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Sistema nervoso central

Esclerose múltipla: entenda o que é e tratamentos disponíveis

Apesar de ser uma doença ainda sem cura, já existe uma série de medicamentos que auxiliam no melhor manejo das consequências no organismo
Guilherme Sillva

Publicado em 04 de Setembro de 2023 às 08:00

Esclerose múltipla
A esclerose múltipla é uma doença autoimune crônica que afeta o sistema nervoso central Crédito: Shutterstock
A esclerose múltipla é uma doença autoimune crônica que afeta o sistema nervoso central, incluindo o cérebro e a medula espinhal. Nessa condição, o sistema imunológico erroneamente ataca a mielina, uma substância que protege as fibras nervosas, causando inflamação e danos. Isso resulta em uma comunicação prejudicada entre o cérebro e outras partes do corpo. 
No Brasil, segundo a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem), estima-se que existam cerca de 40 mil pessoas vivendo com a enfermidade, enquanto, no mundo, mais de 2,8 milhões. É o caso da atriz Cláudia Rodrigues que descobriu a doença no auge dos 30 anos e também da atriz Guta Stresser. 
"Estamos falando de uma doença autoimune, crônica e inflamatória, que pode comprometer diversos sistemas, tais como visão, sensibilidade, coordenação ou força motora, ocasionando uma espécie de falha na comunicação entre o cérebro e o restante do corpo", diz a neuroimunologista Paula Zago, da Reuma.
A boa notícia, segundo ela, é que os tratamentos evoluíram, proporcionando mais qualidade de vida e menos sequelas. "Felizmente, o arsenal terapêutico à nossa disposição está em crescimento e, quanto antes a esclerose múltipla for diagnosticada e tratada, maior a chance de reduzir a incapacidade imposta aos pacientes".
A doença envolve várias causas, como fatores genéticos e ambientais, e até mesmo infecções virais, tabagismo e obesidade, entre outras condições. Apesar de ser uma doença ainda sem cura, existe uma série de medicamentos (de imunomoduladores a anticorpos monoclonais) que auxiliam no melhor manejo das consequências no organismo.

TRATAMENTO

Ainda não há um marcador específico identificado por exames para essa enfermidade. Por isso, para detectá-la, recomenda-se a avaliação do histórico médico do paciente, a realização de exames de imagem, como a ressonância magnética e, em alguns casos, punção lombar para a coleta do líquor. É importante consultar um neurologista especializado para um diagnóstico preciso.
Os tratamentos medicamentosos disponíveis para Esclerose Múltipla buscam reduzir a atividade inflamatória e os surtos (crise ou ataque inflamatório agudo) ao longo dos anos, contribuindo para a redução do acúmulo de incapacidade durante a vida do paciente. Os medicamentos devem ser indicados pelo médico neurologista que vai analisar caso a caso.
"Os medicamentos imunomoduladores visam reduzir a atividade inflamatória, com diminuição dos surtos em intensidade e frequência, contribuindo assim na redução da perda de capacidade ao longo dos anos. Já os medicamentos imunossupressores (que reduzem a atividade ou eficiência do sistema imunológico) também têm ocupado lugar de destaque no tratamento"
Para o tratamento dos surtos, utiliza-se a pulsoterapia (administração de altas doses de medicamentos por curtos períodos) com corticosteroides.

NOVOS ESTUDOS

O neuroimunologista Alexandre Marreco, da Oncoclínicas Espírito Santo, destaca dois estudos que estão investigando o potencial de dois medicamentos visando reduzir a progressão da incapacidade provocada pela doença - Remibrutinibe (pesquisa de nome Remodel) e Evobrutinibe (pesquisa de nome Evolution).
Os medicamentos em questão estão atualmente em fase 3 de testes clínicos, um estágio crucial no desenvolvimento de novas terapias. "Nesta fase, a nova medicação é comparada com as terapias já existentes. O objetivo principal é determinar a relação risco/benefício a curto e longo prazo e o valor terapêutico do produto. Essa etapa envolve a avaliação das reações adversas mais frequentes e a comparação da nova medicação com as opções já disponíveis", explica Marreco.
O especialista ressalta que os estudos estão sendo conduzidos em diversos centros de pesquisa em todo o mundo, com resultados promissores publicados no Neurology Journals. "A obtenção de resultados positivos nesse estágio é um passo relevante para a futura comercialização desses medicamentos", acrescenta o médico.
Após a conclusão de todas as etapas de pesquisa, as autoridades regulatórias, como a Anvisa no Brasil, avaliarão os resultados e, se aprovados, permitirão a prescrição desses tratamentos aos pacientes.
Alexandre Marreco é responsável por avaliar os pacientes desde o início do tratamento, monitorando a resposta terapêutica alcançada e identificando possíveis efeitos adversos.
Quanto aos tratamentos, o médico ressalta que não há cura definitiva, mas existem abordagens que podem ajudar a controlar os sintomas, retardar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida. "O tratamento deve incluir medicamentos imunomoduladores ou imunossupressores para reduzir a chance de novos surtos da doença, além de tratamentos sintomáticos para controle de queixas como a fadiga, espasticidade, dor e depressão", diz Alexandre Marreco.
A reabilitação também é fundamental para melhorar a função física e cognitiva do paciente, assim como um estilo de vida saudável, incluindo uma dieta equilibrada, exercícios regulares, controle do estresse e um sono de qualidade.
É importante ressaltar que a EM é altamente variável e o tratamento deve ser adaptado às necessidades individuais de cada paciente. A orientação médica é essencial para o diagnóstico e gerenciamento adequado da doença.

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