Chegamos no mês de outubro, o mês que salienta a importância da promoção a saúde da mulher e em especial das mamas, com o objetivo principal de prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama. E uma mulher que passa pela doença enfrenta diversas dificuldades em relação ao tratamento e às mudanças no corpo. Entre elas, uma que poucas pessoas falam é sobre a sexualidade.
Mas antes de falarmos mais disso, vamos a algumas curiosidades sobre a relação do mês de outubro com o combate ao câncer de mama. Esse movimento começou em 1990, em Nova York, com a primeira corrida pela cura. Em seguida, outros Estados americanos aderiram ao movimento com atividades voltadas ao diagnóstico e prevenção da doença.
No Brasil esse movimento acontece desde 2002 com a cor rosa em destaque e várias campanhas com o intuito de levar informações para as mulheres sobre a prevenção e diagnóstico precoce da doença. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), há 95% de probabilidade de recuperação total das mulheres que descobrem o câncer no início.
O tratamento do câncer de mama tem vários efeitos colaterais e todos implicam diretamente com a sexualidade da mulher, sendo os mais comuns são:
- Dor na penetração devido a secura, ardência;
- Alterações sensoriais como dormência ou hipersensibilidade;
- Fadiga;
- Mudança de humor;
- Anorgasmia, que é a dificuldade orgástica entre outras.
Mas a que mais pesa na sexualidade da mulher durante este processo é a autoimagem (como ela se vê). Não estou falando exatamente do impacto físico, como quando é necessária a retirada da mama ou a queda de cabelos resultantes do tratamento, mas como essa mulher se enxerga no papel de paciente com câncer.
Normalmente, ela se compara a uma figura lúdica que não se assemelha à figura da mulher sedutora com desejos. E mesmo após o tratamento, esse é um fator que pode continuar e minar as possibilidades de vida sexual.
Atendo mulheres que desenvolveram vaginismo após o tratamento, que é a dor ao penetrar, mas não por questões físicas e sim psíquicas por não se sentir adequada ao papel sexual.
A importância da manutenção da sexualidade da mulher durante o tratamento é muito importante para a sua qualidade de vida sexual e para a saúde como um todo, já que a conexão sexual traz sensações de segurança, carinho, bem estar e empoderamento.
Dicas para a manutenção da sexualidade durante o tratamento:
- Comunicação – Converse com sua parceria sobre como está se sentindo em relação a sexualidade, fale de medos e anseios, de sentimentos, como se sente em relação ao seu corpo;
- Gatilhos de desejo – Lembre se do que te dava prazer antes e resgate cada momento em sua memória, construa novos gatilhos assistindo filmes, lendo livros eróticos;
- Momentos a sós – Crie momentos para namorar, conversar, trocarem carícias como em uma massagem;
- Elogios – Tenha como hábito buscar pontos positivos em você e salientá-los, cite-os em voz alta ou escreva;
- Lubrificantes – Use-os sempre. Se achar melhor, um óleo da sua preferência;
- Brinquedos eróticos – Estes são bem-vindos em qualquer momento. Neste caso, em especial, pode ser uma ótima ajuda. Principalmente os que vibram;
- Fantasias – explore as fantasias em sua memória, com encenações e a brincadeira pode ser bem divertida;
- Exercícios íntimos – faça exercícios de pompoarismo, kegel, movimente o seu assoalho pélvico, esses movimentos vão vascularizar a região íntima e deixá-la mais sensível ao toque.
O diagnostico não é um limitador da sua sexualidade, do seu prazer, peça ajuda se precisa, você não precisa passar por isso sozinha.