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Investigação

Segundo polícia, Deolane Bezerra recebeu repasses de transportadora do PCC

O advogado da influenciadora afirma que vai se manifestar assim que se inteirar do caso
Agência FolhaPress

Publicado em 21 de Maio de 2026 às 15:24

Deolane Bezerra deixa o DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa), na região central de São Paulo
Foto: Leco Viana/Thenews2/Folhapress

A advogada e influenciadora Deolane Bezerra recebeu repasses diretos em sua conta de uma transportadora suspeita de ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital), diz a Polícia Civil de São Paulo.


Ela foi presa nesta quinta-feira (21) sob suspeita de participar do esquema de lavagem de dinheiro da facção criminosa.


A investigação começou em 2019 e chegou até a influenciadora depois de identificar a ligação dela com Everton de Souza, o Player. Ele é apontado pela polícia como gestor indireto da transportadora Lado a Lado, suspeita de pertencer PCC.


Segundo a polícia, a facção colocava na transportadora o dinheiro arrecadado com atividades criminosas, que depois eram repassados para outras pessoas. Everton era o responsável por indicar quem deveria receber a parte referente a Alejandro Camacho, irmão de Marco Camacho, o Marcola, principal líder da facção, diz a investigação.


A ordem era dada para Ciro Cesar Lemos, que figura junto com a esposa Elidiane Saldanha Lopes Lemos como proprietários legais da Lado a Lado. Os policiais afirmam que parte desse dinheiro foi depositado em contas de Deolane.


Everton também foi preso nessa quinta-feira. Ele tinha uma caixa com dinheiro, em casa, com o nome da influenciadora, afirma a polícia.


A quebra dos sigilos bancários, diz a investigação, demonstrou que Deolane movimentou milhões em nome do PCC, emprestando sua estrutura financeira e "aparente respeitabilidade social" colocar o dinheiro do crime organizado no sistema financeiro formal.


Ainda segundo a investigação, a transportadora, apesar de estar no nome do casal Ciro e Elidiane, foi criada pelo próprio PCC e é dirigida por Marcola e Alejandro. No período investigado, a transportadora movimentou mais de R$ 20 milhões, um valor considerado incompatível com as receitas declaradas.


O casal já foi condenado na Justiça e é considerado foragido. De acordo com a polícia, eles estão escondidos na Bolívia.


Um celular apreendido na casa do casal em uma operação anterior tinha conversas via Telegram que mostravam como o esquema funcionava.


Marcola determinava as providências, traçava estratégias e estabelecia a divisão dos lucros da transportadora, diz a políca. As ordens eram transmitidas por terceiros. Seu irmão Alejandro, também preso, dirigia a empresa e determinava a compra de caminhões.


Paloma Camacho, filha de Alejandro, e sobrinha de Marcola, foi presa na Espanha. Ela quem recebia as ordens do pai em visitas no sistema penitenciário federal e repassava a Ciro, segundo a polícia

Ela também controlava a parte do dinheiro que destinada ao pai e orientava a divisão e a transferência dos valores.


O irmão dela, Leonardo Camacho, é um dos beneficiários da divisão dos lucros da facção. Ele recebia 30% dos valores por ordem do pai.

Piúma: Artesanato de conchas, Monte Aghá

A advogada Daniele Bezerra, irmã de Deolane usou sua conta no Instagram para defendê-la.


"Hoje, mais um vez, tentam transformar suposições em verdades e manchetes em condenações. A prisão de Deolane Bezerra, sob alegações de participação em organização criminosa, nasce cercada de ilações, narrativas e perseguições que já se repetem há tempos.


Ela afirmou que muitas vezes primeiro se destrói a imagem de uma pessoa na opinião pública para só depois buscar provas.


Daniele disse que não se pode admitir que a Justiça seja usada como espetáculo e que prisão não pode ser instrumento de pressão, marketing ou vingança social.


"Quem conhece a história, a luta e a trajetória dela sabe que existe uma diferença enorme entre fatos e narrativas criadas para alimentar ataques. Seguiremos confiando na verdade, na Justiça e no direito de defesa, porque perseguição continua sendo perseguição, mesmo quando tentam dar a ela outro nome", afirmou.


O advogado Rogério Nunes, que defende Deolane, disse que assim que se inteirar do caso vai se manifestar. Já o defensor de Marcola, Bruno Ferullo, afirmou que emitirá uma nota assim que tiver mais informações a respeito da operação.

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