sob diferentes argumentos. Pessoalmente, conheço poucas coisas capazes de me fazer viajar no tempo e na memória como a cozinha.
É lógico que a cozinha profissional é parte de uma cadeia de negócios. Mas, o que há de ilegítimo nisso? E quando o estabelecimento tem mesmo o compromisso de resgatar os processos descomplicados, a valorização dos produtos em si e a simplicidade dos preparos? O resultado é delicioso! É como se fôssemos acolhidos pela atmosfera que nos cerca.
Tive a oportunidade, recentemente, de comer em um pequeno restaurante familiar no Caparaó e a experiência foi incrível! Uma gastronomia com pouca manipulação e processos simples, técnica bem executada, o que valoriza os ingredientes frescos e revela o real talento do cozinheiro.
Sobrecoxa, polenta e taioba do restaurante Dom José, no Caparaó
Angu com parmesão, taioba e sobrecoxa servido em restaurante familiar do Caparaó  Crédito: Evelize Calmon
Gastronomia afetiva para mim não é aquela que lembra exatamente o frango da minha avó, mas sim aquela que dá uma sensação de ‘abraço’ no estômago, de relaxamento, de algo feito com atenção minuciosa, com sabor de verdade, porque é feita por gente de verdade.
Esses momentos ficam na memória e deixam qualquer ocasião mais bonita e saborosa. Além disso, ao fortalecer os pequenos negócios locais, toda uma cadeia de produção ganha fôlego para investir em produtos cada vez melhores. Pense nisso ao avaliar sua próxima experiência culinária!

Patrícia Merlo

Doutora em História Social/UFRJ, Professora da UFES, especialista em História da Alimentação.

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