O setor da construção civil no Brasil responde por 5,3% das emissões nacionais de gases de efeito estufa (GEE), um índice impulsionado pela predominância de fontes renováveis na matriz elétrica e pelo rigor técnico da Norma Brasileira de Desempenho (NBR 15.575). As informações são de um estudo realizado pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), em parceria com a Deep ESG.
De acordo com o levantamento, o país emite em média 0,43 tonelada de CO₂ por habitante ao ano, valor sete vezes menor que a média mundial de 3,06 toneladas. Em termos de área construída, as emissões nacionais variam de 0,49 a 0,56 tCO₂/m², enquanto o cenário global registra 1,53 tCO₂/m².
A pesquisa detalha que o total de emissões associadas ao setor é estimado em 90,5 milhões de toneladas de CO₂ equivalente. A maior parte desse impacto, cerca de 94,8%, está concentrada na cadeia de suprimentos (Escopo 3), que envolve a produção de materiais como cimento, aço e vidro. Já as emissões diretas (Escopo 1) e as decorrentes do consumo de energia (Escopo 2) representam, respectivamente, 5% e 0,3% do montante setorial.
Diante de um déficit habitacional superior a 6 milhões de moradias, o desafio brasileiro consiste em promover o desenvolvimento urbano sustentável, afirma o estudo. No entanto, mesmo esse processo de formalização tende a manter o país com baixas emissões, desde que a matriz elétrica permaneça majoritariamente renovável.
Para o presidente da Abrainc, Luiz França, mesmo operando em condições favoráveis para a economia de baixo carbono, é importante inovar na cadeia produtiva. “O grande desafio ambiental brasileiro é garantir que o avanço habitacional e a melhoria da qualidade de vida caminhem ao lado de inovação, eficiência e uma cadeia produtiva cada vez mais sustentável”, afirma